quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sangue e Chocolate - De skinhead a ativo apaixonado

Este é um dos melhores contos que já li, senão o melhor. 
Agradeço ao autor (vide ao final) a autorização para publicá-lo aqui no blog. 
É raro vermos ativos contando seu ponto de vista mas, eis aqui um que o conta, com uma narrativa espontânea, emocionante, numa linguagem coloquial, mostrando a evolução do autor em seu romance e em sua transformação, a riqueza de detalhes, sua vida cotidiana, suas tiradas "moleques". 
Obs: as fotos abaixo são meramente ilustrativas e refletem a forma como eu imaginei as personagens... 














Sangue e Chocolate - de skinhead a ativo apaixonado

Capítulo 1
Quando mais novo, eu era um garoto bastante rebelde, do tipo problemático mesmo. Eu quebrava vidraças de casas, fazia arruaças e, às vezes, meus amigos infernizavam alguns garotos mais “afetados”. Eu não participava, mas sempre ria dos guris chorando. Éramos uma espécie de Skinheads.
Sou branco, 1,96 m (6'43" feet) de altura, 90 kg (198.41 lbs), olhos castanhos claros, cabelo loiro, muito curto, estilo corte militar. Não me orgulho da minha adolescência mas a historia que vou contar precisa desta introdução.
Aos 18 anos já havia sido preso duas vezes, por arruaça e agressão, mas como eu era de família tradicional, era solto no outro dia. Meu pai, claro, “alisava” as mãos dos policiais e depois me dava aquela bronca. Um dia, já no final do ano, quando cheguei da escola, meu pai me disse que teria uma entrevista de emprego e que deveria me adiantar. Implorei, chorei, ameacei, mas nada adiantou. Ele me disse que se quisesse continuar naquela casa teria que trabalhar. Isso porque, na noite anterior, eu havia pego o carro da minha mãe e, na volta da boate, acabei perdendo o controle da direção e batendo num poste, que caiu e acertou um carro parado, foi uma bagunça! Eu tinha bebido e acabei sendo preso novamente. Então, como sabia que meu pai estava puto comigo por conta de mais essa que eu havia aprontado, mesmo revoltado, eu fui à tal entrevista. A empresa ficava no centro da cidade, num dos últimos andares do prédio e ocupava todo o andar. Era de uma amiga do meu pai, mas quem administrava era o filho dela. Esperei por 50 minutos quando finalmente me chamaram. Eu até estava arrumado, mas de cara fechada. Era uma transportadora de containers. Achei estranho porque eu tinha uma outra visão de transportadora, mas ali era o polo, ou sede, todos de terno, alguns poucos de uniforme e crachá com nome da empresa, era realmente o meio corporativo.
Entrei na sala e, em seguida, entrou um rapaz um pouco mais velho que eu, 24 anos 1,80 m ( 5' 11" - 5 feet 11 inches) de altura, 83 kg (183 lbs), bem encorpado, sem ser gordo, enfim... Ele moreno tipo chocolate uma pele lisa e bem cuidada, terno, cabelo curto, olhos negros, sobrancelha bem feita e estava muito cheiroso. Chegou, me cumprimentou com um sorriso branco e lindo, e me estendeu a mão. Eu o cumprimentei. Até então nunca tinha conversado com uma pessoa de “cor” e agora uma delas seria meu chefe?! Quando começou a entrevista ele já sabia tudo sobre mim, que havia sido preso, etc, e me disse que o engraçado é que eu agredia sempre negros e gays. Ele me disse, olhando nos olhos, que o que eu fazia na rua de nada interessava a ele, mas o que eu fazia nas dependências da empresa interessava muito e que se eu fizesse algo que refletisse na minha imagem dentro da empresa, meu pai teria que desculpá-lo, mas seria rua. Conforme ele falava eu analisava melhor seu rosto: ele tinha traços firmes e másculos e, no entanto tinha uma aparência delicada sem ser afeminado, seu ar sério e intimidador não me deixava dizer nada, apenas ouvi-lo. Como ele tirou o blazer, notei que ele era malhado pois a camisa branca marcava seus ombros e peitoral. Fui ficando confuso, ao mesmo tempo que suava, enquanto ele falava.
Fiquei tenso, já parecia que ele me mandava. Me mandou fazer os exames e disse que eu não entraria no Almoxarifado como ficou combinado, mas que seria assistente dele. Feitos os exames, cheguei em casa, contei pra minha mãe que havia sido contratado. Ela meu deu um sorriso sincero e eu vi que ela estava orgulhosa. Eu me sentia diferente, era uma sensação nova pra mim. Minha mãe me levou e compramos roupas adequadas ao trabalho. Na segunda- feira, às 13 h, eu estava lá, pronto para servir meu chefe (vou chamá-lo de Jorge). Meu trabalho era de meio período pois ainda estudava, faltavam duas semanas para o término das aulas e eu já fazia 3º ano. O Jorge chegou às 13:10 h, entramos para sua sala, com ele falando ao telefone e eu atrás. Ele me pediu pra fazer um DRE (Demonstrativo de Resultados no Exercício) dos carros da empresa. Fiquei desesperado, era meu primeiro dia e ele já tava me ferrando, mas ele foi muito atencioso, me passou um e-mail com tudo que eu precisava, modelo da planilha, dados dos veículos, era só montar (eu já me sentia o máximo, no meu primeiro dia já tinha até e-mail do domínio da empresa). Meu horário de saída era 17 h. Próximo desse horário, vi que não terminaria e decidi ficar. O Jorge estava em reunião e fiquei lá até às 21 h. Quando já saia, ele me chamou, e disse que me levaria, já que morávamos bem perto. Topei.
No caminho nem conversamos pois o telefone dele não parava de tocar. Minhas primeiras semanas foram bem intensas trabalhei até mais tarde todos os dias, as aulas acabaram e continuei na rotina. Certo dia, o Jorge me chamou na sala dele, já eram mais ou menos 20 h... fiquei preocupado, pensando que levaria um rala, ou que ele me mandaria embora. Cheguei tímido e ele me mandou sentar, desligou o celular, daí pensei, pronto... deu merda, ele me olhou e disse:
– Farei um teste com você... a partir de segunda-feira você irá trabalhar o dia todo. O teste terá uma duração de 15 dias e, se eu achar que você esta indo bem, iremos efetivá-lo. Até agora não tenho nada a reclamar, minha única observação é quanto à tua postura, você deve corrigi-la, fora isso, tudo ok.
Fiquei mega feliz, não consegui conter o sorriso, agradeci a ele e fui saindo da sala mas, parei na porta e perguntei se ele queria jantar comigo, nem vi quando perguntei... Tentei justificar dizendo que minha mãe estava fora e que ela havia me dado dinheiro pra comer num restaurante. Ele riu, disse que sabia que minha mãe tinha viajado e falou que iria só se eu pagasse. Daí, falei que só se fossemos ao Mcdonalds que era mais barato. Rimos e saímos.
Fomos a um restaurante muito chique, daí falei: nossa, cara, não tenho como pagar não. Ele me disse calma, como você está merecendo, dessa vez eu pago, depois a gente lancha no Mcdonalds. E jantamos, ainda de roupa social. Comemos, uma comida boa, porém com porções muito pequenas... ainda estava com fome e, já no carro, comentei:
– Nossa Jorge, ainda tô com muita fome, bora passar no McDonald’s pra comer alguma coisa.
– Vamos mesmo, também estou com muita fome, preciso mesmo comer algo, nem almocei hoje, estou à base de barras de cereais.
Fomos então comer no McDonald’s, o assunto e a companhia estavam tão boas que nem vi a hora passar. Quando me atentei, já passava das 2 h da manhã. Conversamos sobre muita coisa, da trajetória dele desde a faculdade até hoje. Ele tinha se formado em Economia e assumiu a direção da empresa quando os pais estavam abrindo ela para captar recursos externos, transformando em uma S/A (Sociedade Anônima). Me deu algumas dicas sobre o trabalho, me disse pra evitar as rodas de fofoca... engraçado, pois no café do escritório, o pessoal chama ele de “Dama de Ferro” ... mesmo sem ninguém ter certeza sobre a sua sexualidade, todos especulam. Ele já tinha mandado pessoas poderosas embora e tinha afastado a própria irmã da empresa quando soube de uns desvios que ela tinha feito para pagar cirurgias plásticas. Ele era bem rígido, mas comigo parecia ser mais calmo e acessível. Saímos, ele me deixou em casa me dando apenas um até logo e foi embora. No final de semana meus amigos me ligaram pra sair, mas eu não tava com um mínimo de vontade, um mundo novo tinha se aberto à minha frente e eu não queria voltar para o que eu conhecia.
Na segunda, fui de manhã. Mal cheguei, o Jorge já me chamou na sala dele, nem entrei direito e ele já foi falando...
– Volte pra tua casa agora, arrume uma mala para três dias que iremos viajar.
– Mas meu pai me deixou aqui e foi para o trabalho.
– Preciso de soluções e não que me conte seus problemas, o que mais temos aqui são motoristas à toa. Peça pra secretária te arranjar um agora, daqui a uma hora eu te encontro no aeroporto.
Fiquei tenso, ele não gosta de incompetência e eu deveria ter pensando em formas de ir antes de falar pra ele. Então, desci às pressas e fui para minha casa. Organizei a mala com a ajuda da minha mãe, ela me deu dinheiro e fui para o aeroporto. Quando desci do carro, peguei meu celular e ele tinha acabado de mandar uma mensagem apenas com o texto: Morreu!? Entrei louco no aeroporto, e fui ao encontro dele no guichê da Tam. Ele pediu meus documentos, comprou minha passagem, fomos pra sala de embarque. Enquanto esperávamos o voo, o telefone dele tocou e ele começou a discutir com alguém ao telefone. Ele dizia que a pessoa não poderia deixá-lo, que tudo iria se resolver, que ele estava sem tempo mas era temporário... mas a voz do outro lado era masculina ou seja, ele estava terminando com um cara. Ao desligar, ele colocou os óculos escuros e dava pra notar que ele estava chorando pois a ponta de seu nariz estava vermelha mas fiquei na minha, se bem que fiquei com um peso no coração por não saber o que fazer ou o que dizer para tranquilizá-lo.
Quando nosso voo foi anunciado, ele se levantou e foi em direção ao embarque, porém a bagagem de mão dele ficou na poltrona, eu o avisei, ele só olhou pra trás e continuou andando, ou seja, era pra eu pegar a bagagem dele com tudo dentro: notebook, palm, e as coisas pessoais dele. Fomos de primeira classe e, na viagem, era tudo novidade pra mim, mas pra ele, nada tinha graça. Ficamos em silencio, vez ou outra eu olhava pra ele e seu rosto tinha uma expressão chorosa e, em contraste com o sol que refletia no seu rosto, o deixava lindo. Hoje, consigo falar isso sem a menor vergonha mas, na época do ocorrido, pra mim, isso era quase impossível. Chegamos a São Paulo e fomos para o hotel, tomei um banho, me vesti e fomos ao primeiro dia do congresso, que foi chato, porém muito informativo. O Jorge parecia ser bem conhecido... ele me entregou o Notebook dele e foi se reunir com um pessoal. Voltei para o quarto e fui mexer no PC dele, onde tinha muitas fotos dele com outro rapaz, bonito até, porém mais velho. Não sei porque mas senti uma raiva daquele homem, eu queria matá-lo...

Capítulo 2
O tempo foi passando e o Jorge não chegava e, mesmo que contra a minha vontade de revê-lo, já era 1 h e nada dele entrar no quarto. Já comecei a pensar que ele estava transando com algum daqueles merdas engomados e, a cada minuto a mais, minha raiva e ansiedade aumentavam, mas não aguentei esperar e peguei no sono. No outro dia, quando acordei, tomei banho e desci pra tomar café. Meu chefe já estava no saguão à minha espera... me aproximei, ele ainda estava triste e, ao me ver, ele apenas olhou em seu relógio, se levantou e foi caminhando à minha frente. Notei então que eu estava sem o Notebook dele, fui correndo pro quarto que ficava no sétimo andar. Pra minha sorte, algumas pessoas o pararam para conversar... creio eu que ele nem deva ter sentido minha falta pois, quando cheguei, ainda esperei uns dez minutos para sairmos. Fomos às palestras, ficamos até às 19 h e voltamos ao hotel. Eu o acompanhei até o quarto, pois ele havia ganhado alguns presentes. Os outros executivos gays ficam paquerando ele, é como aquela garota que todos consideram um bom partido e todos querem comer. Quando chegamos, comentei:
– Pois é, o senhor parece que faz sucesso com os homens de negócios, tinha até uns caras casados te dando presente hoje.
Ele riu, de forma descontraída e disse...
– Isso é bem verdade mas nenhum desses homens me interessa, nenhum mesmo.
Falou isso tirando a roupa na minha frente pra tomar banho. Minha respiração começou a acelerar e meu coração parecia que ia saltar pela boca, quando ele me olhou, já de cueca, viu que eu olhava o corpo dele e falou:
– Está me olhando assim por que? Achou que meu corpo era como? Sou um cara normal como qualquer outro por aí na rua!
– Normal nada, teu corpo é uma delicia!
Só depois que falei foi que me dei conta do que tinha falado, abaixei minha cabeça e tentei disfarçar. Eu estava completamente embriagado por ele, quando disse isso ele me olhou com estranheza, minha vontade era de ir em direção a ele, segurar ele pela nuca e beijar, sem medo, sem vergonha nenhuma. Mas, minha timidez, meu medo, meu preconceito não deixaram e eu saí do quarto meio que correndo, com meu coração saindo pela boca. Tive vontade de ir embora, não queria mais encarar ele, queria sumir dali, eu estava virando um veado, eu queria me bater, fiquei bobo andando de um lado pro outro no corredor, sem saber o que fazer, o que falar, ao mesmo tempo que pensava... E se ele quiser comer meu cu? O que eu faço? E se tiver que chupar ele? E se ele contar pra alguém? A cada novo questionamento, meu peito doía mais e mais. Decidi entrar, voltar pro quarto e passar uma borracha em tudo, fingir que nada tinha acontecido entre a gente e continuar a ser o hétero que eu sempre fui, afinal de contas ele não se insinuou pra mim, quem estava confundindo as coisas era eu. Bolei um monte de teorias pra justificar o desejo que eu estava sentindo por ele, por fim eu queria me fazer acreditar que eu me sentia atraído por ele ser um homem de poder na empresa. E nem queria mais, pois ele me tratava mal às vezes, assim como tratava todos na empresa, ou seja, quem iria querer ele!?
Mas, infelizmente, quando entrei no quarto, eu me traí, pois ele ainda não tinha ido tomar banho e estava alí, parado, checando os e-mails pelo celular. Eu não aguentei, tirei o telefone da mão dele e o beijei, com toda a coragem que me restava, fechei meus olhos e que se fodesse o resto. Enquanto eu o beijava, ele retribuiu o meu beijo, era quentinho e aconchegante, aquela boca gostosa e carnuda tocando meus lábios, a sensação era única, sua língua invadia minha boca, era um beijo apaixonado, quase o sufoquei, ele me soltou tentando recobrar o fôlego, mas eu queria mais, queria ele, então eu disse que tomaria banho com ele. Ele apenas andou na minha frente, totalmente nu, me olhou concordando com a cabeça e fomos ao chuveiro. Nos beijamos novamente, meu pau, duro como rocha, ate doía. Quando ele me tocou, tremi o corpo todo, ele foi se abaixando, eu já saquei o que aconteceria e deixei rolar, deixei ele brincar, se deliciar com minha pica, até porque eu queria isso. Ele me chupou como nunca ninguém tinha feito antes, não era delicado, era preciso e intenso como nenhuma mulher nunca tinha feito. Não tenho um pau pequeno, são 19 cm e, mesmo assim, ele engolia e me olhava enquanto o fazia. Ele estava muito triste, precisava se distrair da separação, então que a distração dele fosse eu, fosse minha rola e ele chupava muito bem! Olhei pra ele me chupando e falei:
– Caralho, Jorge, você é muito bom nisso... Ninguém nunca tinha me chupado assim.
– Gustavo... Ainda não entendeu muito bem, né? Eu sou bom em tudo que eu faço.
Dei uma risada, e ele continuou. Como meu chefe era convencido! Quando senti que ia gozar, tentei parar ele mas estava tão gostoso que explodi num gozo ali na cara dele e ele ainda foi chupando a cabeça da minha rola enquanto eu gozava. Fiquei mole, todo derretido na frente dele, meus joelhos até tremiam. Eu, um moleque de 18, inexperiente, recebendo uma chupada daquelas! Fiquei acabado do quanto eu tinha gozado. Terminamos o banho, nos secamos e fomos pra cama. Enquanto ele colocava um filme para assistirmos, de costas pra mim e peladão, com aquele bundão gostoso na minha frente, dando sopa, meu pau ficou de pé de novo. Puxei ele pra cama e comecei a beijá-lo, morder o pescoço e as costas dele, e fui mordiscando ate chegar no cuzinho, que era lindo, rosadinho, redondo, com pelinhos finos por fora, mas lisinho no resto. Nem pensei duas vezes, meti a língua na bunda dele e estava tão cheirosa, que eu mordia, passava a língua, beijava, babava, estava uma delicia e tudo era muito novo pra mim. Ele se contorcia, desde as mãos até os dedos do pé e isso me fez perceber que eu estava indo bem. Ele me perguntou se estava pronto pra próxima fase, disse que sim, então encapei o menino, ele já tinha até lubrificante na mala, aquele malandro! Fiquei descontrolado, lambuzei a rola e meti o pau pra dentro. Demorou um pouco pra entrar, foram algumas tentativas, o ex dele não deveria comê-lo direito, pois era apertadinho. A cada gemido dele mais forte eu bombava, e como sou mais alto, me deitei por cima dele. Eu tinha dominado a situação e fiquei fodendo uns 20 minutos sem parar e senti meu pau sendo apertado na bunda dele e ele gemendo... estava gozando! Fiquei tão louco que gozei junto, enchendo a camisinha de porra. O que começou no banheiro terminou no banheiro voltamos pra mais um banho, ficamos trocando uns beijos e fomos dormir.
Não vou mentir, o sexo foi ótimo! E o fato dele não querer me comer foi melhor ainda! Eu não estava, como ainda não estou preparado pra isso. Dormi na cama dele nesse dia, o que foi ótimo! No outro dia de manhã, eu me levantei e ele não mais estava no quarto, se bem que o relógio ainda não tinha despertado. Mesmo assim, corri para o banheiro, tomei banho, vesti meu terno, peguei tudo, notebook, celular, palmtop, e desci para o salão pra tomar meu café da manhã. Quando cheguei, ele estava sentado lendo um jornal. Minha vontade era de chegar e agir normal, dizer bom dia, mas eu travei, simplesmente travei. Me servi e quando sentei apenas acenei com a cabeça. Vendo minha reação, ele levantou o jornal fazendo apenas um sinal negativo com a cabeça.
Se sentou um cara do nosso lado e começou a conversar com ele. O cara simplesmente me ignorou ali e estava assediando ele na cara dura. Chegou com um presente numa caixa da Tiffani & Co, um relógio. O pior é que o cara é casado. Minha vontade foi de meter porrada naquele filho da puta pra ensinar ele a ser macho, mas parecia que o Jorge estava dando corda pra ele, devia ser pra me provocar, só podia ser isso. Por fim, o cara ficou o café da manhã todo na nossa mesa, vendo que eu o encarava o Jorge me disse:
– Gustavo, suba, arrume minha mala, a tua e desça, pois iremos embora. Nosso voo sai daqui a duas horas e não se esqueça de chamar um táxi.
– Sim senhor.
Fui pro quarto bufando de raiva. Eu não sabia arrumar nem minha mala e agora teria que arrumar a dele enquanto ele paquera com um cara na recepção do hotel. Arrumei tudo com muito capricho porque, apesar de tudo, ele era meu chefe. Organizei, chamei um táxi, desci com as malas e fiquei esperando do outro lado da recepção. Quando o táxi chegou, coloquei as malas no carro e fui chamá-lo. Me aproximei chamando ele, o cara se despediu dele com um beijo no rosto. O pior é que o filho da puta beijou o rosto dele olhando pra mim! Eu fiquei puto de raiva, com vontade de afundar a cara daquele filho da mãe no chute, mas me contive, afinal nunca mais iríamos ver ele mesmo...

Capítulo 3
Voltamos para Uberlândia e chegamos no aeroporto mais ou menos às 15 h. Eu já tinha pedido para o motorista da empresa ir nos buscar pra evitar qualquer chamada de atenção da parte do Jorge. O motorista veio, coloquei as malas no carro. Quando já estávamos dentro, o Jorge disse:
– Edgar, deixa o Gustavo na casa dele e em seguida me leve ao escritório. Tenho algumas coisas a resolver e, quanto a você Gustavo, chegue às 7:30, por favor, pontualidade não é chegar em cima do horário, é se adiantar quanto ao horário estabelecido.
Apenas concordei com a cabeça. Esse foi nosso único "diálogo" dentro do carro e eu nem pensei em responder para não deixá-lo ainda mais irritado, mas eu deveria ter falado alguma coisa... se ele estava com raiva, provavelmente era devido ao meu comportamento. Eu tinha sido o idiota da história, comi o cara e depois fiquei agindo como se nada tivesse acontecido. Fui pra minha casa, desfiz minha mala e fui pro meu quarto descansar, mas não sem antes ter que contar à minha mãe tudo sobre a viagem, as palestras e outras coisas do ramo de logística. Disse a ela que o Jorge é muito exigente, autoritário e mimado. Ela sempre saía em defesa dele, ela é uma fã dele, em resumo é isso.
No outro dia, às 7:20, eu já estava no escritório, fui pra minha sala que era como um hall de acesso à sala dele, tipo sala de secretária mesmo, me organizei, redigi alguns e-mails pra ele, já pra me adiantar. Pedi o café dele, o pessoal da panificadora trouxe. Até eles sofrem com o comportamento dele. Quando pedi o café, o rapaz me disse ao telefone: – Esse café da manhã é para o Sr. Jorge!? Eu confirmei que sim, que era pra ele. Não se passaram 10 minutos e já estavam lá com o café e o pão de queijo fresquinho, que deixei na mesa dele. Quando eram 7:50, ele passou por mim sem nem me notar e foi pra sua sala, com o telefone pendurado na orelha mas, quando ele passou, notei que ele usava o relógio que o cara tinha dado pra ele no Congresso. Meu sangue ferveu nessa hora, mas fiquei na minha. Quem sou eu pra exigir alguma coisa dele!?
Quando eram mais ou menos 11 h, eu já saía pra ir almoçar e ele me chamou na sala dele. Peguei minha agenda e entrei mais que depressa na sala e, sem nem me olhar, ou melhor, sem desviar os olhos de seu computador, me disse:
– Peça para o Edgar ou o Valter te acompanharem ao DNIT. Eu preciso que você descubra o porque das licenças de tráfego dos nossos equipamentos estarem demorando tanto para serem confeccionadas, se já estiverem prontas, diga a eles que eu mesmo providenciarei a assinatura do Engenheiro de Tráfego, agora, se já tiverem assinadas, ligue para as meninas do Financeiro e peça para que transfiram o dinheiro.
Fiquei parado na porta e ia perguntar a ele se poderia ser após o almoço pois queria comer, ia me desculpar, ia beijar ele, mas tudo não passava de uma possibilidade na minha cabeça. Ele me dirigiu os olhos e falou friamente:
– Ficar parado na minha frente não irá resolver o que te pedi, tem mais alguma coisa que queira me falar!?
Falou isso cruzando os braços e os apoiando na sua mesa de vidro. Eu apenas baixei meus olhos e saí da sala. Realmente, quando ele começa a tratar as pessoas com frieza, ou melhor, 100% de profissionalismo, intimida a gente, ficamos impotentes na frente dele. Eu tinha 20 reais na carteira, então chamei o motorista e fui. Por fim, fiquei enrolado lá no DNIT até às 15 h e comi apenas um lanche. Voltei ao escritório com as licenças e deixei com o pessoal da Logística. Quando já ia pra minha sala, a recepcionista me falou...
– Porque seu telefone estava desligado? O Jorge estava te procurando e está uma fera com você, anda logo e vá a sala dele, não tem ninguém lá agora.
Já fui à sala dele com a ideia fixa de que seria demitido. Entrei na sala, ele estava ao telefone e apenas fez um gesto pra eu me sentar, se virando na cadeira e ficando de costas pra mim, então me sentei e fiquei esperando. O cheiro do perfume dele é ótimo e eu conhecia intimamente o cheirinho gostoso do perfume mesclado ao cheiro da pele dele... Ele conversava em inglês com alguém ao telefone e fiquei mais ou menos 10 minutos esperando ele terminar, ele virou de frente pra mim, meu coração pulava no meu peito...
– Gustavo porque toda essa demora em fazer o que pedi?! Por acaso aproveitou pra fazer seu horário de almoço?!
– Não senhor, eu fiquei o tempo todo no DNIT, fiquei de cima e as licenças nem sairiam hoje. Se não fosse pela minha persistência não teriam ficado prontas.
Ele ficou me olhando como quem analisa o que eu tinha acabado de dizer. Meu, mais uma vez baixei meu olhar, encarar ele estava se tornando uma tarefa difícil, eu tinha vergonha de confrontar seu olhar, até mesmo porque eu não tava reagindo muito bem ao que tinha acontecido. Quando ele foi dizer algo novamente, eu, de cabeça baixa, ele me chamou a atenção:
– Gustavo, olha pra mim quando estiver conversando comigo, odeio pessoas que falam sem me olhar nos olhos, é a forma mais grosseira de submissão, detesto quem fuja dos problemas, ou você se impõe ou o meio profissional te engole meu rapaz.
– Tudo bem, senhor, eu já entendi e sei onde quer chegar, me desculpa Jorge, eu não sei como agir, nunca tinha feito aquilo, agi no impulso, eu sou impulsivo, me perdoa, eu sei que vai me demitir então, não preciso do sermão.
– Não vou demiti-lo, o que eu quero é que fiquei ciente que o que aconteceu naquele quarto não vai se repetir, foi um erro da minha parte, quero me desculpar. Você é uma criança ainda, eu não tinha o direito de te exigir nada, muito menos cobrar algo de você. O que eu quero é profissionalismo, agora pode sair da minha sala.
O que me irrita é que sempre perco pra ele na conversa, sempre mesmo! O que me deu vontade foi de meter a rola nele, ali mesmo dentro daquela sala, porque ao menos assim eu estaria no controle da situação. E o cara tinha me chamado de criança!!? Filho da puta! Sem ter o que falar, eu saí da sala dele e a semana continuou, ou melhor, acabou, pois no sábado não trabalhamos. E a semana que se seguiu foi um inferno! Ele me cobrava muito, eu ficava até tarde no escritório atendendo ligações dele, e fazendo tudo o que ele me pedia. Depois de umas duas semanas sendo escravizado por ele, uma noite ele me chamou na sua sala, já se aproximava do final do ano...
– Gustavo, seu ano letivo acabou e você precisa se graduar. Vou te dar até o meio do ano pra iniciar um curso superior e, por favor, inicie também um curso de inglês, irá precisar. A empresa tem um programa de auxílio universitário que paga 50% da faculdade e do curso de inglês, então comece a estudar, você terá em breve um aumento de salário e isso possibilitará que estude, e aproveite pra tirar habilitação.
– Tudo bem senhor, irei providenciar tudo, e obrigado mais uma vez pela oportunidade.
Fui embora pra minha casa puto de raiva com ele, ele me mandava fazer as coisas e me dava prazos. Isso me irritava mais. Eu queria muito continuar naquele emprego. Nesse dia, meus amigos me chamaram para ir a uma boate, eu topei pois já tinha tempo que não saíamos juntos pra uma balada. Na boate, eu bebi como nunca tinha bebido antes, fiquei ruim mesmo, beijei umas garotas e, lá pelo fim da noite eu ia saindo com uma para levá-la embora comigo quando, na recepção da boate, na hora de pagar a comanda, encontro com o Jorge. Eu fiquei até sóbrio de vergonha, soltei da mão da menina e disse boa noite a ele... Meus amigos, idiotas como eram (hoje sei que ninguém precisa desse tipo de amizades) disseram...
– Quem é esse crioulo aí Gustavo!? Essa gente nem deveria frequentar os mesmos ambientes que a gente, depois morrem e ninguém sabe porque.
Meu chefe nem é negro, é moreno mesmo, do tipo mestiço. Ele olhou pro meu amigo, chegando bem perto dele e sem nenhum pingo de medo ou de receio falou pra ele:
– Engraçado você se julgar uma raça superior, se vestindo como um andarilho, com esse cabelo mal raspado, sujo e fedendo, engraçado mesmo, onde está tua superioridade!? Esqueceu de trazê-la hoje!?
Meu amigo ficou mudo, sem saber o que falar, o Jorge intimida mesmo qualquer um, os outros dois que estavam com ele também não falaram nada, mais fizeram sinal para pegá-lo na rua.
– Vou dar uma dica a todos, cuidado com os negros e gays que vocês provocam na rua, nem todos eles são indefesos ou inocentes, ok? Tem gente muito perigosa por aí, mais perigosa que vocês, sua escória social. E quanto a você, Gustavo, reveja suas amizades, ou quer mesmo continuar na companhia desses atrasados!?
Quando ele saiu da boate o segurança o acompanhou até o carro dele e ele foi embora, mas fiquei péssimo comigo mesmo, me sentindo um lixo e como eu iria encarar meu chefe na segunda-feira!?

Capítulo 4
Na outra semana, eu cheguei cedo como sempre vinha fazendo. Pra minha desagradável surpresa, ele estava na sala dele, e parecia ter mais gente lá pois escutei algumas vozes. Eu fiquei na minha, continuei meu trabalho, eu tinha uma pilha de cotações a fazer, pois o seguro da frota de carros da empresa venceria em 40 dias e, como ele tinha demitido a garota responsável por seguros, delegou a mim essa função. O pior é que não falou nada pra mim. Eu soube por e-mail que, além de tudo o que eu já faço, isso também seria minha responsabilidade. Ele saiu da sala dele às 9 h com mais três pessoas. Pareciam irritados pois suas expressões faciais condenavam sua atual situação emocional. Ele nem me olhou, apenas pegou sua maleta na minha mesa e saiu com esse pessoal.
Foi a melhor coisa que ele poderia fazer, eu não queria ter que confrontá-lo ou encarar ele, pelo contrario, quanto mais eu pudesse fugir de uma face a face com ele, eu fugiria. O cara tinha me visto numa boate com aquele grupo de perdedores que ainda provocaram ele e eu, de mãos dadas com uma garota, tão ignorante quanto o resto dos meus amigos, Fui à área de descanso da empresa tomar um café da manhã, a recepcionista estava lá lavando uns talheres, quando me viu iniciou um diálogo:
– Bom dia Gustavo, que cara de cansaço é essa!? O Dama de Ferro tá te escravizando muito!?
– Sim e não, viu Suzane? Ele sempre me pedindo muita coisa, a questão é que hoje eu tô indisposto mesmo.
– Vou te contar um segredo, sabia que tínhamos feito um bolão aqui na empresa pra ver quanto tempo você aguentaria ao lado dele!? E você tá se superando, já passou um mês inteiro ao lado dele e ainda não pediu demissão. É meu herói.
– Pode falar pro pessoal que desistir não é comigo, que tenho ambições maiores dentro dessa empresa... entre as poucas palavras do Jorge comigo, ele me mandou estudar e começar faculdade, pois detesta pessoas paradas no tempo.
– Ele morde e assopra, é sempre assim. Eu acho ele um fofo, ao menos comigo nunca foi rude ou grosseiro, pelo contrario, os poucos sorrisos que ele distribui aqui dentro, a maioria é pra mim, sou encantada com ele, apesar de todos falarem que ele é gay eu tenho é uma quedinha por ele.
Fui ficando com ciúme da conversa. Ela começou a apontar as qualidades dele, perguntar como seria o beijo dele. Deu vontade de falar pra acabar com as esperanças dela logo, mas eu não podia me expor. Conversamos sobre uma série de coisas, todos os assuntos passam pela Recepção. Eu temia que comentassem que eu tinha um caso com ele porque, como idiota que sou, isso seria uma possibilidade e, potencialmente um problema, mas ela não disse nada sobre isso, ou não sabia ou quis me poupar. Enquanto estávamos lá, o Jorge para na porta, nos olha e depois olha de forma individual pra mim e pra ela, e fala:
– Gustavo me acompanhe até a minha sala e você, Suzane, aguarde uma meia hora e venha falar comigo, por favor, é a respeito das condicionais de roupas que viriam de São Paulo pra mim, até agora não chegou nenhuma, pode providenciar por favor!?
– Sim Jorge, irei à sua sala com uma resposta.
Fui andando com ele até a sala dele, passei pela minha mesa, peguei minha agenda. Ao entrarmos, ele mal me deu tempo de encostar a porta e começou a falar.
– Vá ao Recursos Humanos no sexto andar e pegue a ficha da Suzane, por favor, irei dispensá-la da função dela.
– Porque você irá fazer isso com ela!? É uma das poucas que te adoram aqui dentro, vai demiti-la por ciúmes, só porque estávamos conversando!?
– Quem falou em demiti-la!? Irei dispensá-la de sua função, vou transferi-la para o controle da frota, ela já esta conosco há um bom tempo, é hora de evoluir dentro da empresa e, por ser bilíngue, acho que será de grande utilidade no cargo disponível. E quem você pensa que é pra achar uma coisa dessas!? Acha mesmo que eu demitiria uma pessoa por sentir ciúmes!? E o que te faz pensar que eu tenho ciúmes de você, Gustavo?! Quem sente ciúmes aqui não sou eu, ou acha que não noto quando fica olhando o relógio no meu braço com cara fechada!? Mais, enquanto você não se descobrir como pessoa, eu nada poderei fazer, agora saia da minha sala.
Sai cuspindo marimbondos e fui ao Recursos Humanos fazer o que ele tinha mandado. Quando retornei, a Suzane estava com ele na sala, conversando. Eu entrei com a ficha, ele estava na frente dela, apoiado na mesa e pernas cruzadas, ela estava sentada na cadeira na frente dele. Com ela ele era descontraído como tinha sido também comigo um dia, mas eu pisei feio na bola e não conseguiria mais reconquistar ele. Primeiro, que não tenho grana pra dar um relógio daquele pra ele, segundo, que sou uma criança como ele mesmo disse, terceiro... Poderia enumerar um monte de possibilidades que eu via naquela ocasião. Entreguei a ficha, lutando para ficar de rosto erguido e corpo reto, e saí. Fui pra minha mesa, cheguei até sem ar. Por que estava sendo tão difícil ficar perto dele!?
Estava ali cuidando da minha vida quando o coroa das fotos que estavam no notebook dele chegou, falou um português meio embaçado, devia ser americano, ao menos tinha pinta. Veio até mim com um leve sorriso e perguntou sobre o Jorge, eu disse que estava em reunião mas que iria anunciá-lo para que ficasse ciente da presença dele. Perguntei o nome do cara, ele disse ser Britton, eu liguei na sala e anunciei. O Jorge nada disse e desligou. Não passou um minuto, ele saiu com a Suzane, cumprimentou o cara e os dois saíram, mas antes ele me mandou desmarcar todos os compromissos dele da parte da tarde, pois ele não estaria.
Ele sumiu, ficou três dias seguidos sem ir ao escritório e não avisou que iria se ausentar. Eu soube pela Suzane que ele tinha feito uma viagem a Florianópolis a trabalho e que só iria retornar na próxima semana. Por e-mail ele me disse o que faria com o caso da Suzane, que era pra eu encaminhar ao Recursos Humanos o anexo e contratar duas pessoas pra Recepção, duas pessoas bilíngues, independente do sexo. Deveriam apenas ter boa aparência, era sua única exigência.
Fui ao RH e o pessoal me entregou mais de 100 currículos. Disseram que o Jorge havia mandado eu escolher os funcionários e passei dois dias recrutando. Cheguei aos cinco melhores currículos, chamei a psicóloga da empresa e fomos às entrevistas, parte feita em inglês pela psicóloga e a Suzane e parte em português e eu apenas acompanhei. O cara que se mais se destacou foi um homem de seus 25 anos, formado em Relações Internacionais, branco, ruivo, com pintinhas pelo corpo e olhos verdes, devia ter mais ou menos 1,85 m e pesar, sei lá, uns 75 kg, dentes bonitos, bons. Eu fiquei receoso em contratá-lo pois era muito bonito e poderia chamar atenção do Jorge porém, o cara era muito bom. Então, o contratamos, ele e uma mulher com porte de modelo, de 20 anos, chamada Priscila: magra, estilosa, negra linda, de nariz fino, sorriso encantador, cabelo curto, uma mulher chic, formada em Economia Politica e falava, além de português, francês, italiano e inglês. Já o cara, falava inglês e francês. Seus nomes: Edgar e Valentina.

Capítulo 5
Na outra semana, cheguei ao escritório às 7:40 e os dois já estavam a postos na Recepção. Eu não sabia qual dos dois era mais bonito. Mesmo ela sendo negra, acho que por ser muito fina e elegante, todos olhavam pra ela com desejo e seu perfume incendiava a sala. O Edgar, muito bem vestido, impecável. Por sinal, quando estava na minha sala, ele veio e me cumprimentou, foi que notei o quanto ele ficava bem de roupa social. Me deu vontade de mandar ele ir embora se trocar pois estava muito gostoso. Mas, antes que ele voltasse ao seu lugar, o Jorge chegou e, vendo o belo homem na minha frente, foi cumprimentá-lo mas o cara se adiantou.
– Senhor Jorge, prazer em conhecê-lo, chamo-me Edgar e sou seu novo recepcionista bilíngue, caso eu possa ser útil, não hesite em me chamar.
– Hesitar não é comigo, meu querido Edgar, prazer em conhecê-lo e parabéns pela sua postura.
O cara abriu um sorriso e foi pra Recepção. O Jorge me olhou, deu um bom dia seco e entrou na sala. Eu fiquei babando de raiva de tão puto que eu tava, o cara já deixou claro aqui, na minha frente, que topa qualquer parada não ”hesitar em chamar”? Que porra é essa!? Deu vontade de ir na Recepção e chamar na porrada naquele filho da puta mal agradecido! No entanto, eu deveria me preocupar com outra coisa: como conseguir chegar novamente até o Jorge?! Eu precisava de uma estratégia rápida, afinal de contas, o Edgar era um osso duro. Fiquei desconcentrado a manhã inteira porém, para a sorte geral da humanidade, era dia 23 de dezembro e só trabalharíamos até o dia 24 de dezembro até ao meio dia. Depois, só dia 2 de janeiro, o que era ótimo, assim o Jorge não iria mais ver o ruivão por um bom tempo.
O dia se arrastava... Quando eram mais ou menos 17 h, eu tava na sala do Jorge conferindo algumas informações do imposto de renda pra ele assinar, quando a Valentina entrou na sala e eu soube que era ela, mesmo sem olhar, pois o perfume era inconfundível. Foi rápida e direto ao que precisava, quando já ai saindo, o Jorge a chamou novamente.
– Valentina, eu preciso que você ou o Edgar venham aqui na empresa no dia 26 de dezembro, pois teremos algumas reuniões e preciso de um assistente para elas.
– Se o senhor não se incomodar, poderia ser o Edgar!? No dia 26 estarei na empresa, porém fui solicitada para ajudar o pessoal do Comercial numa vídeo conferência e creio que estarei ocupada.
– Perfeito então, pode ser ele. Dia 26 às 7:30 h da manhã.
Já fiquei louco! Os dois aqui num dia em que a empresa estaria basicamente deserta. Não poderia deixar isso acontecer de forma alguma, mas eu era imaturo nessa época, não sabia bem o que fazer, precisava ser guiado, precisava que alguém me mostrasse uma luz no final do túnel. Separei os documentos, o Jorge revisou, assinou e me retirei da sala mas, minha vontade mesmo era ter empurrado ele na parede e beijado a boca dele até quase sufocá-lo. Enfim, fui pra minha mesa, já passava das 18 h. Fiquei pensando o que fazer quando a Suzane se aproximou de mim...
– Suzane chegou em boa hora, eu preciso de umas dicas suas... Eu tô a fim de uma pessoa, porém ela é muito seria, é mais velha, nós tivemos um lance só que eu pisei na bola e agora não tô conseguindo uma reaproximação, o que eu faço!?
– E quem seria essa pessoa!?
– Não posso falar, isso é segredo, prefiro proteger a pessoa até ser sério, entendeu!?
– E se eu te falar que eu sei quem é essa pessoa? Quando um homem diz estar a fim de uma “pessoa”, geralmente é de um homem que se trata nunca é uma mulher.
Fiquei morrendo de vergonha, não sabia onde enfiava a minha cara. Será que ele tinha contado alguma coisa pra ela!? Afinal, eram amigos e isso poderia ter acontecido. Fiquei totalmente arrependido de ter iniciado aquela conversa com ela mas era tarde demais, agora teria que ouvi-la.
– Então, Gustavo, quem você quer é uma pessoa de nível hierárquico muito alto e muito exigente. Nem adianta desconversar que estamos falando da mesma pessoa sim, ou você acha que não notei você com ciúmes no café no dia que falei que se ele me desse uma chance eu cairia matando? Mas, fica tranquilo, sou amiga dele, o que me faz, automaticamente, amiga tua.
– Está bem, mas não conta pra ninguém por favor, eu morreria de vergonha. Ainda não saquei bem qual é a minha, mas eu gosto dele de verdade, só que me embanano todo na hora de demonstrar.
– Pode não parecer, mas o Jorge é uma pessoa muito simples, não precisa de relógios caros ou presentes grifados para agradá-lo, um simples lanche, que seja no McDonald’s, proporciona a ele uma noite inesquecível.
Conforme ela foi falando, eu notei que ela já sabia de tudo que tinha acontecido com a gente, aí sim eu fiquei realmente com vergonha. Tava sentado na minha cadeira, um pouco afastado da mesa e ela sentada na mesa próxima ao telefone. Falava me olhando nos olhos e eu não desviava o olhar até mesmo porque o Jorge me diz que desviar o olhar é fugir do problema e tudo que eu não queria era fugir, já não aguentava mais tocar punheta pensando nele, queria comer aquela bundona gostosa de novo. Porém eu teria que melhorar muito, me afastar das antigas amizades, me dedicar ao inglês, começar faculdade, subir meu nível, porque o Edgar já era o cara e eu teria que malhar também porque o corpo do Edgar era todo definido. Voltando ao assunto, ficamos conversando um tempo sem achar uma solução pro meu problema...
– Pois é, porém o que eu posso fazer? Agora eu contratei esse Edgar aí, o cara é fera e tal, manja dessas paradas todas, é bonito, malhado, inteligente e já disse que o Jorge não precisa hesitar em chamá-lo e estarão aqui no escritório dia 26, sozinhos. Como eu vou concorrer com um cara desses!?
– Você tem uma vantagem muito grande em cima do Edgar, você e o Jorge já tiveram um lance, e ele gosta de você. Ou você acha que ele comenta comigo todos os caras que ele pega? Pelo contrario, você foi o primeiro, justamente pelo fato de ter sido importante, agora para de pisar na bola e fala com ele.
– Eu não consigo, ele não me dá mais brecha pra chegar nele, tem me tratado com frieza ou profissionalismo, não sei, porém meus espaços para dialogo estão muito reduzidos e não sei o que fazer.
- Eu já fiz meu querido.
Ela falou isso olhando para o telefone, a luz do ramal da sala dele estava ligada, ou seja, ele estava ouvindo toda a nossa conversa! Minha cara queimou de vergonha, ela me olhou, sorriu, me vendo de olhos arregalados. Desligou o telefone, pegou suas coisas, se levantou e foi saindo mas, antes de ir, me encarou dizendo
– Esta esperando o que!? Vá logo falar com ele, ou vai mesmo deixar o Edgar ganhar de você algo que ele só quer pra subir dentro da empresa!?
Me armei de toda a minha coragem e fui pra sala do Jorge. Quando abri a porta, ele estava sentado na cadeira, me encarando. Meu peito chegava a se mexer de tão forte que meu coração batia mas eu fui andando na direção da sua mesa, me sentei, e ele apenas me olhando em silêncio... Olhei bem firme nos seus olhos mas, antes que eu dissesse qualquer coisa, ele foi mais rápido...
– Fica aí sentado, que eu tenho algumas coisas pra te falar...

Capítulo 6
Dizendo pra eu ficar sentado que ele tinha algumas coisas a me dizer o Jorge se levantou, fechou a porta e veio na minha direção. Eu não sabia ao certo se era pela novidade que toda aquela situação representava pra mim, ou pela timidez em que ele me deixava mas aquela situação me causava um tesão incontrolável. Ele voltou, se sentou na minha frente, eu já estava de pau duro e as calças sociais não ajudam muito quando o assunto é camuflar uma ereção, enfim... Ele se sentou na minha frente. olhando fixamente pro meu rosto:
– Gustavo, eu sinto que estou te exigindo muito, você ainda é um jovem que não tinha tido esse tipo de experiência na vida e eu, por minha vez, tive que amadurecer muito cedo por conta da situação que a empresa se encontrava, e me comprometi a retirá-la da falência coisa que eu fiz bem, eu acho. Já você, vive seus anos rebeldes e inconsequentes, com companhias que não agregam e tudo o mais, é hétero e eu um gay vivido usando da sua inocência.
– Não é isso não, não tá usando de nada, eu sei muito bem o que estou fazendo e porque eu estou fazendo. Você tem razão, eu sou só um moleque imaturo, mas me dá um tempo pra eu amadurecer que eu consigo, só não conta pra ninguém ainda, meus pais me deserdariam.
– Eu não sou do tipo que sai por aí contando a todo mundo o que faz entre quatro paredes. Eu comentei sim com a Suzane sobre uma pessoa que eu estava me relacionando mas, em momento algum, citei nome ou disse que trabalhava aqui, foi você quem se entregou.
Comecei a me sentir sufocado, coçava a cabeça, queria sair dali pra poder respirar mas precisava confrontar logo isso e resolver minha situação, porque daquela forma não poderia continuar. Já tinha um mês que ele estava me gelando, e eu não aguentava mais aquilo, era a primeira vez que eu sentia aquela sensação, devia ser amor e, toda vez que eu ia me masturbar, eu não mais pensava em mulher ou via um filme hétero: eu pensava no que tinha feito com ele, sempre que me lembrava me excitava e não ter ele comigo pra me satisfazer era horrível.
– Eu sei Jorge, eu não disse que você tinha contado pra ela. Foi ótimo ela ter sacado logo, eu precisava mesmo conversar com alguém, eu queria um jeito de chegar a você, sei que sou muito pouco pra você, que pode ter quem quiser, quando quiser está aí o Edgar que não me deixa mentir, o cara é de outro nível e eu nem sou metade do que ele é ainda, mas eu gosto de você, sinceramente.
– Então fala que gosta de mim olhando nos meu olhos e sem ficar mexendo no seu cabelo, timidez comigo não cola, Gustavo. Faremos o seguinte: você irá passar o réveillon comigo, iremos a uma festa privada em Belo Horizonte, já tenho os convites, só terá a elite mineira lá, irá como meu acompanhante, ou você já tem planos para o réveillon!?
– Não, nenhum, na verdade eu ficaria em casa mesmo, tenho que estudar ao máximo, porém eu irei com você sim, fico muito feliz pelo convite.
Na verdade, feliz foi pouco, eu fiquei foi louco com o convite. Ele iria me levar como acompanhante em uma festa que só terá os picas de Minas Gerais! Eu já estava mais que feliz! Me levantei, fui até a cadeira dele e o abracei como forma de agradecimento, mas relembrar o cheiro do perfume dele me deixou de pau duro de novo e, como estávamos abraçados, ele deu uma passada de mão na minha rola. Nossa! Fiquei louco! Mas, no escritório, eu não faria nada, ele então, como sempre, tomou a dianteira da situação...
– Pega tuas coisas Gustavo, estamos indo embora.
Fui à minha mesa, desliguei meu PC, peguei minha carteira, minhas chaves, voltei à sala dele, peguei a maleta dele na mesa e fomos saindo. Quando passamos pela Recepção, passei até de peito estufado como um galo que ganha uma briga, pra mostrar para o Edgar que ele teria que melhorar muito para conquistar, ou melhor, tomar o Jorge de mim. Fomos ao estacionamento e ele desativou o alarme do carro, que não era o mesmo carro que fomos da primeira vez, acho que o outro era da empresa. Entramos então no Porsche Cayenne dele e fomos para sua casa. Eu sei que a casa dos seus pais é próxima à minha casa, porém fomos a um apartamento, também próximo à minha casa, naqueles edifícios que têm apenas um apartamento por andar e os apartamentos são enormes. Entramos e, apesar de eu vir de uma família muito bem estruturada financeiramente, nada se comparava à situação financeira dele, e o mérito era todo dele, que tirou a empresa da falência sozinho e o cara era apenas 5 anos mais velho que eu!
Entrei na casa dele com a ideia fixa de comer ele de novo. Não queria mais ficar só na punheta, já entrei encochando ele e beijando a nuca dele, ele tem um jeito macho que me deixa mais doido ainda e, quando estamos assim, é o momento onde quem manda na situação sou eu! Virei ele de frente pra mim e beijei ele, segurando sua nuca e controlando o beijo. O beijo dele é delicado, apaixonado. Eu o imprensei contra a parede e fui beijando ele, roçando meu pau no seu abdômen e sentindo a pressão que meu corpo exercia contra o dele preso ali na parede. Soltei um pouco pra ele respirar, enquanto ele recuperava o folego dei um sorrisinho, segurei ele pelo braço, o empurrei no sofá e fui tirando minha roupa na frente dele, não de modo a seduzi-lo, mas de forma a mostrar que o macho dele sou eu. Fiquei pelado e fui pra cima, beijei ele de novo, ele me virou no sofá me deitando de barriga pra cima e foi mordendo meu corpo, passando a língua na minha barriga e começou a mamar minha rola.
O meu pau roçando o céu da boca dele me causava uma sensação nova, quase inexplicável. Eu segurava a cabeça dele, pressionando-a contra minha virilha para sentir o quanto do meu pau ele podia engolir. Ele voltava, chupava a cabeça da minha rola o que me deixava ainda mais doido. Não sou circuncidado, ou seja, a cabeça do meu pau é um pouco sensível e, vez ou outra, ele parava de chupar e dava uma sopradinha na cabeça da minha pica e eu ficava me contorcendo... é bom demais, e cada chupada dele era melhor que a anterior... eu não conseguia controlar minha gozada, ele não deixava, ficava chupando com intensidade e, mais uma vez, gozei fartamente, inundando a boca dele... ele limpou meu pau todinho, foi ao banheiro e voltou, eu ainda pelado...
– Veste tua roupa Gustavo. Por hoje é só, agora vamos sair pra jantar.
– Não faz isso não, Jorge, eu quero mais.
– Eu sei, mas por enquanto é isso, se transarmos, depois você vai ficar sentindo aquela culpa toda e vai ficar me tratando com estranheza de novo, então prefiro não arriscar, agora se vista e vamos.
Me vesti e fomos comer um lanche no McDonald’s do shopping, os dois ainda de roupa social. Ficamos mais de uma hora lá, conversando e rindo, ele tinha voltado a ser o mesmo cara da primeira vez que saímos. Eu tinha conseguido! O sorriso dele é encantador, eu adoro ver ele sorrindo, ainda mais quando é pra mim. Depois fomos ao cinema, ele me deixou em casa mais ou menos à meia noite, me deu um beijo e foi embora. Fui dormir todo alegre, não sem antes bater uma punhetinha pra ele, pensando no que tinha acontecido...

Capítulo 7
No dia 24 de dezembro, trabalhei super de bom humor. O Jorge havia me respondido o e-mail me autorizando a renovar o seguro dos carros da empresa e do carro particular dele, e assim eu fiz. Quando já ia embora, ao meio dia, fui à sala dele me despedir e perguntar se precisava de mais alguma coisa. Ele estava olhando pela janela. me aproximei dele, com um beijo na sua nuca. Ele me olhou com um sorriso e me deu um selinho me dizendo que poderia ir embora e que nos falaríamos mais à noite.
Cheguei em casa, liguei pra minha mãe, ela me disse que estava chegando. Então disse a ela que precisava de sua ajuda pois teria de comprar umas roupas para uma festa de réveillon em Belo Horizonte. Não foram vinte minutos, minha mãe chegou e fomos comer no shopping, almoçamos e fomos às compras. Eu precisava de algumas roupas grifadas pois seria uma festa com a direção da empresa em BH. Não podia dizer a minha mãe a verdade, não naquele momento. Eu ganhava R$ 1.000,00 por mês, ainda era pouco, mas meus pais são controlados e minha me disse que dessa vez pagaria pelas roupas pra mim. Enfim, comprei uns cinco pares de roupas e três calçados. Não sabia muito bem quantos eventos seriam, ainda não sei porque perdi tantos anos de convivência com minha mãe, aquela tarde foi super agradável, não poderia ser melhor.
Eu estava deixando meu cabelo crescer um pouco, principalmente pra me livrar daquela aparência de skinhead que eu tinha. Eu já tinha conseguido me desvencilhar da aparência, agora era ficar mais bonito... era minha meta de verão. Quando saímos do shopping, vi meus antigos amigos sentados na praça em frente... apenas acenei com a cabeça e fomos embora pra casa. No caminho, conversamos um pouco no carro...
– Meu filho, que bom que as coisas estão melhorando pra você, meu querido. Teu pai está muito orgulhoso e cogitamos te dar um carro de presente, pra comemorar tua nova fase.
– Mãe, fico feliz com isso, mas eu prefiro que paguem a faculdade que eu pretendo fazer, vou tentar na Federal mas, se eu não conseguir, eu preciso que me ajudem com a mensalidade, porque já pago o inglês e ainda ganho pouco, né?
– Vai fazer faculdade, meu filho? Que coisa mais boa.
– Vou. Foi uma exigência do Jorge e, quanto ao carro, vamos fazer assim, me dão a entrada de presente e eu pago as parcelas mensalmente, pode ser!?
– Por mim está mais do que bom, falarei com teu pai a respeito disso, mas creio eu que não teremos problemas quanto a isso não. E qual curso você pretende fazer?
– Relações Internacionais ou Administração, ainda estou indeciso mas será um desses dois.
– E tua tia dizendo que você não teria conserto, que era um caso perdido. Ah! Mas eu vou jogar isso na cara dela mesmo, que ela não cruze meu caminho, senão vou falar mesmo, sabe que sou implicada com aquela irmã do teu pai... casou por interesse, tem uma filha viciada e vem falar do meu menino. Não mesmo!
Então minha mãe começou a reclamar da família do meu pai, ou seja, foi assunto pra tarde toda. Ela me contou todos os pobres da família dele e rimos muito de toda a situação. Ela não parava mais de falar, chamou até nossa empregada para ajudar em alguns assuntos. Nesse dia, fiquei o dia todo em casa com minha mãe. Ela é ótima e eu não soube aproveitar isso quando criança por conta da minha inexplicável rebeldia. Se pudesse, faria diferente mas, como não posso, o jeito era consertar daquela parte da minha vida em diante.
À noite, o Jorge me ligou e conversamos por mais de uma hora sem ninguém interromper ou ele ter que desligar pra atender outra ligação. Isso era um recorde na vida dele. Eu disse que iria no dia 26 ao escritório pois queria me assegurar que o Edgar não iria tentar nada e ele disse que não precisava, que poderia confiar nele, pois ele não queria nada com o Edgar, que já tinha o branquelo dele, e que era eu esse cara, achei fofo ele falar isso. Conversamos sobre a festa de réveillon, ele me explicou melhor... é uma festa privada, onde estaria a elite gay mineira. Aí sim, eu fiquei tenso, sem saber muito bem se iria, pois eram muitos gays num mesmo lugar. Não disse nada pra não estragar o nosso clima agradável. Chamei ele pra vir passar o natal comigo mas ele não quis. Dessa vez foi ele a ficar com vergonha. Ele disse que ficaria em casa e que eu ficasse com minha família. Nos despedimos e fui me arrumar para as festividades.
Esse seria o primeiro natal em anos que eu passaria com minha família. Eu sempre saía, me dopava com drogas ou álcool e dormia em alguma sarjeta por aí, mas isso mudou, graças ao Jorge. Me arrumei, penteei meu cabelo tirei a barba, me perfumei... queria causar uma boa impressão e pra ajudar minha mãe com minha tia. Desci e fui de encontro à família. Com meu melhor sorriso, cumprimentei a todos os familiares. Pela primeira vez vi meus pais orgulhosos de mim. Quando cumprimentei essa minha tia, minha mãe já foi dizendo...
– Te contei que o Gustavo esta indo pra uma festa de réveillon em Belo Horizonte com o pessoal da direção da empresa dele? E, já ia me esquecendo, tá começando faculdade, tá fazendo inglês, vamos dar um carro pra ele. E a Aline, cadê ela!?
Minha mãe não perdia nenhuma oportunidade de alfinetar essa minha tia. Meu telefone tocou a noite toda, com meus ex amigos me ligando. Eu não atendi em momento algum. Era melhor eles notarem que eu estava em outro momento da minha vida e que eles não faziam parte desse momento. Meus primos vieram, conversamos a noite toda, o que foi ótimo. Assim, distraí minha cabeça, bebi apenas socialmente, fiquei acordado até mais ou menos 6 da manhã e então fui dormir... mas, antes, mandei uma mensagem para o Jorge, respondendo uma em que ele me perguntava como estava a festa, respondi: estava boa, mas faltou uma pessoa muito importante.
Acordei às cinco horas da tarde, tomei um banho, bati uma punheta pro Jorge e fui jogar videogame com meu coroa, FIFA. Ficamos jogando um bom tempo, conversamos sobre as coisas da vida, faculdade, carro, cursos, trabalho e namoradas... Foi aí que o bicho pegou. Não sou bom em mentir, disse que tinha uma garota aí, mas que ainda era incerto, mas que, assim que estivéssemos firmando o compromisso, eu apresentaria à família. Eu tenho certeza que minha mãe iria adorar que eu namorasse o Jorge, ela adora gays, e já disse algumas vezes que não teria problemas em ter um filho gay. Já meu pai eu não sei. Às 20 h, a família toda chegou de novo, pra segunda rodada de festas.
Assim que eles chegaram, o Jorge me ligou, então fui pro meu quarto conversar a sós com ele. A voz dele me dá conforto, o que acho ótimo... ele me perguntou como tinha sido meu dia, eu respondi, perguntei sobre o dele, ele me disse que tinha sido tranquilo, que tinha ido pra casa de amigos almoçar com eles e depois tinha voltado pra dormir mais um pouco. Ele me perguntou se poderia ir me buscar para passarmos um tempo juntos, eu disse que sim, em meia hora... iria tomar um banho e me arrumar... E assim eu fiz, desliguei o telefone, tomei banho, me perfumei e fiquei no aguardo dele. Não foram cinco minutos de espera e ele me ligou dizendo estar na porta. Me despedi da minha mãe dizendo que iria sair com um amigo, ela me olhou desconfiada mas, quando viu o carro pela câmera do interfone ficou aliviada. Mesmo assim, tinha um olhar desconfiado, mas a desconfiança era outra. Pra não ser questionado, eu saí. Quando entrei no carro do Jorge ele me deu um beijo. Eu ia virar o rosto, afinal estávamos na porta da minha casa, mas o magnetismo foi mais forte e eu o beijei. Quando nos soltamos, ele me disse um boa noite com aquele sorriso perfeito e saímos juntos, afinal um pouco de romantismo é preciso...

Capítulo 8
Fomos pra casa dele, ficamos a sós, conversando e assistindo a um filme qualquer. Pela primeira vez, ficamos um na companhia do outro, sem sexo e sem beijos, apenas curtindo o momento a sós. Eu preciso controlar meu ciúme, melhor... isso é uma coisa que trabalho até hoje. Já o Jorge me parece alguém extremamente seguro, ele não se exalta, fica sempre calmo e sereno. Isso me inspira, porque sou muito elétrico. Enquanto estávamos ali só nós dois, vez ou outra eu passava a mão na bunda dele, ou ele alisava meu pau, como estava com a cabeça deitada no meu colo ele fazia parecer que tinha sido acidental. O safado me seduz mesmo sem querer.
Minha cabeça pensava em 1 milhão de coisas ao mesmo tempo, pensava em como era bom estar ali com ele, na reação dos meus pais se descobrissem esse meu lado gay, na faculdade, se alguém soubesse de algo a meu respeito, ao mesmo tempo em que pensava que se eu ficasse sempre na defensiva eu perderia o Jorge e tudo o que ele representava pois, como ele mesmo demonstrou, ele não tem paciência para insegurança e amadorismo. Então, já viram, né? Eu, um cara de 18 anos de idade, até então hétero, comedor de boceta, me descubro gay e vou me apaixonar justamente pelo cara mais serio e autoritário de Minas Gerais! Poxa vida, era muita coisa pra pouco tempo! Ficamos juntos até às 2 da manhã... então ele disse que me levaria embora pois teria que estar no escritório às 7 da manhã e precisava descansar. Eu disse que chamaria um táxi, que ele não precisaria se incomodar, mas ele insistiu em me levar...
Na porta da minha casa, ele parou o carro e eu fiquei apenas olhando para o rosto dele, ele retribuía meu olhar com certa malicia... eu queria ficar o resto da noite ali, mas não poderia pois ele tinha que descansar... então dei um selinho nele, que viraram dois, que viraram três, que se tornou um beijo de quase dez minutos quando, finalmente, desci. Enquanto abria o portão, vi que meus antigos amigos estavam sentados na praça em frente à minha casa e já fiquei tenso. Será que eles tinham visto algo? Entrei rápido em casa e o Jorge saiu acelerado. Corri pra dentro, literalmente, para não dar tempo de algum deles me chamar. Fui me deitar. Com o costume de acordar sempre às 6 da manhã, eu acordei no dia 26 e virei pro canto pra tentar dormir de novo, mas o sono tinha fugido e, mais uma vez, minha cabeça começou a trabalhar a mil por hora. Já pensei no tal do Edgar se atirando em cima dele, mas teria que aprender a confiar no Jorge e, principalmente, confiar em mim, né? Com muito custo, consegui dormir novamente, acordei babando na cama às 14 h com minha mãe me chamando pra almoçar. Me levantei, tomei um banho me lembrando do gosto da boca do Jorge, bati mais uma punhetinha de leve no banheiro, me sequei, vesti apenas uma sunga e bermuda e desci pra comer. Minha família estava toda na nossa casa de novo... devem ter dormido por lá. Uma prima minha que eu comia de vez em quando, veio pra cima de mim, eu tentando fugir dela de todas as formas... não queria trair o Jorge e muito menos com ela.
Ela ficava se esfregando em mim, enquanto ninguém via, passava a mão na minha mala e eu fui ficando de mau humor com ela, teve um momento em que eu acabei empurrando-a pra longe de mim...
– Já te falei pra me deixar em paz, Gabriela, não quero nada contigo e tem mais, tô namorando, vai procurar um namorado pra ti e me deixa quieto. Pode ser!?
– Namorando com quem priminho? Quem é a desinformada que não sabe a tua fama em Uberlândia e demais localidades!?
– Alguém que você é louca pra ser mais que nunca irá conseguir Gabriela.
Ela fechou a cara e saiu pra área externa da casa pra ficar com o resto da família, finalmente me deixando em paz. Fiquei o dia todo sem falar com o Jorge. Como ele mesmo havia me dito, eu precisava saber separar as coisas. Então, em horário comercial, eu defini a mim mesmo que não ligaria, até porque ele é muito ocupado, mas admito que achei ruim o fato de ele não ter ligado. Pra distrair minha cabeça fui ao shopping expor minha figura e comer alguma bobeira... resolvi passar numa renomada ótica pra comprar um óculos de sol... eu não tinha nenhum e todos no escritório tinham. Minha mãe me emprestou o cartão com uma condição, eu deveria pagar mensalmente as faturas... e fui às compras. Entrei, me sentei e um rapaz veio me atender. Perguntou meus gostos pessoais, eu disse que não tinha, ele então me mostrou algumas opções de óculos de sol... gostei de uns três, dois da Tom Ford e um Calvin Klein... escolhi ficar com o CK e parcelei em três vezes. Quando eu ia embora, o rapaz me deu uma cantada...
– Posso fazer uma pergunta, senhor!?
– Pode sim, sinta-se à vontade.
– O senhor é solteiro?
– Na verdade não, eu tô namorando há pouco tempo.
Eu comecei a tremer... um homem tava me paquerando e eu não poderia fazer nada. Em outros tempos eu brigaria e o chamaria de veado mas, dada a minha nova situação, eu não podia fazer alarde.
– É uma pena, eu só espero que essa pessoa te valorize, porque você é um homem muito bonito.
– Obrigado, eu fico feliz com o comentário, agora eu realmente preciso ir embora.
Ser elogiado realmente é muito bom... eu sai da loja até com um sorriso no rosto e o rapaz que me deu uma cantada era bem bonito, branquinho e baixo, do tipo passivo guloso. Estava descendo para o estacionamento e vi o carro do Jorge parado no estacionamento do térreo... na hora que eu vi o carro já voltei pra dentro para procurá-lo. Fui ao Barolo e ele tava lá, sentado com mais três homens, todos usando terno. Não quis atrapalhá-lo, então, resolvi ir embora e, quando já chegava no meu carro, vejo o Edgar chegando no shopping. Eu o cumprimentei por pura educação e fui embora... era melhor que o Jorge não me visse ali, poderia piorar nosso romance e tudo estava indo muito bem...
Fiquei os dias seguintes na minha casa, conversava com o Jorge por telefone ou msn, mas nos vermos mesmo, nós não nos víamos. Ele me dizia que estava me deixando na vontade, pra quando transarmos ele me dar umas aulas. Falamos algumas sacanagens ao telefone mas apenas coisas leves, nada demais. No dia trinta de dezembro às 5 horas da tarde, ele foi à minha casa me buscar pra irmos viajar. Saímos de Uberlândia e fomos para Belo Horizonte. Ele me disse que me apresentaria uns amigos dele num jantar informal pra eu me socializar antes de irmos ao evento propriamente dito... E uma coisa eu posso dizer, o jantar foi, no mínimo, comédia. Mas, isso eu conto depois...

Capítulo 9
Hospedamo-nos em um hotel muito chic mas, como já estava tudo pago eu me senti mais tranquilo. Se eu tivesse que pagar por aquilo aí sim, eu estaria fodido e teria que trabalhar 24 horas direto pra pagar a fatura do cartão da minha coroa, enfim... Fomos para o quarto... nós iríamos dormir no mesmo quarto, com cama de casal e tudo... me deu uma certa vergonha quando fizemos o check-in no hall do hotel, mas ali ninguém me conhecia mesmo, então que se foda a minha vergonha. Fomos pro quarto e enquanto ele lia alguns e-mail’s, eu entrei em uns sites de moda pelo meu celular pra saber como me vestir.
Fui o primeiro a ir tomar meu banho, saí do banheiro peladão, com a rola meia bomba, balançando na frente dele, que estava lendo um jornal. Minha intenção era que ele me notasse mesmo... ele lia um jornal.. então, pra chamar a atenção dele...
– Ei Jorge, qual dessas duas camisas eu uso, a azul ou a branca!?
– Hum... que delicia! Use a azul, fica linda com seu tom de pele, mas acho que você já iria usar ela desde o início, posso estar enganado mas acho que você está querendo me seduzir.
– Nossa! Que demora! Pensei que não fosse notar... eu quero mesmo chamar tua atenção, não acha que tá na hora de me fazer um carinho não!?
Ele soltou o jornal e veio pra cima de mim, começou a me beijar... em menos de um minuto meu pau já marcava 12 horas, aí foi minha vez de controlar a situação, passei a mão na nuca dele e fui beijando e mordendo aquela boca gostosa e as coisas foram esquentando... em certo momento ele me empurrou com uma certa força na cama e tirou a roupa na minha frente... a pele lisa e cheirosa dele me extasiam e eu fico sem controle... ele veio até mim, pensei que fosse me beijar mas não, parou no meu peito e começou a me morder, lamber meus mamilos e foi descendo... quando finalmente chegou no pau ele já babava todo... ele começou a me chupar e, no primeiro toque com sua boca, minha respiração já ofegava e eu contorcia meus dedos dos pés... enquanto ele me chupava, ficava me olhando com um risinho no rosto, fiquei com tanto tesão que dei um tapa na cara dele.
Fiquei um pouco tenso, pensei que ele fosse apelar mas, pelo contrário. quando dei o tapa parece que ativei um montão de “safadeza” nele... ele ficou ainda mais intenso e safado... eu estava quase gozando mas puxei ele e beijei ele na boca... o gosto da boca dele contrastando com o gosto do meu pau é muito bom... deitei ele de bruços na cama e fiquei roçando a rola na bunda dele, sem penetrar e mordendo a nuca dele, dando uns beijinhos e tal... fui descendo, descendo, até que finalmente, mais uma vez, dei uma mordida naquele bundão gostoso, passava a língua, babava, mordia, dava tapas naquela bunda e ele sempre com o quadril empinado pra mim, era todo meu naquele momento.
Vesti uma camisinha, melei o bicho com KY e mais uma vez foram algumas tentativas até conseguir meter nele de fato... os gemidos dele são másculos, firmes e, a cada estocada minha, ficava ainda mais evidente que eu estava fazendo o certo... segurei os braços dele e fui metendo o pau pra cima, bombando, sem dar tempo pra ele respirar...
– Gustavo, espera um pouco por favor, não estou aguentando.
– Quer um descanso, é isso mesmo!? Só que aqui quem manda é o Gustavão. Entendeu, chefinho? Eu sou o cara aquim o “Big Boss”.
Terminei de falar, dei mais duas bombadas e senti sua bunda esmagando meu pau, isso me incentivou ainda mais porque eu sabia que ele estava gozando, aí sim, eu meti com gosto... soltava o peso do meu corpo no quadril dele... depois que ele gozou, ficou mole, todo derretido... então virei ele de frente pra mim, coloquei suas pernas em meus ombros e continuei fodendo, só que agora olhando nos olhos dele... bombei mais uns dez minutos, tirei a camisinha e gozei no peito e no rosto dele... nunca minha porra tinha ido tão longe... era pra acertar até na altura do umbigo mas, dessa vez, acertei a boca dele... ele começou a rir e eu também, afinal, foi minha primeira vez indo tão longe.
Fiquei tão cansado que caí por cima dele na cama, beijei a boca dele de novo e ficamos juntinhos por uns momentos... eu recuperando meu fôlego e ele esperando eu sair de cima dele pra poder se levantar.
– E aí, chefinho, tô melhorando meu desempenho!?
– Então, “Big Boss”, tá melhorando muito, estou com meu corpo dormente o que é bom, isso significa que tive um orgasmo. Agora, vamos tomar nosso banho que estamos atrasados pro nosso evento.
– Vamos, mas eu quero tomar banho juntinho.
Fomos para o chuveiro depois de uma trepada digna de ser filmada, tomamos uma ducha rápida, eu saí primeiro, me sequei todo, vesti minha roupa conforme vi no blog, a camisa, com um jeans sequinho, encerado, um dockside magenta, me penteei todo, perfumei e fiquei esperando ele. Quando ele saiu e me olhou foi logo disparando...
– OMG! Como você está elegante, meu querido, um verdadeiro cavalheiro vestido assim... estou muito orgulhoso dessa tua rápida evolução.
– Olha só! Arranquei dois elogios no mesmo dia! Nem eu tô acreditando nisso.
Ele se arrumou, elegante como sempre, e fomos ao restaurante onde os amigos dele estariam. Eu fui com uma visão dos caras mas, quando chegamos, todos muito másculos, inclusive o Jorge me disse que tinha dois americanos que vieram apenas para o evento e que ele conheceu por meio do ex-namorado dele mas, quando romperam, os caras continuaram muito amigos dele. Tinha 8 pessoas na mesa... chegamos, eu me apresentei, cumprimentei a todos, que foram cordiais... porém, estavam me analisando, me avaliando da cabeça aos pés o que é normal, todos fazem isso. Nos sentamos na mesa e eu me empenhei o máximo pra ser natural, eu quis ser o tipo de pessoa que eu gosto, detesto gente forçada, então fiquei na minha, sempre mantendo um diálogo com um ou outro. Começamos com algumas doses de vodka, eu queria um bom whisky mas um deles disse...
– Gustavo, gays de verdade não curtem whisky, nós bebemos é vodka, geralmente com limão, ou com água de côco mas, whisky não, deixa isso para os héteros.
Eu não entendi muito mas, como todos riram, eu caí na risada também. Me perguntaram sobre mim, meu cotidiano e tal, minhas experiências e eu disse que era novo em ser gay, que o Jorge tinha sido o meu primeiro, e que seria o único pois não iria mais deixar ele escapar. Eles fizeram aquela cara de “ai que fofo” e demos risadas. Os humores começaram a ficar irrigados pelo álcool o que foi bem legal pois comecei a ver um Jorge descontraído e brincalhão, do tipo amigo palhaço mesmo, contando piadas e coisas engraçadas que acontecem com ele no dia a dia. Conhecer essa faceta dele foi incrível, me apaixonei ainda mais, os amigos dele propuseram que fôssemos a um clube GLS da cidade para darmos uma derretida na pista... ele falou exatamente assim... eu concordei, o Jorge e o pessoal também e assim fomos para a boate, todos bêbados e risonhos...

Capítulo 10
Chegamos na boate e, na portaria, eu ia pagar pelo meu ingresso e o do Jorge... já tava no caixa pra pagar as entradas mesmo sendo
R$ 150,00 cada uma, mas um dos amigos dele me puxou e disse:
– Gracinha, Jorge, indo pagar a entrada do seu namorado, mas aqui não precisa, estamos na lista vip dessa boate e, como você está conosco, também não paga.
Eu já tinha visto isso em filmes, tinha uma fila de pessoas para entrar na tal boate e a gente simplesmente entrou na frente de todos e, o mais legal, o meu nome foi colocado na lista vip da boate... sempre que eu quisesse ir lá era só entrar, não precisaria pagar. Eu achei ótimo, exclusividade é bom, trabalha a nossa vaidade. Fomos ao camarote... já tinha bebida na mesa, e eles começaram a me explicar como tudo funcionava, dessa vez foi o Jorge a me dizer:
– Sempre que a gente vem a esse clube, eles já sabem o que gostamos de beber, então o dono, que é um grande amigo meu, providencia uma garrafa de cada bebida que gostamos e deixa na mesa, logico que depois é cobrado na comanda mas, pra adiantar o processo e não termos que ir ao bar, ele já deixa aqui, por isso esperamos um pouco lá fora, para o pessoal organizar tudo. Nunca tinha tido um tratamento assim, nem imaginava que era possível. Realmente, com os amigos que eu tinha, seria improvável eu ter esse tratamento numa boate. Um dos americanos era o mais fashionista de todos, um cara até gordinho, mas muito belo, muito mesmo e, o mais engraçado, ele dança de forma muito debochada, acho incrível. Começamos a beber champanne e mais vodca, ou seja, fomos ficando feios conforme o tempo ia passando, eu moderei um pouco porque o Jorge estava bem bêbado. Eles desceram todos para a pista de dança e eu fiquei no camarote sentado, quando um cara chega em mim:
– Olá rapaz, boa noite...
– Boa noite.
– Posso me sentar com você um pouco!?
– Não, eu tenho namorado e não vai ficar muito legal ele chegar aqui e te ver conversando comigo, obrigado por me ver como uma possibilidade mas não estou disponível.
Nisso, o Jolley, o amigo fashionista do Jorge, chegou dispensando o cara. Não me recordo bem o assunto mas o cara mudou o foco de mim e passou a assediar o Jolley, disse que era ativo e que o comeria. O Jolley fez aquela cara de indignado, colocou o dedo na cara do rapaz e disse mais ou menos assim “Girl, I know you’re a super bottom, baby", algo como, "Querida, você é super passivo que eu sei". O cara saiu pra lá e nos deixou quietos. Ficamos rindo do cara enquanto ele falava umas bobeiras meio em inglês, meio em português... ele tava muito bêbado.
Resolvi descer um pouco. Tomei uma dose caprichada de vodca e fui pra pista de dança... cheguei lá tinha um cara se esfregando no Jorge... ele meio que tentava se desvencilhar do cara mas ele ia atrás dele... eu já cheguei junto, abracei ele, me impondo e mostrando pro cara que ele era meu...
– Algum problema aqui companheiro!?
– Você é o que dele!?
– Namorado dele e, a menos que você esteja pedindo informações de hospitais aqui em BH, é melhor você sair daqui, porque não sou do tipo que tem muita paciência.
– Você sabe com quem tá falando!? Você sabe quem sou eu aqui nessa boate!?
– Aqui eu não sei, mas posso te dar certeza que embaixo da terra seu cadáver vai feder como qualquer outro e, a menos que queira adiantar esse momento, tipo pra agora, é melhor circular.
O cara saiu todo metido pra lá com um grupo de amigos dele. Os amigos do Jorge ficaram me idolatrando e foram me contar quem é o cara: filho de um desembargador que gosta de sair com os caras, transar com eles e colocar vídeos na net pra queimar os caras. Minha vontade, quando fiquei sabendo disso, foi de ir atrás dele e chamar a mão na orelha daquele filho da puta, mas eu não iria arranjar uma confusão ali... tava com o Jorge e não iria submetê-lo a uma situação dessas. Ficamos nesse clube até às 5 da manhã, saímos e fomos pro hotel. Por incrível que pareça, estávamos todos hospedados no mesmo hotel e só nos encontramos no restaurante! Fomos em 6 carros, isso é desnecessário, né? Mas, enfim, coisas dos amigos do Jorge.
Eu estava pronto pra mais uma brincadeirinha mas ele como estava muito bêbado não conseguiria transar... dizem que o cu de bêbado não tem dono, mas, enfim, eu preferi não fazer nada e fui dormir também... tomei um remédio pra ressaca e apaguei. Quando acordei eram 10 da manhã. Acordei com o Jorge me chamando... ele tinha aberto todas as janelas do quarto e a claridade deixa o rosto dele lindo... quando realmente despertei, notei que enquanto ele me chamava, tocava uma punheta de leve pra mim... já tinha até tirado a minha cueca...
– Gustavo, levanta... toma um banho e vamos tomar um café comigo e com os meninos, pode ser!?
– Quer mesmo que eu levante? Já aproveita que esta com a mão aí e me faz um carinho, eu tô precisando mesmo de uma mão amiga...
– Você só pensa nisso Gustavo!? Se eu deixar você me come o tempo todo, que é isso? Ai, não dou conta de acompanhar teu ritmo não.
– Quem mandou você namorar com um touro de elite? Meu negocio é partir pro ataque e fecundar e, como você não engravida, eu vou tentando o quanto eu conseguir.
Ele começou a rir das minhas palhaçadas, então eu levantei e fui tomar meu banho. No banheiro, dei mais uma olhada no blog de moda e me arrumei, coloquei bermuda, camiseta básica, dockside azul e chapéu panamá. Ele já estava na sala do quarto me esperando... quando me viu, eu arranquei dele mais um elogio... tava ficando bom com isso, mas ele não poderia descobrir nunca do blog onde eu pegava o que usar mas, enfim, descemos pra comer e os caras já estavam lá. Quando nos viram, começaram a falar:
– Finalmente chegaram, pensei que não fossem mais descer, vocês ainda vão ter muito tempo pra fazer sabem o que.
Conforme eles iam falando, meu rosto ia queimando de vergonha, afinal tinha mais gente comendo lá, mas eles pareciam nem se importar com o que estávamos fazendo. Isso eu adorei! Nos sentamos e fomos comer, essa foi a primeira vez que o Jorge me viu comendo mesmo, eu costumo comer muito, literalmente. Acho que comi um seis pães com presunto e mussarela, tomei suco, bebi leite, depois tomei cappuccino, isso porque fiquei um pouco com vergonha mas eu ainda tinha espaço pra comer mais um pouquinho... depois de comer, fomos para um clube e ficamos a tarde toda lá, tomando sol. Na verdade, eles tomavam sol, eu estava era pulando na piscina e me divertindo... ficamos no clube até às 13 h... todos estavam ressaqueados, menos eu, que tinha tomado meu remédio... depois fomos ao shopping comer. Eles queriam um restaurante, mas consegui convencer a todos a comerem comigo no Burger King... comemos e ainda pegamos um cinema à tarde, coisa que provavelmente eles não fariam se eu não estivesse lá. Quando saímos do cinema, um dos amigos dele saiu e logo em seguida veio com três garrafas de vodca, uma vodca russa, quando vi aquilo, falei pra ele:
– Pra que essas garrafas de vodca!?
– Vamos fazer um esquenta nas piscinas do hotel agora para quando sairmos para a festa de réveillon já irmos animados.
Resultado: ficamos até 23 h nas piscinas tomando vodca... quando nos demos conta da hora saímos todos no desespero para nos arrumarmos e irmos à tal festa de réveillon, todos correndo pelo hotel, um mais bêbado que o outro...

Capítulo 11
Já no nosso quarto, o Jorge foi o primeiro a ir tomar banho. Eu preferi que tomássemos banho separados pois se eu entrasse junto com ele no chuveiro iríamos demorar muito pois iria rolar um sexo. Enfim, fiquei organizando o que vestir e ele se banhando... depois eu tomei minha ducha, saí do banheiro, me arrumei todo e ele ainda não tinha terminado de se vestir... então me sentei na cama e fiquei esperando. Saímos do quarto e todos os caras já estavam nos esperando... eu tava ficando com a impressão de que éramos sempre os últimos a nos organizar! Saímos do hotel as 23:40 h, dirigimos até uma via de acesso à rodovia, entramos numa pista de terra e fomos até um rancho. Quando entramos, faltavam dois minutos para 00:00 h. Foi o tempo de pegarmos as taças de champanhe e fazer a contagem regressiva. Todos que estavam na festa eram muito bonitos, mas muito belos mesmo! Fui fazer uma social com o povo e procurar uma mesa de petiscos. Eu precisava comer alguma coisa senão ia acabar desmaiando porque tinha bebido muito... fiquei na mesa comendo, tirando minha barriga da miséria... tinha uns doces lá que eu não sabia o que eram, mas eram muito gostosos... enfim, acho que comi umas quatro taças daquele negócio... era doce, então tava valendo, ainda peguei um e levei pro Jorge.
– Jorge, come esse doce pra repor um pouco da tua glicose.
– Obrigado, Gustavo, mas que doce é esse!?
– Olha, tinha um nome lá, eu acho que é francês mas eu não sei te falar o que é esse doce não, mas é o bicho, pode comer.
– Vou confiar então.
Ele comeu a primeira colherada e fez algo típico do Jorge: arqueou a sobrancelha esquerda como se estivesse degustando o doce, tentando identificar do que era feito, por fim ele fez uma caretinha e continuou comendo, acho lindas as caretas que ele faz. Pois bem, depois de comer o doce ele continuou bebendo assim como todos nós... eu fiquei bebendo caipirinha com vodca. Acho que uns dez caras chegaram em mim pra ficar comigo... acho que em nenhuma festa que eu tinha ido até então mais de 5 garotas chegaram em mim e, já nessa, dez caras queriam ficar comigo, acho que o numero que chegou em mim foi dobrado quando comparado ao Jorge. Ele não dizia nada aos caras, apenas balançava a cabeça em sinal negativo, meu esnobezinho predileto! Vez ou outra ele vinha dançando, se esfregando em mim e me beijava, me alisava no meio dos outros e eu adorando!
– Para de ficar me provocando Jorge, se ficar se esfregando em mim, eu fico de pau duro e já viu o que acontece, né? Em resumo, eu te deixo dormente.
– Olha só o “Big Boss” querendo me intimidar, só que eu já sou treinado.
– Acha mesmo que eu já te mostrei todos os meus truques!? Tá muito enganado, vou te dar uma canseira enorme, você ainda não viu nada...
Meu, fechei a boca e meu pau já tava duro! E, como minha calça era branca, dava pra ver da lua (exagerei, eu sei)... ele notou o que tinha me feito e começou a rir. Quando ele fica bêbado, fica muito safadinho e eu gosto muito do “drunk mode on” dele. Enfim, acho que passei o resto da festa com o pau meia bomba. Quando já eram mais ou menos 8:30 da manhã saiu uma briga no meio do povo... o Jorge tava dançando e um dos caras esbarrou nele... nem foi muito forte mas foi o suficiente pra jogá-lo no chão... ele de roupa branca, ou seja, sujou... quando ele levantou eu pensei que fosse engolir o cara que esbarrou mas, pelo contrário, ele levantou rindo, e assim continuou por meia hora, Deus abençoe o álcool!
Quando íamos embora eu era o mais sóbrio no carro, o que não era muita vantagem porque eu ainda não tinha habilitação, mas o Jorge me disse que eu teria que dirigir, porque ele estava sem condições... ele tirou a roupa, ficou só de cueca, porque a roupa estava suja e sentou no banco do passageiro.
– Jorge eu não sei o caminho até o hotel, e nunca dirigi um carro desses.
– Gustavo é só apertar return no GPS e, quanto ao carro, coloca no D, é só acelerar... é igual à caminhonete do teu pai, e o carro tem seguro.
Com ele falando assim, beleza, eu topei e fui dirigindo no caminho de menos de 20 minutos... ele dormiu no carro. Chegamos no hotel, fomos apenas nós dois no carro dele... ainda tive que levá-lo carregado pro quarto porque ele apagou e não conseguia acordar. Minha coluna ficou destruída. Quando deixei ele na cama, eu pensei que minha coluna ia travar mas, com muita sorte, eu consegui esticar minhas costas. Fui ao banheiro, tomei um banho, bati uma punhetinha e fui dormir. Como eu tinha dormido muito pouco na noite anterior eu desmaiei, literalmente. Deitei às 10 da manhã e acordei apenas às 16 h. Quando acordei, nem bem abri meus olhos e tive que ir correndo ao banheiro vomitar... porém, foi apenas vomitar e consegui melhorar... já tava pronto pra outra. Voltei e o Jorge ainda tava deitado na cama do mesmo jeito que eu deixei ele... fiquei preocupado, fui lá e dei uma sacudida nele.. ele finalmente despertou...
– Nossa! Graças a Deus! Eu já tava preocupado... você não acordava.
– Nossa que horas já são!?
– Já são 16:20 h... você quer fazer mais alguma coisa aqui em BH ou vamos embora?
– Precisamos ir embora, meu querido, eu quero chegar em casa e descansar, minha cabeça não tá muito bem.
Organizei nossas malas... ele tomava banho e eu já tava arrumado e devidamente pronto pra ir embora, só faltava ele. Quando ele saiu do banho, se arrumou e fomos fazer check-out no hotel. O caminho de volta foi silencioso... ele dirigindo e eu de passageiro, dormindo. Acordei já na porta da minha casa, o telefone dele tocou e como estava conectado ao mp3 do carro atendeu automático no viva voz... era o infeliz do Edgar.
– Olá, feliz ano novo para o senhor, que tudo seja financeiramente perfeito nesse ano que se inicia, e no que eu puder somar à empresa, pode contar comigo.
– Muito obrigado Edgar, feliz ano novo.
– De nada, senhor, é um prazer, Até logo.
Fiquei com meu sangue fervendo no corpo... esse filho da puta desse Edgar não dava mole hora nenhuma, não podia ver ter um espaço que se aproveitava disso pra dar em cima do Jorge. Eu não consigo disfarçar meus ciúmes mas decidi que nada falaria ao Jorge, meu assunto seria direto com o Edgar se ele continuasse com esse assédio. Quando ia descer, logicamente eu beijei ele na porta da minha casa, não me preocupei muito... a rua parecia deserta, beijei ele por uns cinco minutos... era o encaixe perfeito! Desci do carro, peguei minha mala e fui descer. Assim que bati a porta, minha mãe estava no portão de acesso da casa, que fica um pouco à nossa frente... eu olhei pra ela e arregalei os olhos na hora... se ela realmente tivesse ali, ela viu o beijo, mas ela me olhou com um sorriso no rosto...
– E aí, meu filho, como foi sua festa de ano novo?
– Foi muito boa mãe, melhor do que eu esperava, um pessoal elegante, fino, do jeito que a senhora gosta.
– Esse que te deixou aqui foi o Jorge não foi?
– Foi ele sim..
Entrei em casa com minha mala, deixei na lavanderia e fui para meu quarto me deitar um pouco, queria evitar um confronto com minha mãe. Se ela realmente tinha visto alguma coisa ela certamente iria me questionar sobre o beijo, mas ela agiu tão naturalmente que eu fiquei surpreso e, quando confirmei que quem tinha me deixado em casa tinha sido o Jorge, ela apenas sorriu... Mal podia eu esperar o outro dia pra finalmente ir trabalhar, queria ver o Jorge de novo...

Capítulo 12
Cheguei na segunda de manhã ao escritório e já fui interceptado na Recepção pela Suzane, que parecia vir do Almoxarifado... ela passou por mim, me agarrou pelo braço e falou:
- Me conta tudo, eu já soube que você foi pra BH com ele, e aí, como foi!? Ele disse que me contaria mais tarde, mas eu estou muito ansiosa, me conta aí.
De onde estávamos, o Edgar conseguia ouvir a conversa... eu achei ótimo ele ter ouvido o que ela disse, então a puxei pra área de descanso e fomos conversar... Contei tudo a ela: das bebedeiras, das festas, dos amigos dele... ela conhecia alguns, inclusive o mais figura de todos, o Jolley. Eu a poupei dos detalhes mais picantes mas contei que a viagem tinha sido ótima, que estávamos finalmente nos acertando como casal.
Fui pra minha sala, organizei minha mesa... o Jorge já tava na sala dele. Eu li meus e-mails e estava separando uma documentação pra mandar pra filial do Paraná, quando o Jorge me chama na sala dele.
– Gustavo, preciso que vá ao escritório de contabilidade de um amigo meu e traga aqui um profissional que ele disponibilizou pra dar um curso de Speed Fiscal para as meninas do Financeiro. Pegue o endereço com a Valentina na Recepção, aproveite e traga pães de queijo e um cappuccino pra mim, estou morto de fome. Por enquanto é só!
– Ok, já estou saindo mas, por favor, assim que tiver um tempo olhe sua caixa de e-mails e veja uma solicitação que o pessoal de Floripa tá fazendo.
– Me poupe o trabalho de ler o e-mail, me diga você mesmo do que é que se trata.
– Eles estão pedindo o demonstrativo do exercício de 2010 pessoa física, seu, da sua irmã e do seu pai, com a justificativa de fazerem um cadastro no canal do Panamá para que possam atravessar nossos contêineres sem termos que pagar aquela diferença para os navios transportadores. Ou seja, o pessoal do canal irá faturar direto pra gente.
– Você verificou se nossos Impostos de Renda realmente são necessários pra isso!?
– Pedi pra Valentina ligar lá e confirmar com eles, afinal de contas, meu inglês ainda não tá muito bom.
– Quando tiver a confirmação me informe, não mande nada que seja pessoal da minha família ou meu para o pessoal das filiais ou para os acionistas, ok?
– Tudo bem.
– Agora pode ir, preciso desse rapaz que irá fazer o treinamento com o pessoal do Financeiro aqui o mais rápido o possível.
Chamei o Valter e fomos ao escritório. No caminho, a Valentina, vendo que me esqueci de pegar o endereço mandou pra mim por sms, ela é o cara! Falei pro Valter onde deveríamos ir... chegamos nesse escritório de contabilidade, o rapaz já nos esperava na porta para irmos de volta à empresa. O Valter passou na panificadora que o Jorge gosta e que fica relativamente longe do escritório... eu comprei tudo o que ele me pediu, encaminhei o rapaz ao Financeiro que ficava um andar abaixo do nosso, e disse que, se precisasse de qualquer coisa, me chamasse que eu providenciaria. Voltei pra minha mesa... assim que cheguei, a Valentina veio junto com um e-mail impresso, nele dizia que: o Canal do Panamá não exige nenhuma documentação pessoa física dos sócios ou dos acionistas para nenhum tipo de cadastro, exigem documentação da pessoa jurídica. Agradeci o favor à Valentina e fui à sala do Jorge passar pra ele. Como não tinha o alerta no meu PC, eu deduzi que não tivesse ninguém na sala mas, quando entrei, o tal do Edgar estava lá, sentado numa das cadeiras e o Jorge, agachado, procurando alguma coisa no armário que ficava próximo à sacada. O Jorge tava dando uma super comida de rabo no Edgar por conta de uma solicitação que não foi atendida em tempo hábil. Eu saí da sala sem ser notado, até comemorando o que estava acontecendo dentro da sala do chefe. Bem feito pra aquele metido! Fiquei na minha. Como nada pode ser perfeito, o coroa, ex-namorado do Jorge, chega no escritório com um presente nas mãos, provavelmente mais um relógio pelo tamanho da embalagem... como esses caras gostam de dar relógios de presente para o Jorge!
– Bom dia, rapaz, por favor, o Jorge se encontra!?
– Sim, ele está com um funcionário na sala, em seguida tenho que levar um documento pra ele assinar, assim que ele o fizer o senhor pode entrar, tudo bem!?
– Ok, ficarei esperando aqui.
– Sinta-se à vontade.
Fiquei um pouco puto daquele coroa folgado que dispensou o cara querer ele de novo, e ainda mais levando um relógio para ele. O Edgar saiu da sala do Jorge com uma cara de derrota que dava pena e foi pra Recepção. Então eu entrei com o e-mail impresso dentro da sala... o Jorge parecia muito estressado, mas eu não poderia deixar pra depois, teria que falar pra ele.
– Jorge, tá aqui a confirmação do pessoal do Canal, eles não exigem nada de pessoa física dos proprietários ou acionistas de nenhuma empresa, sendo assim, o pessoal da filial quer seus documentos e demonstrativos por outro motivo.
– Não passa nada pra eles. Eu preciso descobrir o que está acontecendo lá. Já estou cansado desses acionistas tentando me passar a perna... fez bem em falar comigo antes de mandar a documentação, mande um e-mail pra eles me copiando falando que documentação pessoal é para tratarem direto comigo.
– Providenciarei. Outra coisa, o Smith tá aí fora e quer falar com você, e me parece que tá com um presente pra te dar.
– Pelo amor de Deus, só o que me faltava pra completar a minha manhã. Faz cagada, pisa na bola e depois acha que é só me presentear e pronto... peça pra ele entrar.
Mandei o cara entrar e fiquei na minha mesa. Eu não conseguia ouvir nada da conversa o que me chateava um pouco. Já eram quase 11 da manhã e nada do cara sair! Provavelmente eles não estavam se beijando nem nada do tipo porque a porta estava entreaberta e o Jorge é muito preocupado com isso. Às 11 fui almoçar, passei no shopping fui a uma relojoaria com a intenção de comprar um relógio pro Jorge... escolhi um da marca Fossil, lindo, preto, com mostrador de uma pedra preta, muito chic, porém custava R$ 3.500,00. Passei em 10 vezes no cartão da minha mãe, só assim eu conseguiria pagar a fatura, né? Afinal, eu era um quebrado na época.
Saí da relojoaria, comi um lanche no Burger King e voltei pro escritório... deixei o embrulho perto da minha mesa. O Jorge saiu sozinho pra almoçar... quando passou por mim, deu uma piscadinha, ou seja, ainda estamos numa boa, ele passou na sala da Suzane e eles saíram juntos. Fiquei organizando uma relação atualizada de IPVA pra ele, de todos os equipamentos... como tinha algumas informações que eu não tinha eu fui ao Almoxarifado algumas vezes para procurar nos arquivos da empresa. Acabei não vendo o Jorge chegar, nem vi que ele tinha voltado, quando finalmente dei uma desocupada, fui entrar na sala dele pra deixar o presente na mesa junto ao cartão e dou de cara com ele sentado na mesa com um pacote na mão.
– Nossa! Eu não vi que você tinha chegado.
– Porque não estava na sua mesa, por isso não viu. Mas sei que estava no Almoxarifado... a Valentina me disse, o que é isso na sua mão!?
– Que droga, era pra ser uma surpresa, comprei algo pra você hoje no shopping.
– Engraçado, também comprei algo pra você.
Entreguei o meu presente pra ele, ele abriu, fez aquela cara de impressionado, me agradeceu o presente, e me entregou o dele. Pelo embrulho, compramos na mesma loja, eu abri... era um relógio também, só que muito mais caro que o que eu dei pra ele, fiquei super sem graça, era um relógio da Bvlgari, lindo, todo masculino... eu curti pra caramba, agradeci o presente que ele me deu... eu queria beijar ele mas ali dentro da sala não poderia. Voltei pra minha mesa com meu relógio novo no pulso... a Suzane passou pra mim e levantei o braço pra ela, que fez um coração com as mãos... Confesso: fiquei parecendo criança com meu presente, o relógio tinha o preço de um carro popular... eu nunca tive nada tão caro na minha vida, nem carro eu tinha... eram mais ou menos 16 horas quando recebi uma ligação da mãe, que me assustou muito, ao mesmo tempo que me preocupou...

Capítulo 13
Ao telefone, minha mãe dizia que alguém tinha vandalizado o muro da nossa casa e que, provavelmente, tinham sido aqueles marginais que eram meus amigos... eles picharam veado nos muros da minha casa. Segundo a minha mãe, tinham pichado todos os muros... ela tinha comprado tinta e mandado pintar, antes que meu pai chegasse em casa e visse aquilo. Eu fiquei sem ação no telefone, não sabia o que dizer, afinal de contas, o que falar numa situação dessas? E ela me disse que nem tinha sido isso a preocupar ela, o que mais a deixou preocupada foi o bilhete na nossa caixa de correio, que me mandava tomar cuidado, pois não iriam aceitar mais um veado no mundo e fariam de tudo pra me pegar e me dar uma surra, pra me fazer virar homem. Minha mãe disse que me buscaria todos os dias no trabalho pra evitar qualquer ataque e eu concordei, afinal de contas, eu sabia do que eles eram capazes.
Trabalhei tenso o resto do dia, quando já se aproximava das 18 h, o Jorge me chama na sala dele...
– Gustavo aonde está a relação de IPVAs que te pedi hoje de manhã!?
– Irei terminar hoje Jorge, tá demorando porque são mais de 400 equipamentos e algumas informações eu tenho que pegar no arquivo.
– Está mais uma vez me incomodando com os meios, eu quero resultado! Gustavo, desconsidere tudo o que acontece porta afora e foco no que representa aqui dentro, estamos combinados!?
– Estamos sim, eu vou concluir o que me pediu hoje, mas para de ficar me mandando fazer outras coisas, pra eu focar apenas na conclusão do que me pediu primeiro.
– Não me culpe pela sua falta de habilidade em estabelecer prioridades, agora já pode sair da minha sala.
Quando saía da sala, falei meio entre dentes “filho da puta”. Acho que ele até ouviu, mas eu não sou o primeiro e nem o ultimo a xingar ele ali naquela empresa. Fiquei com muita raiva dele, mas ela passou rápido quando lembrei das nossas trepadas, enfim, fui ficando até mais tarde. Ele saiu às 20 h e ficamos apenas eu, Edgar, Suzane, e o pessoal da limpeza. Fui concluindo meu serviço, aproveitei e montei um esquema de seguros de todos os bens da empresa, com vigência, coberturas, valores de premio, e franquias e terminei tudo eram mais ou menos 22:30 h. A Suzane já tinha ido embora, eu estava na sala do Jorge colocando na mesa dele umas cópias impressas e o Edgar entra, também com alguns documentos, dentro da sala... colocou na mesa dele os documentos e, ao se virar pra ir embora:
– Tchau, já vou indo embora.
– Espera aí, Edgar, quero falar com você, o que é que aconteceu aqui hoje cedo!?
– Ele estava irritado pois chegou uma documentação de uma empresa russa que pediu uma cotação e eu respondi a cotação em inglês, ele acabou com meu dia porque eu deveria ter respondido em inglês e em russo.
– Ah! Foi só por isso então!?
– Cara, eu já sei que vocês dois têm um lance e, do meu ponto de vista, faça bom proveito. No início eu até tinha me interessado, mas o cara é um saco eu não dou conta disso não. Vai ser até mais fácil pra você, já que não tem concorrência.
– O que está querendo dizer!? Que se quisesse ele, eu provavelmente não conseguiria concorrer com você?
– É sim, mais ou menos isso, agora me desculpe, eu vou embora, porque amanhã tenho que estar aqui às 7 da manhã.
O cara virou as costas pra mim e foi embora. Eu fiquei muito puto com ele, com vontade de dar uma voadora nas costas daquele vagabundo pra ele aprender a me respeitar, mas fiquei na minha. Ainda bem que o Jorge não dava espaço pra ele. Saí do escritório, peguei o buzão e fui pra casa. Nem me lembrei do que minha mãe tinha me dito ao telefone, eu só me lembrei quando desci do ônibus na estação próxima à minha casa, nem tão próxima... eu teria que andar umas 6 quadras pra chegar e já era tarde, justamente o horário que meus ex amigos saíam das tocas. Fui andando a passos largos e atento a tudo e todos que cruzavam comigo. Duas quadras antes da minha casa, olho pra trás e vejo três caras vindo a uma esquina de diferença de mim, os três de cabeça raspada. Quando olhei, eles começaram a correr. E minha rua fica deserta à noite... eu saí correndo também, acelerado, rumo à minha casa. Liguei pra minha mãe falei pra ela destravar o portão que eu estava chegando. Acho que, pela primeira vez na minha vida, eu senti o medo que as outras pessoas sentiam quando era a gente atrás delas. Quando cheguei no quarteirão da minha casa, eles assoviaram e tinha mais dois na praça... vieram correndo pra cima de mim, me bateu um desespero... por sorte escapei de um deles que esticou o braço pra me pegar, mas o segundo me jogou uma pedra que acertou minhas costas... continuei correndo e consegui entrar em casa. Aquela mistura de adrenalina e medo me deram ânsia de vomito, eu mal conseguia parar em pé.
Entrei todo ofegante em casa... minha mãe já tinha ligado pra polícia, o que os afastou da minha casa. Fui pro meu quarto, tirei o sapato, a roupa... as minhas costas estavam minando sangue... o cara jogou muito forte a pedra... eu só me dei conta quando comecei a transpirar... o suor batia no ferimento e doía pra caralho... fui pro banheiro me lavar e tomar um banho. Minha mãe me fez um curativo... eu queria ir dormir, mas minha mãe, obviamente, merecia explicações, só que antes que eu falasse qualquer coisa ela se adiantou e falou:
– Gustavo, eu não sou boba, eu sei muito bem o que está acontecendo e não pense você que eu estou achando ruim, pelo contrario, prefiro você assim do que da forma que estava antes, você agora só me orgulha, está se esforçando pra se tornar alguém melhor porque a pessoa que você está te exige isso, mesmo que subconscientemente.
– Mãe, por favor, não me obrigue a falar disso com a senhora, eu ainda estou muito confuso não sei definir bem o que tá acontecendo.
– Eu sei muito bem o que acontece e te digo mais Gustavo, a sorte que você deu, poucos têm, só evite ficar trocando beijos na porta de casa e, se forem fazer isso, fala pra ele colocar vidros escuros no carro, porque dava pra ver tranquilamente.
Ela falou isso rindo... pra minha mãe era a coisa mais normal do mundo. Também, a quem eu queria enganar? Além de ser minha mãe, ela é psicóloga... fica difícil mentir pra ela ainda mais sobre assuntos assim. Eu não falei mais nada, ela terminou o curativo, foi saindo do quarto em direção à sala de jantar e me chamou pra comer alguma coisa senão acabaria desmaiando. Eu a chamei de volta e perguntei:
– Porque a senhora me disse que dei sorte!?
– Porque esse relógio que ele te deu, ele não daria se não visse futuro em você.
– Como a senhora sabe disso!?
– Porque eu conheço a marca e, automaticamente, imagino o preço desse presente. Dê valor nesse rapaz, meu filho, com seu pai eu me entendo, vou dando um jeito de amaciar a cabeça dele quanto a isso. Outra coisa... comprou alguma joia de R$ 3.500,00 no meu cartão hoje!?
– Comprei um relógio para o Jorge, mas nem sabia que ele me daria um também, e como a senhora sabe disso!? Conhece o pessoal da relojoaria!?
– Não, é que o banco me manda sms com minhas compras no cartão de credito, o senhor não faz nada escondido de mim, nem adianta tentar.
Agora desce e vamos comer...
Jantamos, minha mãe e eu, na cozinha mesmo. Conversamos um tempo sobre tudo, ela me perguntou sobre meu relacionamento... meu rosto queimava de vergonha a cada pergunta dela, e o modo como ela me perguntava era como se me forçasse a responder, e eu não minto pra ela, nem adiantaria muita coisa. Fui pro meu quarto uns 10 quilos mais leve... tirei um peso das minhas costas conversando com minha mãe. Peguei meu celular e tinha uma mensagem do Jorge: amanhã, às 7 da manhã no escritório... iremos a Anápolis-GO no porto seco resolver um problema. Respondi o sms com um ok e fui dormir...

Capítulo 14
Acordei às cinco e meia da manhã, tomei banho e fui no carro da minha mãe para o escritório, mesmo sem ter carteira. Eu já tinha montado o processo mas eles entram em recesso no final de ano, então demoraria um pouco para tirar minha CNH. Cheguei no escritório às 6:40, comprei o café dele e o pão de queijo recheado... fui deixar na sala dele... ele estava sentado de frente à sacada... saudei dando bom dia, ele se virou e eu entreguei o café pra ele... ele tomou, comeu apenas metade do pão de queijo e saímos, eu achei que iriamos num carro da empresa, mas ele preferiu ir no dele.
– Gustavo, você vai dirigir, eu preciso confirmar uns e-mails e fazer algumas ligações.
– Tudo bem eu poderia sim dirigir pra você mas eu ainda não tenho habilitação Jorge.
– Não se preocupe com isso não Gustavo, sua única preocupação aqui é acertar a rota no GPS... quanto ao resto, se formos parados, eu resolvo tudo.
E assim fomos para o porto seco de Anápolis, em Goiás. Trocamos palavras quinze minutos da viagem, no máximo, em uma viagem de mais de cinco horas... ele não saía do telefone, ficava lendo e-mails e suspirando fundo como se estivesse irritado com alguma coisa, mas se ele não fala o que é, eu não poderia ajudar, e nem conseguiria mas, enfim... Na entrada não fomos parados... quando descemos do carro, um rapaz já veio nos acompanhar e nos guiar até a sala de reuniões... eu entrei com ele. Sabem aquelas salas de reuniões de filmes americanos!? É a mesma coisa! Fiquei impressionado, nos sentamos... ele em uma das pontas da mesa e eu na poltrona do lado. O pessoal do porto tinha a missão de justificar os atrasos no envio de uns contêineres, que deveriam chegar pela ferrovia e levaríamos eles até Santos. Tínhamos cerca de 50 cavalos mecânicos parados no porto esperando e nada dos contêineres chegarem para o envio.
O Jorge batia na mesa, falava que nossa empresa pagava uma multa de
R$ 7.000,00 por dia de atraso e já tinha quatro dias. Foi ficando nervoso, fez umas ameaças e todos se assustaram... ele é muito autoritário quando fala, ninguém o interrompe ou questiona, e ver os velhos calados enquanto ele falava era interessante... eu fazia umas anotações enquanto gravava discretamente a reunião como forma de nos resguardar caso as promessas feitas ali não fossem cumpridas à risca.
Ficamos lá até às cinco da tarde sem comer nada e eu morto de fome, já estava quase caindo de tão mole que eu estava. Quando já tínhamos saído do porto o Jorge disse...
– No primeiro posto que você vir pela nossa frente para, por favor, que eu estou morrendo de fome.
– Pensei que não fosse falar... eu também tô morto de fome.
– Imagino mesmo, come mais que um pedreiro, nossa! Eu estava muito tenso com essa reunião, Gustavo, agora tô muito mais calmo... estávamos perdendo muito dinheiro mas, já que resolvemos, estou melhor.
Enquanto eu dirigia, ele começou a alisar minha perna e como o carro não tem câmbio, minhas pernas ficavam com fácil acesso e ele se aproveitou muito bem disso. Eu sempre imaginei uma situação daquelas mas quando era hétero, ou seja, eu imaginava com mulheres. Ele foi mexendo no meu pau e ele acabou ficando duro... ele desabotoou minha calça e eu achando que ele ia me chupar, mas ele só ficou me tocando uma punheta de leve...
– Chupa Jorge...
– Não posso, se eu te chupar aqui vou acabar mordendo, na fome que eu tô vou me confundir...
Eu comecei a rir, e como ele não tirava a mão, meu pau não baixava de jeito nenhum! Descemos no posto... eu tive um trabalho pra guardar o menino na cueca e entrar na lanchonete do posto. Ele entrou na frente e eu me ajeitando pra não ficar com a barraca muito grande. Eu entrei, ele já tava comendo uma pizza daquelas de boteco e tomando coca-cola... o pessoal do bar tava olhando pra ele, admirando, e devo admitir ele é muito belo mesmo... Entrei, pedi logo três salgados de uma vez. Quando pedi, ele chegou a engasgar quando foi começar a rir... eu comi cinco salgados, bebi duas coca-colas de 600 ml e, quando já íamos saindo, ele falou: vou aí no banheiro... até aí, tudo ok, se não fosse a cara de safado que ele fez, logico que eu fui atrás. Eu queria mesmo uma sacanagem, então fui conferir pra ver o que rolava o banheiro... era limpo, o que já me ajudava... entrei, ele tava em uma das cabines e fez sinal pra eu entrar... quando entrei, a boca dele cheirava menta e a minha, coca-cola... me beijou dentro daquele box e já foi desabotoando minha calça... antes de descer o zíper, meu pau já tava duro de novo... ele se sentou no vaso e cruzou as pernas numa posição de meditação, eu fiquei com as costas apoiadas na porta e inclinei minha cintura um pouco pra frente pra ficar na altura certa da boca dele, e aí começou mais uma sessão de sexo oral que eu tanto aprecio... eu adoro a boca daquele homem, o modo como ele segura a base do meu pau e fica me olhando enquanto mama a minha rola... fico louco só de lembrar.
Quando eu fui pra gozar, ele acelerou o oral e foi batendo uma punheta pra mim enquanto ficava com a cabeça do meu pau na boca... a sensação que tive foi de ter gozado um litro... meu corpo se contraía... eu não podia gemer alto pra não chamar atenção... tive que ter um orgasmo caladinho, na minha. Fiquei no banheiro ofegante, ele se levantou e saiu. Quando eu saí do banheiro, ele já tava no carro com uma garrafa de água mineral e me olhando com aquele sorrisinho malandro de sempre. Entrei no carro e prosseguimos nossa viagem de volta pra casa... eu, literalmente, satisfeito porque tinha recebido uma chupeta profissional. No caminho, fomos conversando amenidades, sobre a vida, a empresa, então eu toquei no assunto...
– Jorge, minha mãe já sabe sobre a gente.
– O que!? Você é louco? Porque contou pra ela, e teu pai o que ele falou!?
– Eu não contei, ela que sacou tudo e outra... viu a gente se beijando dentro do teu carro, mas fica tranquilo porque ela tá tranquila. Ela é muito cabeça, né? Meu pai ainda não sabe de nada e ela disse que vai amaciando ele antes de contar.
– Tome cuidado Gustavo, é sempre complicado quando a família descobre ainda mais sendo uma família mais conservadora como a tua... e você é filho único, então é ainda mais complicado mas já que sua mãe tá do teu lado, é melhor.
– Tem mais: uns caras correram atrás de mim na rua ontem, acho que eram meus antigos amigos, não eles, mas pessoas que eles mandaram pra me pegar.
– Meu Deus! Vocês chamaram a polícia!? Isso é engraçado, pois tem um grupo de rapazes que sempre fica em frente ao meu prédio e é sempre no horário em que eu chego, uns carecas pálidos, iguais ao que você estava aquele dia na boate.
– Nossa! Precisamos tomar uma atitude, minha mãe chamou a polícia. Eles são perigosos, Jorge, e alguns são filhos de gente poderosa no estado, então são quase que intocáveis.
– Não existe ninguém intocável quando se trata de mim, Gustavo. Eu estou tranquilo, meu carro é blindado, pneus blindados, temos que dar um jeito de proteger a você, pois quem está correndo mais risco é você!
Encerramos a conversa com ele me propondo passar um tempo na casa dele. Eu queria muito ter aceitado mas, isso significaria me assumir, então eu desconversei, não consegui responder. Ele, por ser mais maduro que eu, não ficou sentido ou apelou, me disse apenas que era uma ideia, que era pra eu pensar... e assim fomos para Uberlândia...

Capítulo 15
Parei o carro na porta da minha casa e nem teria como nos beijarmos pois a caminhonete do meu pai estava na porta de casa... então, sem nenhum beijo ou carícia... apenas nos despedimos com um tchau. Como chegamos às 20:30 h, não tinha ninguém estranho na praça, apenas algumas famílias se divertindo. Confesso que entrei em casa totalmente frustrado por não ter conseguido dizer sim, eu aceito morar com você, afinal nos conhecemos há apenas dois meses, mas é como minha mãe disse: se ele me deu um relógio daquele preço é porque via futuro na gente como casal, e eu estava estragando tudo, mas eu precisava de um tempo pra amadurecer.
Acordei na sexta-feira às 6 da manhã pois queria conversar com minha mãe a respeito de tudo, e como ela saía muito cedo, eu precisava acordar um pouco antes que o normal para conseguirmos ter um papo...
– Mãe, podemos conversar?
– Claro, o que é que você quer falar!?
– Ontem eu conversei com o Jorge e ele me propôs passar um tempo na casa dele, para que tudo se acalme em relação às pessoas que me perseguiram na rua e picharam nossa casa.
– Ele propôs ou você insinuou isso para que ele chegasse à conclusão de que deveria morar com ele?!
– Foi ele quem propôs mãe, tanto é que eu não consegui aceitar, eu travei mãe, vou acabar perdendo ele por esse medo, mas se eu for morar com ele vou me assumir, e nem sei se é isso que eu sou.
– Por favor, Gustavo, hipocrisia comigo não, é isso que você é, e essa sua preocupação com a opinião dos outros é ridícula. Quando você era um imbecil preconceituoso aí sim você deveria ter se preocupado, mas está com receio agora que é alguém melhor, que estuda, trabalha e ama outra pessoa? Que inversão de valores é essa!?
Eu comecei a chorar, nem sabia o que dizer pra ela... ela ficou parada, me olhando, como que esperando uma resposta minha, uma ação da minha parte... eu não conseguia dizer nada, não sei bem se é uma timidez ou pura estupidez mesmo, a verdade é que eu travo.
– Eu preciso de ajuda mãe, é muita coisa pra eu encarar sozinho.
– Não é muita coisa não, Gustavo, me faça um favor, vá trabalhar e, por favor, passe a ser mais racional quanto às coisas que fala e que quer falar.
Eu fui para o trabalho ainda mais derrotado do que eu tinha chegado no dia anterior. Minha mãe tinha razão em tudo o que ela tinha me falado. Na ida, desci do busão 4 quadras antes, comprei o café do Jorge e levei. Entrei na empresa, o pau no cu do Edgar me olhando com aquela cara de bosta dele... passei como se não o visse, falei com a Suzane e com a Valentina na área de descanso, tomei meu café da manhã e fui pra minha sala... deixei o café do Jorge na sala dele e, quando voltei, o pessoal do Recursos Humanos me chamou... eles me pediram para separar uns holerites e recolher as assinaturas do pessoal do escritório, mais ou menos 100 pessoas. Era a Suzane que fazia isso e o Jorge pediu para me passarem o trabalho. O que eu descobri com isso é que meu salário era o mais baixo da empresa... até as meninas da limpeza ganhavam mais que eu, o estagiário do Almoxarifado ganhava mais que eu, enfim, fiquei puto mas não falei nada porque quando voltei, as meninas do RH pediram meus documentos pois iriam me efetivar e assinar minha carteira, como Assistente Pessoal Sênior e eu ganharia o mesmo salario da categoria, o que, na época, era R$ 2.600,00. Então, fiquei na minha, já daria pra quitar o Cartão da minha mãe mais rápido do que eu tinha previsto! Fiquei envolvido nisso a minha manhã toda e o Jorge ainda não tinha chegado.
Não o vi nesse dia, mais tinha recebido uns e-mails dele de trabalho. À noite, conversamos. Ele tinha pego uma intoxicação alimentar por conta dos salgados mas já estava bem melhor. Chamei ele de fresco no telefone e ficamos conversando como todo casal, aquela melação típica de namoro. Contei pra ele da conversa que tinha tido com minha mãe na parte da manhã e disse que se eles continuassem na porta da nossa casa eu iria aceitar a proposta de passar um tempo com ele. Quando eu disse isso, ele pareceu realmente muito contente ao telefone, a expressão da voz dele mudou, o que me deixou muito feliz. Passamos a semana dessa forma, nos vendo pouco, conversando a nível profissional no escritório, e todo melosos no telefone. Já estávamos há uma semana sem sexo, pois no sábado e domingo, posteriores à intoxicação alimentar dele, nós não nos vimos. Eu já estava louco pra meter, desculpe a expressão, mas era isso mesmo que eu queria, meter, e não fazer amor.
Uma coisa que me surpreendeu, foi que, numa quinta-feira, após a intoxicação dele, ele ligou no meu ramal e falou...
– Você vai me ver saindo da minha sala agora, assim que eu sair, espere eu cruzar a Recepção sentido aos elevadores e venha atrás de mim.
– Tudo bem, preciso levar algum documento ou bloco de anotação?
– A única coisa que preciso é você, e de preferencia de pau duro, fora isso, mais nada.
Eu já fiquei de pau duro na hora! Ele saiu, esperei um pouco, e fui atrás. Coloquei um Halls na boca pra ficar com o hálito cheirosinho e fui ver o que iria rolar com meu patrãozinho. Fomos ao sexto andar, que também é da nossa empresa... ele me levou a uma sala de reuniões que eu não sabia que tinha... só ele tinha a chave... Por incrível que pareça, ninguém nos viu entrar na sala pois fica antes da entrada da Recepção, porém o que eu mais gostei foi o que ele me disse...
– Gustavo eu sei que tenho estado em falta com você, e como você gosta muito de sexo, já deve estar subindo pelas paredes né? Então, estou aqui pra te satisfazer baby... já deu uma “rapidinha”?
– Não.
Como eu já estava a ponto de bala, ele baixou minha calça e já foi me chupando... ele segura a base do meu pau colocando pressão e isso me deixa doido... e o fato de estar me olhando com aquele sorrisinho no rosto... O cara sabe que manda muito bem... eu fico louco com isso! Ele tava me chupando e eu dei uns tapinhas no rosto dele... ele me chupou menos de cinco minutos e já me colocou uma camisinha que tinha no bolso... me deu um beijo e abaixou a calça virando de costas e se curvando sobre a mesa e me deixando frente à frente com aquele bundão gostoso que eu gosto tanto... Como não podíamos ficar muito tempo fora do escritório, nem deu tempo de dar uma lambida na bunda dele, nem umas mordidinhas, tive que meter, o que foi ótimo... não sei o que ele fazia, mas a bunda dele estava sempre apertadinha e eu adoro isso... por mais que eu tentasse arrombar ele, eu não conseguia e, como já disse, tenho uma rola de responsa... mas, enfim, comecei a bombar... ele curvou as costas quase ficando em pé... eu dei um beijo na boca dele e intensifiquei as estocadas e gozei dentro da camisinha mesmo... não poderia gozar no rosto dele, nem em outro lugar. Pode parecer mentira, mas minha gozada tinha ficado mais forte, então, eu não sabia bem onde iria bater, preferi gozar na camisinha. Nos vestimos rapidão, eu enrolei a camisinha em uns papéis, joguei fora, fui ao lavabo e limpei o menino do restinho de porra... eu queria que ele chupasse pra tirar mas era uma rapidinha, né? Não poderia fazer isso. Voltamos pro nosso escritório e, quando chegamos às nossas respectivas salas, a minha mãe e a mãe dele, que eu mal me lembrava do rosto, estavam sentadas nos esperando...

Capítulo 16
Eu acho que o susto foi o mesmo para os dois. No entanto, o controle emocional dele é maior que o meu e ele se limitou apenas a respirar fundo. Já eu, arregalei meus olhos, senti aquela palpitação louca no meu peito. Fomos nos aproximando, ele cumprimentou minha mãe com um aperto de mãos e um abraço e fez o mesmo com a mãe dele e, em seguida, entrou para a sala. Eu cumprimentei a mãe dele, e perguntei à minha mãe:
– Ô mãe, tá fazendo o que aqui!?
– Eu vim pra conversar com o Jorge, temos algumas coisas para resolver.
– Não é sobre aquilo não, né!?
– Não, por enquanto pode ficar tranquilo, mas em breve irei conversar com ele sobre o relacionamento de vocês também mas, por enquanto, é sobre o trabalho beneficente que ele faz com a ala de fisioterapia pós-traumática do Hospital Geral.
– Eu não sabia que a empresa fazia esse tipo de trabalho.
– Não é a empresa, é ele quem faz esse tipo de trabalho... ele faz doações mensais ao hospital e algumas visitas para as crianças. Eu vim aqui para trazer uma documentação para ele, referente a descontos no imposto de renda.
– Tudo bem, só aguarda a mãe dele sair do escritório que eu irei anunciar a senhora.
Assim que a mãe dele saiu, eu anunciei minha mãe e fiquei na minha mesa fazendo o meu trabalho. Fiquei com aquele receio de ela falar alguma coisa, mas o que eu poderia fazer? Não tinha nada ao meu alcance... fiquei quieto, na minha, trabalhando. Demorou mais de meia hora com os dois dentro do escritório, minha mãe saiu, ele veio acompanhando-a até a porta, se despediram e ela saiu. Quando ela se foi, ele me deu uma olhada com um sorrisinho no rosto e entrou novamente. Em seguida, a Valentina veio e entrou na sala dele. Acho que desde o dia em que ela entrou no escritório, eu não a vi repetir roupa... passou toda cheirosa. Quando ela saiu da sala, ele veio junto, me pediu pra pegar a maleta dele junto com alguns documentos que a Valentina tinha deixado e encontrá-lo na Recepção do prédio, e assim eu fiz, organizei a documentação, peguei a maleta dele e fui... Disse a Valentina que sairíamos para uma reunião e, provavelmente, não voltaríamos antes do almoço. Dei aquela olhada pro Edgar, pra ele entender que eu era o cara e não ele como ele gostava de evidenciar, e saí. Entrei no carro, ele já estava com o mesmo funcionando e fomos a um escritório de advogados para organizarmos umas audiências e umas notificações para uma montadora de equipamentos. Enfim, ficamos até meio dia e meia nesse escritório e depois fomos almoçar no shopping. Estávamos entrando no shopping e encontramos com meus antigos amigos, ou melhor, demos de frente com eles, que estavam sentados na entrada do shopping. Ao invés de se intimidar, o Jorge passou pelos caras e jogou um beijo, dando uma risada, porque sabia que ali não aconteceria nada com ele. Os caras ficaram putos, eu passei de cabeça baixa, mas o Jorge não, ele passou debochando.
Enquanto comia, ele comentava da cara de ódio que os caras ficaram dele. Eu, tenso como sempre, mas ele na maior tranquilidade do mundo. Almoçamos, conversamos sobre a faculdade, ele me deu umas dicas. Meu inglês tava indo bem mas, mesmo assim, eu tinha que melhorar muito pra acompanhar o crescimento da empresa e atender à altura as expectativas dele comigo. Do modo como conversávamos, quem olhasse provavelmente veria que éramos um casal e não apenas dois colegas de trabalho conversando. Eu já não estava tão preocupado, pelo contrario, minha mãe tinha me tranquilizado.
O negocio entre a gente estava indo muito bem. Almoçávamos juntos, conversávamos horas durante a noite, eu apaixonado por ele mas, enfim, meu pau duro direto e ele me bolinando... que ativo não iria querer isso? Naquela mesma semana, no domingo, eu fui com ele no shopping no domingo à tarde pra tomar um chopp e relaxarmos. No estacionamento, ele, que estava dirigindo, parou o carro ainda funcionando e veio pra cima de mim no banco do passageiro, sentando exatamente em cima da minha rola. Eu tava de bermuda de alfaiataria e camiseta, e ele também de bermuda. Sentou no meu colo e foi mordendo meu pescoço, beijando minha boca...
– Que é isso Jorge? Vai amarrotar toda nossa roupa, e alguém pode chegar aqui.
– Ninguém vai chegar aqui e, em relação a roupa, tira ela, que não irá amarrotar. Eu quero fazer sexo dentro do carro e tem que ser com você, já que é meu parceiro.
E assim foi. Ele colocou uma musica ambiente no carro e veio pra cima. O cara é uma puta e eu adoro isso! Ele foi pro banco de trás, sentou e me mandou ir. Eu sou desengonçado mas, mesmo no custo, consegui ir para o banco de trás do carro... ele passando a mão na minha rola, me beijando... na hora que fomos organizar pra ele me chupar, muita gente que faz ioga não conseguiria fazer... ele tinha chupado uma bala e aquilo deixava o boquete ainda mais gostoso. Foi um sexo interessante, de todas as formas que eu tentava pra meter me dava câimbra no corpo porque sou muito grande e olha que o carro é espaçoso... eu queria ter metido sem camisinha... eu tinha esse fetiche com ele, essa vontade, mas, enfim, usei preservativo mesmo porque ele não deixou eu fazer sem preservativo com ele.
Depois de muito custo, o sexo foi gostoso, como em toda vez. Fomos ao nosso chopp, ficamos no shopping, chegaram alguns amigos dele e se sentaram conosco... um pessoal bem simpático até... com chopp não dá pra ficar bêbado muito rápido. Estava sentado do lado dele e, vez ou outra, ele dava uma alisada na minha perna e deixava a mão encostar no meu pau, que mesmo já tendo dado uma há pouco tempo, ficava de pé... era tudo muito discreto ninguém notava... eu curto essas coisas mais safadas! Chegou o pessoal de uma revista lá pra tirar uma foto do grupo, para aquelas revista de circulação regional, tirei mesmo porque essa revista seria entregue no escritório e eu queria mais é que o Edgar visse que nós estávamos juntos e ficasse se roendo de inveja. Quando fomos embora, ele me levou pra casa, chegamos na frente da minha casa os tais caras que correram atrás de mim estavam sentados na praça, não em frente à minha casa, dessa vez um pouco mais longe mas, mesmo assim, o Jorge viu.
– Se você queria um sinal pra pegar as tuas coisas e vir morar comigo, a hora é essa, pois se você continuar esperando muito, eu vou acabar te perdendo pra uma cova no cemitério municipal.
– É, eu sei, vamos fazer o seguinte, entra comigo aqui em casa, só estão minha mãe e a empregada, eu organizo algumas roupas e vou pra tua casa, mas é temporário eu não quero ficar lá direto, poderia parecer aproveitador.
– Nunca pensei que você fosse aproveitador, Gustavo, mas, tudo bem, vou entrar, converso com tua mãe sobre tua segurança e vamos para minha casa, acho que será realmente o melhor a se fazer.
Abri o portão da minha casa pelo controle e entramos com o carro dele na garagem. A minha mãe foi a primeira a nos recepcionar... por sorte, tenho uma mãe muito cabeça, fui pro meu quarto, antes mesmo que ela falasse comigo e deixei o Jorge sozinho com minha coroa. Queria ouvir o assunto mas, só depois...

Capítulo 17
Organizei minhas roupas com cuidado na mala, queria que amarrotassem o mínimo possível... peguei mais peças de trabalho mesmo, meu notebook, os livros que eu havia comprado pra estudar, algumas coisas pessoais e voltei pra sala de estar onde minha mãe conversava com o Jorge, ambos rindo... parecia uma conversa bem descontraída. Quando cheguei mais perto, minha mãe tava contando pra ele umas histórias minhas, de quando era criança. Minha vontade era de enfiar a cabeça dentro de um buraco e não sair nunca mais, eu cheguei justamente quando ela contava que eu usei mamadeira até os 7 anos de idade, e desconfio eu que essa nem fosse a parte mais constrangedora, mas, enfim... Meu pai eu não veria mesmo, pois ele passa a semana na fazenda e fica só os finais de semana em casa, é raro encontrar com ele em casa durante a semana, acontece, mas é bem raro.
– Mãe, não fica me queimando com o Jorge não, o que é que ele vai pensar de mim, se a senhora ficar falando essas coisas pra ele?
– Imagina, Gustavo, conversamos sobre uma serie de coisas, você chegou eu tinha acabado de contar como você era lindo quando criança e quanto me deu trabalho, fazendo suas bagunças mas, tudo bem, por falar nisso, depois teremos uma conversa, mas hoje não, porque vocês têm que ir descansar, mas depois conversaremos.
– Está bem mãe, e quanto ao meu pai, o que irá falar pra ele!?
– Com teu pai eu me entendo, agora podem ir, depois nos falamos.
Nos despedimos da minha mãe e fomos pra casa do Jorge, ou melhor, pro apartamento dele. Eu comecei a ficar com vergonha de novo, é um sentimento que vai e volta em mim, eu sou tímido e tenho que trabalhar isso, até hoje sou meio tímido, então.... Entrei na casa dele e perguntei onde eu ficaria e colocaria minhas coisas. Ele, em resposta me disse:
– No meu quarto ué! Onde mais poderia ser!?
Fiquei feliz. Todo homem, sem nenhuma exceção, se imagina casado, dormindo com alguém todos os dias, tendo sua própria família, e isso tava começando a acontecer pra mim, só que com uma única diferença, minha mulher era um homem. Fui ao banheiro dele, quase do tamanho do meu quarto, sem exagero. Tomei uma ducha, me sequei... quando voltei pro quarto, ele tava pelado, olhando o celular, encostado próximo à janela. Eu já tirei minha cueca e fiquei atrás dele, encochando ele e lambendo sua orelha.
Comecei o movimento de forma tímida mas, quando ele tombou a cabeça de lado e deu aquela curvadinha no corpo pra trás, foi meu sinal verde. Eu não tinha ficado satisfeito com o sexo que tínhamos feito dentro do carro, eu até tô curtindo uma rapidinha mas uma demorada bem feita é bom demais! Pois bem, abracei ele por trás, esfregando meu pau na bunda dele, rapidinho já fiquei pronto pra guerra. Com ele em pé mesmo, eu já me abaixei e meti a língua naquela bundona gostosa dele... mordia, lambia, dava uns tapas... ele ainda não tinha se recuperado da nossa ultima trepada antes da do carro, tinha marca dos meus dentes na bunda dele... eu gosto disso, tô marcando meu território, minha propriedade... ele se curvou, apoiado na parede, me deixando livre pra brincar com o corpo dele, depois de muito morder aquela bunda, fomos pra cama. Ele já deitou de bruços, eu encapei o “júnior”, melei ele e fui pra cima... como eu queria comer ele no pelo! Mas, como ele já tinha dito não uma vez, eu não iria insistir... quando ele achasse ser a hora certa faríamos, mas que eu morria de vontade, isso é uma verdade! Forcei um pouco a entrada e nem deixei o corpo dele se acostumar... já comecei a bombar... ele gemia porque doía, afinal não tinha dado aquele tempo de adaptação que eu sempre dou... eu comecei a bombar com força, empurrando meu peso sobre o corpo dele, fazendo a cama dar uma balançada... ele apenas apertava o lençol e trincava os dentes, de olhos fechados... quando eu sentia que ia gozar, dava uma desacelerada e deitava por cima dele, descansando o meu corpo, esperava um tempinho e voltava a foder, literalmente... ele começou a empinar a bunda pra trás... depois de um tempo mudamos de posição... eu me deitei na cama e ele sentou na minha rola... foi a primeira vez que fizemos essa e eu fiquei louco! Eu tinha visão total do rosto e do corpo dele, o quarto, mesmo que à meia luz, não me atrapalhava de ver o olhar dele e sua linguagem corporal. Ele deu aquela arqueada no corpo se deitando por cima de mim, me passando a bola, então segurei ele pela cintura e comecei a bombar de novo, enterrava tudo e tirava... a cada metida funda que eu dava, ele soltava um gemido abafado, entredentes... não foram cinco minutos assim e senti o meu pau apertado dentro dele... ele tava gozando... melou minha barriga todinha... quase ao mesmo tempo, sentindo meu pau sendo pressionado, eu gozei dentro dele... uma hora ou outra acabo estourando uma camisinha, porque tem saído com pressão. Ele se levantou, foi ao banheiro tomar banho... eu olhei pra ele... quando chegou à porta, ele fez sinal pra eu entrar na ducha com ele, levantei no pulo e corri pro banheiro. Tomamos banho trocando alguns beijos e só então notei que ele tem uma televisão no banheiro porque ele a ligou pra ouvir o noticiário. Ficamos quase uma hora no banho... beijar ele é muito bom! Quando transamos no quarto eu não tinha deixado ele me chupar, disse pra ele que estava de castigo então, no banho, eu não resisti ao castigo que impus e deixei-o dar uma mamadinha... eu queria que ele fizesse isso por mim, na verdade... dei mais uma gozada só que dessa vez no rosto dele... fiquei morto!
Queria muito comer mas não ia pedir nada, afinal era uma visita. Me vesti colocando uma bermuda e chinelo, ele colocou apenas uma cueca...
– Gustavo eu sei que está com fome, quer comer o que!?
– Qualquer coisa que tiver aí eu como, meu prato principal eu já comi aqui no quarto mesmo.
– Como você é cordial e cavalheiro, às vezes me assusta. Eu sei cozinhar sim, vamos na cozinha que eu vou preparar algo pra comermos.
Fomos à cozinha, ele fez uma batida de vodca com mamão papaia pra tomarmos... estava muito gostosa... é aquele tipo de bebida que você bebe e não vê que vai ficando bêbado... quando se dá conta, já tá caindo no chão! Fez também um prato lá que eu não sei o que é, sei que tinha arroz e carne branca, acho que frango... ele montou o prato em duas panelinhas de barro, panelas de porção única, uma graça as panelas, e fomos então comer. Eu pensei que íamos comer na sala de jantar e talz, como manda o figurino, mas não, ele pegou duas colheres, fez outra batida e fomos comer na sala de TV assistindo The Simpsons, como pessoas normais. Foi ótimo ele fazer isso, tirou um pouco da pressão dos meus ombros, o cara manja mesmo de cozinha... acho que engordei quase 15 quilos com ele, ainda bem que eu era muito magro pra minha altura. Depois de comer ficamos mais meia hora vendo TV e fomos pro quarto dormir, mas antes ele me disse que poderia ficar à vontade, me sentir em casa. Eu concordava mas, na minha cabeça, sabia que isso aconteceria apenas com o tempo. Como eu tinha bebido, me deitei e não foram cinco minutos para eu dormir e ele ficou vendo TV no quarto...
No outro dia, acordei às 6:30 h com o despertador. Eu jurava que era sábado mas ainda era sexta-feira. Olhei do meu lado e ele não estava, mas como a luz do banheiro estava acesa, ele estava tomando banho para irmos trabalhar... eu dei aquela espreguiçada na cama e decidi levantar, afinal tinha que trabalhar o dia todo...

Capítulo 18
Entrei pro banho enquanto ele se arrumava para o trabalho. Quando eu saí do banho, ele não mais tava no quarto, mas deduzi que ainda não tinha saído pra empresa. Me arrumei e fui à cozinha de onde vinha um cheiro muito agradável... tínhamos panquecas recheadas com catupiri, milho, presunto e mussarela no café da manha. Me sentei ao lado dele, pensei que ele tinha feito tudo que estava ali na mesa mas, enquanto comíamos, entrou uma mulher e ele me apresentou ela, me disse que se chamava Antônia, que era a ajudante dele... Na verdade ele disse exatamente assim:
– Gustavo, essa é a Antônia, trabalha comigo já há muito tempo. Na verdade, é ela que cuida de mim desde criança e, quando decidi morar sozinho, ela me acompanhou. Pode amar ela porque é ela que me mantém vivo. E, Antônia, esse é o Gustavo.
– Oi Gustavo, já ouvi muito sobre você aqui nessa casa só faltava conhecê-lo pessoalmente... e você é alto mesmo,
Fiquei queimando de vergonha, mas a cumprimentei, conversamos um pouco. Assim como minha mãe, ela me contou uns podres do Jorge de quando ele era criança... coisas como colocar fogo na cama para apagar usando o caminhão de bombeiro de brinquedo, entrar dentro da geladeira e comer uma caixa de uva e por aí vai... foi interessante ver a forma como ele trata a ajudante dele, é uma coisa maternal mesmo, como eu falo com a minha mãe. Ele a respeita muito, a ponto dela brigar com ele às vezes e ele abaixar a cabeça e fazer ou concordar com o que ela diz, e com os conselhos que ela dá a ele.
Fomos juntos no carro para o escritório. Eu perguntei se ele queria entrar primeiro e eu dar um tempo no térreo e entrar depois. Ele me disse que não, que ninguém ali dentro tinha o direito de questionar nada e que não devíamos satisfações a ninguém. Eu concordei, mas admito que minha vontade de ficar ali fora e entrar de forma separada era muito grande, porque o pessoal já desconfiava da gente... isso afirmaria que éramos um casal, mas, que fosse o que Deus quisesse... Entramos, ele foi direto pra sala dele e eu fui falar com a Suzane porque estava muito confuso com tudo e precisava de um suporte moral. Antes que eu chegasse nela, ela já veio falar comigo...
– Como assim morando juntos!?
– Você já sabe!?
– Logico, eu sou amiga do Jorge, mas me explica como isso aconteceu agora, porque eu sempre saio em tua defesa aqui na sala de descanso afirmando que é hétero e, de repente, vocês moram juntos?! Assim eu não consigo...
– Eu estava sendo ameaçado por umas pessoas aí, pessoas que eram amigas minhas e não gostam de gays e, como eu tenho sido um de mão cheia ultimamente, e escapei por pouco de uma agressão, minha mãe e o Jorge acharam melhor eu ficar na casa dele, mas é só por um tempo.
– Acho que não hein!? Tô com a impressão que ele te prendeu, você nunca mais sai daquela casa, meu querido, e cuida direitinho do Jorge, senão eu mesma vou dar um trocado pra esses teus amigos te pegarem de porrada...
Demos umas risadas e ficamos conversando... ela me disse que eu parecia menos hétero desde o dia em que eu entrei no escritório, estava mais acessível e menos rígido quando ando, atendo o telefone e me comunico. Fiquei meio puto com ela falar isso, mas como ela é um doce de pessoa, não falei nada. Eu não acho que tenha mudado, ainda me acho macho da mesma forma, ou até mesmo mais que antes mas, enfim... Quando fui pra minha mesa, o Jorge já gritava dentro da sala dele. Olhei no PABX e estava ligado o ramal dele... era por telefone e pelo tom da conversava era com o pessoal de Santa Catarina. Chamou a atenção de todos... depois de meia hora, quando notei que havia desligado o telefone, eu fui à área de convivência e busquei uma água com açúcar pra ele... voltei com a água com açúcar e uma água com gás... entrei na sala e ele tremia... deixei a água com gás na mesa e dei a outra a ele. Fiquei realmente muito preocupado pois o modo como ele estava parecia que iria ter um ataque cardíaco... ele bebeu a água com açúcar, desapertou a gravata, seus olhos estavam vermelhos, ele se recostou na cadeira e me mandou fechar a porta enquanto respirava ofegante, voltei e ele foi me contar o que realmente tinha acontecido...
– Gustavo, teremos que ir a Santa Catarina amanhã. Tive a confirmação agora que minha irmã e o pessoal da filial de lá desviou mais de
1 milhão de reais do caixa da empresa. Isso porque foi feita uma análise superficial do que tinha acontecido... o profissional que ligou aqui pedindo os impostos de renda é um dos meus que estão infiltrados lá, foi uma falha minha não ter lido o e-mail, me desculpa.
– Não se desculpe, eu imagino o que você deve estar sentindo nesse momento mas, pensa bem no que irá fazer. Eu vou com você pra lá pra não te deixar sozinho no meio dos leões mas, por favor, não chora, vamos resolver isso.
– Não é por ter que ir que eu estou chorando, é porque terei que ficar dois meses por lá, no mínimo, vou ter que demitir quase toda a equipe e não tenho quem colocar no lugar, e vou poupar minha irmã da cadeia, mas irei evitar que ela tenha acesso aos bens da família desde quando eu tomei a presidência até hoje.
– Dois meses!? Mas e a minha habilitação e o vestibular? Você quer que eu tranque o processo pra ir com você!?
– Não, quero que fique aqui. Vou deixar você e a Suzane aqui no meu lugar... preciso de pessoas de confiança. Vou levar as meninas do Jurídico, a psicóloga e a gerente de RH... por hora é o que preciso. Continue com os processos de CNH e a faculdade, vou te deixar com meu carro pra você vir pro trabalho.
Por mais que ele deixasse a mim e a Suzane no lugar dele, poderíamos resolver apenas coisas menores, porque ele tinha conhecimento do processo todo. Então, para não errarmos, era melhor deixar pra ele, e eu era um novato ainda, não sabia muito, apenas o que eu via e ouvia nas reuniões que eu tinha participado. Ficar dois meses sem ele seria o fim do mundo, mas ele continuar a amargar prejuízos, ainda mais sendo eles tão expressivos, também era inaceitável, meu peito doeu ao vê-lo chorar, eu não gostei nenhum pouco. Trocamos uns beijos na sala dele e ele foi para casa arrumar as malas enquanto eu comprava as passagens dele e do pessoal. O voo que eu consegui era às 15 h, nem daria tempo para uma trepadinha antes dele ir embora!
Ele voltou de casa, se reuniu com o pessoal, a reunião durou mais de uma hora, eu não participei mas, quando saíram, alguns riam, outros choravam, os que riam eram os solteiros, as que choravam eram as mães de família, mas era um mal necessário. A empresa perdia muito dinheiro por conta das fraudes da irmã dele e não era a primeira vez que ela fazia isso com a empresa da família. Eu nem a tinha conhecido muito bem, apenas quando éramos crianças, mas já tinha uma certa raiva dela, não a curtia mesmo... Resumo, eu não mais vi o Jorge antes de ele ir viajar. Eles foram em carros da empresa para o Aeroporto e a chave do carro dele ficou na minha mesa. A confiança que ele tinha em mim... era muito bom, pois confiou sua casa e seu carro à minha responsabilidade... mas, ficar dois meses sem ele, só na punheta, ia ser barra...

Capítulo 19
Devo admitir que o tempo que ele ficou afastado da empresa foi o tempo que eu mais aprendi pois me delegaram mais funções e mais responsabilidades e, como todo profissional que entra no mercado, eu queria mostrar serviço, queria ser útil, sair da sombra dele e mostrar meu potencial profissional. Meu relacionamento com o Edgar tinha melhorado. Ele já não mais me irritava, mesmo me provocando às vezes... eu tinha simplesmente relevado a presença dele e fazia o máximo possível pra não me irritar. O Jorge e eu conversávamos quase todos os dias pelo telefone e ele sempre parecia cansado ao telefone... me disse que tinha mandado 60% da empresa embora e que os custos estavam muito altos.
Meu relacionamento com a Suzane também estava muito bom. Ela é uma profissional sem comparação e, em termos de administração, não deixa a desejar para o Jorge... é até melhor porque é calma e concentrada. Nos dois meses que o Jorge ficou fora eu fiz a prova teórica da CNH, já tinha passado, e estava fazendo as aulas... meu curso de inglês ia bem e eu fazia cursinho pré-vestibular à noite para dar uma ajudada com física, química, biologia, que eu tinha me esquecido de tudo, mesmo tendo acabado de sair do ensino médio... é uma vergonha, eu sei. Eu, um cara que andava de busão porque o pai não alisava, estava desfilando de Porsche Cayenne pelas ruas de Uberlândia... nada mais lindo que isso, qualquer um fica lindo no carro é fato e, pra completar, andava só de vidro aberto e som alto, coisa de moleque mesmo...
Eu tinha que tomar cuidado pra não estragar tudo. No curso pré-vestibular eu evitava conversar muito ou interagir muito pra não fazer amizades. Por mais que eu soubesse que não trairia o Jorge, eu não queria nem pensar... pra mim já era traição e ele estava sendo muito bom pra mim, jamais eu poderia magoá-lo. Faltava pouco pra ele chegar, mais ou menos quinze dias... estava eu numa sexta-feira em casa, ou melhor na casa dele, estava estudando na sala de jantar e a campainha toca... Eu atendo e é a mãe do Jorge... eu quase caí duro no chão: medo, susto, vergonha... ela entra com a maior naturalidade do mundo dentro da casa, quase me atropelando...ainda bem que eu estava de roupa..
– Olá Gustavo, como estão as coisas aqui sem o Jorge!?
– Tudo ótimo D. Soraya e a senhora como tem passado!?
– Ótima! E me chame apenas de Soraya... Você sabia que sua mãe é minha analista há mais de dez anos, né, Gustavo?
– Sei sim.
– Pois é, ela me contou tudo o que tá acontecendo e devo dizer que fiquei realmente preocupada. Você correu bastante risco indo pra tua casa de ônibus... fez bem em vir morar aqui com o Jorge... ele precisa mesmo de companhia, é muito sozinho.
Ela foi falando e meu coração acelerando... pensei que fosse ter um derrame na frente da mãe do Jorge. Ela é muito chic, chega a ser intimidadora, assim como o filho dela... ele realmente a tinha puxado nesse aspecto e também na beleza, se bem que no rosto dela tinha algumas plásticas... certeza... já no corpo, eu tinha minhas duvidas, apesar de ela ser bem magra e bonita...
– É verdade, por isso eu vim morar aqui por um tempo. O Jorge foi muito generoso em me deixar viver aqui com ele até tudo se acalmar.
– Não pense você que eu não sei o que acontece entre vocês dois... eu tenho meus informantes naquela empresa e, apesar de não ser uma certeza, agora estou confirmando. Tudo que eu te peço é que ajude o Jorge... ele precisa de uma companhia que agregue, que o tire desse stress que ele vive, só te peço isso e mais nada...
– Pode deixar comigo senhora, eu vivo pra isso ultimamente, alguém mais esta sabendo disso?!
– O pai dele, e ele disse que vai te matar, está te julgando um aproveitador, mas se tranquilize, o Jorge não fala com o pai. Como você deve saber, quando tivemos problemas na empresa o pai do Jorge ficou do lado da minha filha, talvez por ter rabo preso, e eu saí em defesa do Jorge e de tudo o que construímos.
– Entendo e concordo com o que disse, mas o pai dele querer me matar me preocupa um pouco...
– Imagina! O pai dele apenas ladra, não morde... por isso nos separamos (falou ela, rindo descontroladamente).
Bastou isso para eu começar a fazer graça e conquistar minha sogra. Ela é bem parecida com minha mãe e não sei o que minha mãe disse mas ela preparou bem o terreno, pois a mãe do Jorge era o amor em pessoa comigo, atenciosa, fez um jantar pra gente abriu um vinho, foi um momento muito divertido, menos quando ela começou a me perguntar como era, como funcionava... eu fiquei morrendo de vergonha e desconversei. Nem poderia contar essas coisas, ela é a mãe do cara. Já pensou se conto tudo em detalhes? Acho que ela desmaia... enfim, durante nossa conversa ela me contou como era o namoro do Jorge com o americano, o tal Smith. Ela disse que o cara é muito rico, porém é bem agressivo, e que desconfiava que ele agredia o Jorge às vezes, apesar de não ter marcas evidentes de agressão. Não me preocupei muito, imagina se ela visse a marca dos meus dentes, então, na bunda do filho dela.
Ela me disse que o Jorge sofre de arritmia cardíaca... eu não sabia disso, ele nunca tinha comentado, por isso que, às vezes, quando ele se estressa, ele precisa se sentar e tomar um ar. Fiquei preocupado, afinal, lá em Floripa, era só estresse na cabeça dele, o problema era bem grande. A mãe dele me disse que por ela poderiam prender a filha dela, porque roubar a própria família é inaceitável pra ela, mas o Jorge seria incapaz de fazer isso, por prezar demais a constituição familiar, o que é muito belo da parte dele. Me despedi da mãe dele, que foi embora bêbada, depois de secar uma garrafa de vinho quase que sozinha... ele puxou a mãe na bebida também, eram muito parecidos, tomara que quando ele envelhecer fique gostoso daquela forma...
A semana passou e finalmente chegou o dia de buscá-lo no aeroporto. Toda a equipe veio na semana anterior e ele ficou mais uma semana para colocar tudo em ordem, e tinha se programado para ir de dois em dois meses e ficar uma semana por lá... tinha que acompanhar de perto, porque ele nunca ia lá, e olhem no que deu! Quando o vi no aeroporto, me deu pena do Jorge, estava uns 10 kg mais magro, com olheiras e visivelmente cansado. Da sala de desembarque até o saguão ele veio arrastando ele e as malas... queria entrar para ajudá-lo mas a segurança não deixa. Quando ele veio até mim, eu o abracei... ele estava frágil e falou meio sussurrado no meu ouvido:
– Por favor Gustavo, me leva pra casa.
Levei-o até o carro e depois voltei pra pegar as 7 malas dele. Eu preferi nem dizer nada pra respeitar o momento dele. Fomos pra casa... ele já chegou tirando a roupa e indo pro banho. Quando ficou nu, o bundão que eu amo tinha quase sumido, estava menor e menos vivido... quando ele entrou no banho me falou:
– Liga no Restaurante do Olivier e peça comida pra mim, estou morto de fome.
– Tem comida aqui, tua mãe que fez, ela veio jantar comigo hoje e me dar algumas intimações para cuidar bem de você.
– Que bom que ela veio, não precisa pedir comida então.
Ele quase não falou comigo, apenas se banhou, comeu e deitou na cama... me pediu uma massagem nas costas, e disse que não ligasse qualquer despertador, o que nem era preciso porque no outro dia era sábado dia de acordar tarde, enfim, fiz a massagem, e constatava cada vez mais que ele estava muito magro, o estresse, o cansaço, toda a situação definharam meu querido Jorge... ele estava destruído... tudo que eu queria é que ele descansasse e recuperasse sua forma logo, e assim, fomos dormir...

Capítulo 20
Acordei no sábado de manhã com ele ainda na cama, seu sono parecia agitado apesar de estar bem pesado, me levantei pisando em ovos pra não fazer barulho, não queria acordá-lo. Tomei meu banho, comi alguma coisa e fui pra sala... senti aquela sensação de impotência por não saber o que fazer, queria dar algo que ele tomasse e simplesmente melhorasse, mas nem sabia o que fazer. Liguei pra minha mãe e contei como ele tinha chegado, ela me disse para não dar nada que pesasse em seu estômago, era pra ficar com vitaminas e coisas leves, mousses essas coisas...
– Mãe, por favor, compra isso pra mim e vem pra cá, eu estou ficando preocupado, ele já tá dormindo há muito tempo e não acorda, o que eu faço? Ele tá magro, eu tô perdido aqui nessa casa.
– Gustavo eu tenho minhas coisas pra fazer, eu vou comprar e levo aí, mas você vai ter que cuidar dele sozinho, eu te explico o que fazer, mas acho melhor levá-lo a um médico, ele tem problemas de saúde.
– Ele não quer mãe, quando melhorar um pouco eu levo ele à força, mas assim eu não teria coragem de forçá-lo a nada.
Desliguei o telefone e ia voltando para sala de TV, ele veio na minha direção com um sorriso no rosto... finalmente tinha acordado.. eu me sentei no sofá, ele veio e se deitou com a cabeça no meu colo...
– Gustavo, eu preciso comer alguma coisa, mas estou com ânsia de vômito, creio que irei passar mal.
– Espera um pouco, minha mãe vai trazer algumas coisas para você comer, coisas mais saudáveis, nada tão gorduroso e enlatados como você tanto gosta.
- Ok, vou esperar então. Mas ela não precisava se incomodar com isso, você mesmo poderia fazer isso pra mim, né!?
– Eu já terceirizei o serviço porque não consigo fazer essas coisas Jorge, mas me conta como você foi emagrecer tanto assim.
– Não comia muito, só quando tinha tempo. Dormia apenas três horas por noite, depois perdia o sono, ou não dormia, ficava direto no escritório, todo aquele estresse em torno das demissões e tudo o mais, sem contar no ódio que as pessoas estavam de mim, isso tudo me colocou para baixo e me deixou assim.
Ele falava com aquele timbre triste na voz, ele nunca se incomodou muito das pessoas odiarem ele no escritório, mas parecia que dessa vez ele realmente estava muito fragilizado, eu fiquei quieto, na minha, ouvindo-o falar, algumas vezes fazia uma pergunta ou outra, mas sempre ouvindo a opinião dele como regra geral.
– Você acha que eu não sei que as pessoas me chamam de “Dama de Ferro” no escritório? Eu sei de tudo que se passa ali, Gustavo, sei que me chamam de filho da puta pelas costas, como você mesmo já fez, porém foi mais digno e me chamou de filho da puta na minha frente. Achei digno, por isso não te demiti mas, no contexto corporativo, eu não poderia agir diferente, você me entende!?
– Olha Jorge, eu sempre acho que bondade e educação cabem em qualquer lugar, e você é um cara bom, só falta ser educado com as pessoas.
– Eu coloco pressão nos funcionários em que eu vejo potencial, eu nada mais quero que trabalhem tanto quanto eu, e absorvam tudo o que eu falo e ensino, eu não monopolizo o controle, tanto é que a Suzane entrou como estagiária e hoje é minha amiga e braço direito. Estamos há 5 anos juntos na empresa e ela não saiu, porque entendeu o porquê de eu exigir tanto dela.
Ele me explicou bem, o que realmente faz sentido. Os funcionários menores nada reclamam dele, os estagiários o idolatram, a Valentina o adora apesar de ele exigir muito dela, a empregada dele o ama, enfim, ele é agradável... prova disso é o fato de ser cheio de amigos, e não acho que sejam interesseiros pois sempre que saímos eles insistem em pagar a parte dele da conta, o chamam mesmo pela companhia dele que, de fato, é agradável ainda mais quando bebe e se torna o humorista do grupo. Ele ficou deitado no meu colo e eu afagando os cabelos dele.
Enquanto conversamos, ele me disse que meu apelido na empresa era “Boy Toy”, que o pessoal comentava sobre a gente... eles viram a revista em que saímos juntos na foto no restaurante. Com certeza, quem iniciou o boato foi o infeliz do Edgar mas, tudo bem... eu adorei o apelido de Boy Toy, soa erótico, apesar de eu não me encaixar na definição da palavra, eu adorei o apelido. Fiquei fazendo piadas com isso até que, finalmente, minha mãe chegou... ajudei ele a se levantar, e fomos pra cozinha, tomar o café da manhã. Ela tinha comprado muita coisa gostosa, resultado: eu comi mais que o Jorge, comi de tudo um pouco, ele ficava enrolando com umas torradas e nutella, enquanto eu caprichava num bolo de chocolate e coca-cola.
– Gustavo, como você consegue comer desse tanto, menino!? Com certeza não puxou a mim, come como um pedreiro.
– Mãe, eu tava com fome e preciso me alimentar pois estou quase tendo que carregar o Jorge no colo, ele tá fragilizado, né?
– Eu fico horrorizada com esse teu apetite, vai acabar engordando.
Rimos um pouco e minha mãe foi pro escritório com ele conversar sobre a vida e as coisas que o afligiam... com certeza ela foi tirar informações e tranquilizá-lo quanto à situação dele, já que da empresa ele tinha se recuperado bem do estresse. Não sei o que minha mãe disse para ele no escritório mas ele saiu de lá dizendo que na segunda-feira de manhã iria ao médico e pediu para eu acompanhá-lo, eu concordei, claro, queria mais é que ele cuidasse da saúde.
Minha mãe se foi e nós dois passamos o final de semana todo em casa... não rolou nem um oral pra me animar mas como ele não estava muito bem de saúde, eu preferi deixá-lo descansar porque, na outra semana, eu iria me esbaldar, afinal, com dois meses sem sexo ele já deveria estar virgem de novo, apertadinho, do jeito que eu gosto! No domingo, conversamos mais sobre ele, sobre a empresa... Ele me disse que na outra semana contrataria um novo assistente pessoal, pois tinha outros planos pra mim.
– E quais seriam seus planos pra mim Jorge!?
– Por enquanto é segredo, mas a gerente do Financeiro e as duas outras mais antigas aceitaram minha proposta de se mudar para Florianópolis e tomar conta do Financeiro de lá... sendo assim, eu teria que contratar novas pessoas, irei remanejar algumas que já estão comigo e contratar novas. Para meu assistente eu vou colocar um estagiário desses de início de faculdade, um rapaz e uma moça... é mais barato.
– Eu não me incomodo em continuar como seu assistente... eu até gostaria de continuar, assim ficamos juntos.
– Entendo, mas quero que cresça na empresa e essa é uma ótima oportunidade. Contratei um especialista tributário para treinar vocês. Ele virá para Uberlândia na próxima semana, amanhã contratarei os garotos, na terça você começa a treiná-los e terá 4 dias para ensiná-los... acho que é tempo suficiente.
– Na verdade não é mas, em se tratando de você, até que me deu um prazo muito grande para treinar o pessoal.
Demos umas risadas, ele já estava voltando com seu senso de humor de novo... brincamos um pouco fazendo piada da empresa e do comportamento dele para descontraí-lo. Mas, sempre que ele ria, colocava a mão no estômago... provavelmente tinha machucado, acho que por não conseguir parar com comida no estômago, mas tudo se resolveria em breve...

Capítulo 21
Na segunda-feira de manhã, fui com ele ao médico que pediu um monte de exames, inclusive um que ele teria que dormir no hospital para que o pessoal checasse o trânsito sanguíneo nas suas veias... estranho falando assim, mas é um procedimento bem interessante. Chegamos ao escritório às 10 da manhã e eu já fui direto a Compras pedir para que providenciassem a compra de uma nova mesa e computador para a minha sala e que tudo deveria estar instalado até às 18 horas porque na terça de manhã começariam dois novos funcionários. Voltei pra minha sala mas, antes de me sentar ele me chamou na sala dele...
– Gustavo, um tempo antes de viajar eu tinha solicitado ao pessoal de Compras um carro novo... eu tinha autorizado a compra de um Hyndai ix35... Cadê esse carro? O pessoal da Frota me disse que ele ainda não chegou, porque você não providenciou isso pra mim!?
– Porque você não me disse nada sobre esse carro, mas eu vou a Compras agora verificar isso para você... só um minuto que eu já venho.
– Diga a eles que se esse carro não estiver aqui hoje, devidamente plotado, conforme o padrão da empresa, eu não quero mais ver ninguém daquele departamento aqui.
Saí louco e fui a Compras... o pessoal me disse que o carro já tinha chegado, já tinha sido devidamente plotado e emplacado, mas que estava parado na concessionária, esperando a retirada. Eu falei para eles buscarem o carro imediatamente pois o Jorge estava uma fera porque ele ainda não tinha chegado. Eles ligaram pro Valter ir buscar o carro, voltei pra minha sala e vi a psicóloga da empresa entrar correndo na sala dele. Pouco tempo depois ela saiu com uns documentos na mão, semelhante a currículos, parou na minha mesa dizendo...
– Tive que ficar aqui na empresa o dia todo no sábado selecionando os seis melhores currículos para ele entrevistar o pessoal e nem ouço um obrigada, mas, fazer o que? Agora é com você Gustavo, ligue para essas seis pessoas e diga para estarem aqui às três da tarde.
Eram três currículos femininos e três masculinos. O pessoal chegou às duas e meia, parece que combinaram... Ficaram sentados no sofá da minha sala vendo TV... eu deixo sempre na VH1 pra descontrair um pouco a minha sala, se bem que o Jorge vive me mandando deixar na BBC, mas o controle é meu e eu decido o que assistir (até parece). Uma das meninas me perguntou se era pra minha vaga, eu disse que sim, ela me pediu então uma dica pra falar com ele e eu disse a ela:
– Vou dar uma dica geral, sempre olhem nos olhos dele quando ele falar com vocês e fiquem com postura ereta, ele odeia pessoas tímidas e introvertidas, minha dica é essa.
Às três em ponto o Jorge saiu da sala e pediu para os seis acompanharem ele, inclusive eu, e fomos todos ao sexto andar, numa sala vaga, cujo ar condicionado já estava ligado e tinha oito cadeiras em círculo. Nos sentamos nas cadeiras e ele ficou de pé, no meio da roda, apenas com uma caneta na mão. Pediu para cada um levantar e se apresentar. Com a minha dica, todos se levantavam, se apresentavam olhando nos olhos dele com uma postura ereta, uma coisa até meio militar. Depois que todos se sentaram, ele falou o nome de um por um e perguntava, porque eu devo contratar você fulano e não aos outros, forçando os coitados a uma resposta. Eu morreria e não conseguiria responder isso. Enquanto o pessoal falava, ele batia a caneta na coxa direita pra ver se alguém desviava a atenção, mas todos o encaravam. Tinha uma menina que suava frio, coitada, tinha medo no olhar mas, sempre que era a vez dela, ela ficava firme e falava, depois quase desmaiava na poltrona, enquanto esfregava as mãos... a garota parece uma bonequinha de tão bonitinha... Ficamos nisso mais de uma hora... ele começou a explicar a historia da empresa, o tamanho dela, tinha um data show e ele deu uma aula pro pessoal sobre tudo da empresa missão/visão/valores, entre outras coisas importantes, todos focavam nele enquanto ele falava, no final ele disse:
– Victor Hugo e Larissa vocês dois serão meus assistentes pessoais, quanto aos outros quatro, só me resta agradecer e dizer que também estão contratados. Pedro e Marcelo ficaram no controle de Frota com uma das minhas profissionais, a chefe de vocês será a Suzane. Lívia e Vanessa vão para o Financeiro sob a supervisão do Gustavo. Agora podem ir e amanhã, às 7:30 h, todos aqui na empresa. Para as meninas, vou dar uma dica, sempre de salto alto e, aos garotos, nada de topete ou cortes extravagantes, Obrigado.
Ele contratou como assistente justamente à menina mais tensa, coitada, mas ele sabe muito bem o que faz, então fiquei na minha. Ele colocou os seis naquela pressão todinha sendo que já tinha contratado eles, fiquei sem entender mas, enfim... Fui pra minha sala terminar de organizar as coisas. O computador já estava montado e a mesa também, o que é ótimo. Fui ao Almoxarifado, peguei agendas, canetas, e outras coisas de escritório para a mesa da Larissa. O dia terminou bem, sem nenhum stress aparente. Fomos pra nossa casa... ele já estava melhor de saúde, apesar de ainda parecer frágil. Fomos para nossa cama brincar um pouco, trocamos uns beijos, ele já enfiou a mão na minha cueca, fiquei satisfeito: isso significava que os bons tempos tinham voltado... eu já tirei a cueca pondo a rola pra fora...
– Sentiu minha falta durante a viagem, Gustavão?
– Senti sim, olha como eu fico só de você me encostar... eu tô louco pra tentar te engravidar de novo.
– Não posso, hoje pelo menos não, mas em breve, quando eu me recuperar de novo, aí eu deixo você se divertir um pouquinho, tá?
Quando ele falou isso eu fiquei chateado, mas como ele foi descendo, dando beijos no meu corpo, eu deduzi que fosse me dar uma mamada... já servia, né? Afinal, um boquete é sempre muito bem vindo! Ele começou a chupar meu pau, estava até mais gostoso que antes, acho que pela gana que eu tinha pela boca dele... gozei demais... minha cabeça chegou a doer e eu fiquei dois dias sem bater uma. E o cara me chupa daquele jeito! Não tinha como não gozar muito! Ele fez jantar pra gente... ele insiste em fazer pratos finos. Já falei pra ele fazer arroz, feijão, salada e bife, mas ele não curte, prefere aquelas comidas frescas, de porções pequenas, daí eu como 4 vezes e ele diz que eu como muito, mas não é verdade, a porção é que é muito pequena!
Na terça-feira de manha, chegamos no escritório e todos estavam lá, arrumados, as meninas muito bem maquiadas. Eu os encaminhei para suas salas e depois fui para minha, com meus dois pupilos. O Victor Hugo, apesar de termos a mesma idade, parecia ser mais novo que eu por conta de sua altura e rosto juvenil... um rapaz bem bonito, mas que não me causou ciúmes, a Larissa estava bela. Ela me disse que acordara às 5:30 h pra se maquiar. Comecei a ensiná-los tudo sobre meu trabalho eu já fui logo falando pra eles...
– Pessoal, o Jorge é um chefe mimado, porém muito bom. Vocês têm que saber que, todos os dias de manhã, precisam comprar o café da manhã dele, que nada mais é que café preto e pão de queijo, precisam ver se tem Trident na gaveta dele, ele odeia ficar sem, verificar no minibar se tem da marca de água que ele gosta. Se ele se estressar muito, pegar água com açúcar pra ele, tentar prever o que ele precisa ou quer. Se ele gritar, ou for grosso, relevem, ou melhor, levem como elogio, ele pressiona quem ele vê com potencial.
– Precisamos pagar pelo café dele!? Me perguntou a Larissa.
– Não, na padaria tem um cadastro da empresa, é só pegar e assinar, depois no final do mês pagamos eles. Fora isso, é só fazer o trabalho de vocês, acompanhá-lo em reuniões, essas coisas de assistente mesmo. Se forem bem, ele efetiva vocês antes do término do contrato... sempre é assim.
Tudo o que eu falava eles anotavam e combinaram entre eles de revezar na busca do café da manha por semana. Ensinei pra eles num dia o básico, as demais coisas pegariam no dia-a-dia do escritório. Apesar de tensos, eles pareciam encantados com a empresa e com a proporção dela, as filiais pelo país e os negócios com outras economias. Como eles cursam Administração, tudo encanta eles, do mesmo modo que encanta a mim também...

Capítulo 22
A semana passou bem rápido, o que eu pensei que não fosse acontecer, pois eu estava tão ansioso para começar na minha nova função que contava os dias, as horas e os minutos para iniciar as minhas novas atividades. Porém, como minha cabeça estava ocupada treinando os meninos, eu mal via meu dia passar. Na sexta de manhã, o Jorge iria para uma reunião em Belo Horizonte e levarias os novos assistentes com ele, então eu já fui adiantando com eles tudo que deveria ser feito. O Victor Hugo chamava ele de mimado... mal sabia ele que eu era um dos que mais mimavam o chefinho, enfim.... Às duas horas, ele saiu da sala, a Larissa já foi atrás dele com o notebook e o bloco de anotações na mão, o Victor entrou na sala pegou a maleta e foram saindo... o olhar deles era o mais engraçado, eles tinham aquela preocupação de fazer o certo, porém andavam com uma confiança por estarem ao lado do “cara”. Eu também era assim, sempre me achava por estar com ele.
Eu tinha ficado mais tranquilo porque, no decorrer da semana, ele tinha feito os exames e, apesar dos médicos falarem que a estimativa de vida dele seria de 43 anos de idade se continuasse naquela vida acelerada dele, acho que o baque emocional foi tão forte que ele tinha se matriculado numa academia e iria começar a fazer pilates como medida anti-stress... não sei por que pagar uma fortuna pra passar algumas horas sentado e quicando numa bola, sendo que ele tem duas de ótima qualidade pra se sentar em casa (safadinho!) mas, enfim... Ele estava agindo com a vida e eu adoro essa nova perspectiva dele, o corpo, que já era um tesão, ficaria numa versão 2.0! O que já era bom, sendo melhorado... adoro isso!
Fiquei no escritório até às 19 horas na sexta-feira. Quando eu já ia saindo, eles chegaram da reunião, os meninos às pressas para irem para faculdade, e ele com a típica cara de poucos amigos que ele tinha no escritório... no entanto, era essa cara que me dava tesão, marrento, amarrado... Ele entrou na sala e, em seguida, me chamou.
– Providencie dois carros da empresa para os meninos irem embora para suas casas, senão, vão perder suas primeiras aulas.
– Não temos motorista para levá-los.
– Eles mesmo é que irão dirigir, já são habilitados, eu só preciso que entregue a chave para eles, que no resto eles se viram.
Fui ao departamento da Frota, a Suzane ainda estava lá, eu peguei as chaves... ela queria montar os termos mas era melhor ficar para o outro dia, porque, se demorasse mais um pouco, o Jorge iria voar no nosso pescoço. Então, entreguei as chaves, informei os números de frota e os meninos foram embora. Assim que eles saíram, nós também fomos embora, eu dirigindo, coisa que já tinha virado rotina, e eu adorava porque quase toda vez, eu ganhava uma alisadinha no saco, ou uma punhetinha enquanto dirigia. Chegamos em casa, a ajudante dele ainda estava lá e nos esperava. Eu já comentei aqui que, às vezes, ela brigava com ele, como se ele fosse uma criança, e ele nunca retrucava, ou respondia a ela. Fomos entrando e ela falou:
– Jorge, eu estava contando as suas cartelas de remédio e, pelas minhas contas, você ficou três dias sem se medicar, posso saber o porque!?
Eu pensei que ia dar merda, porque ele tinha saído meio estressado do escritório e todo esse interrogatório... provavelmente o tiraria do sério mas, como ele nunca altera a voz com ela, ele disse:
– É que esse remédio me deixa sonolento e eu não faço meu trabalho direito, por isso tem uns dias que eu não tomo eles.
– Quando foi que você se formou em medicina!? Eu não fiquei sabendo que agora você era medico e já sabia se medicar por conta própria. Você vai tomar esse remédio agora, já passou um pouco da hora... era pra tomar as 18 h mas ainda dá tempo, e amanhã de manhã, Gustavo, dê um jeito dele tomar o medicamento às 8 da manhã, senão eu vou lá naquele escritório te dar o remédio, entendeu Jorge!?
Ele a respeita como uma mãe, apenas abaixou a cabeça, pegou as cartelas de remédio e foi pra cozinha tomar. Eu fiquei com dó, tadinho, todo quieto indo tomar o remédio dele, ele estava fragilizado. Fui pro nosso quarto, tirei a roupa, já dei uma jeito de ficar de pau duro e fui pro banheiro... entrei no box, um tempinho depois ele entrou também comigo, eu lá me mostrando, exibindo minha rola pra ele, e ele nada de me dar uma moralzinha, reagir... então eu desanimei, ele tomou banho calado e foi pro quarto, vestiu uma cueca e se deitou na cama...
– O que foi Jorge!?
– Eu não gosto que fiquem brigando comigo, eu desanimo com a vida.
– Quem mandou você não se medicar? Ela tem razão em brigar mesmo.
– Tudo bem, eu sei, foi falha minha, mas estou me exercitando, comecei agora mas daqui um tempo já estarei melhor e no meu peso certo, tenho que engordar só 6 quilos mas, mesmo assim...
– Pensa pelo lado positivo, ela brigou com você mas fez um torta alemã gigante... tá na geladeira, e tá fazendo jantar pra gente... do jeito que eu gosto, arroz e feijão.
– Só pensa em comer, né Gustavo?
– Só nisso mesmo inclusive, estava pensando ali no banheiro e você não me deu moral, e estou começando a pensar de novo agora, se quiser, dá tempo de darmos uma antes da comida ficar pronta.
E já fui pra cima, beijando aquela bocona gostosa com gostinho de creme dental... ele correspondeu ao meu beijo porém não me alisava nem nada ou seja, sexo só se fosse comigo mesmo, porque daquele mato não sairia cachorro! Me vesti e fui pra sala ver TV, depois de uns beijos que só serviram pra me deixar ainda mais excitado do que já estava... fiquei de bico na sala vendo qualquer programa na TV, depois fomos jantar. A ajudante dele foi embora ficando apenas nós dois... eu poderia comer ele na mesa, mas ele não queria, então fiquei na minha, terminei de comer, lavei nossos pratos e fui em direção ao quarto. Quando chego na porta, ele tá deitado na cama só com uma cuequinha branca daquelas que a bunda fica de fora, me olhando com cara de safado... já me animei na hora, sou do tipo que depois que fica de pau duro, se eu não ganhar um agrado, ele não abaixa mais, fica de pé direto... Me deitei por cima dele na cama, o encaixe ainda era perfeito dos nossos corpos... fiquei mordendo a orelha dele, enquanto ele ficava quietinho de bruços na cama, mordisquei as costas dele e fui descendo no sentido do meu playground ... já comecei mordendo a bunda dele que não mais tinha a marca dos meus dentes, o que era uma falha muito grave pois deveria ter! Mordi a bunda dele, ele dava uns gemidinhos baixos, lambi, brinquei muito, meu pau já babava dentro da cueca eu a tirei e fiquei roçando minha rola na bunda dele, pressionando o corpo dele pra frente, virei o rosto dele e comecei a beijá-lo... o beijo tava diferente da hora do banho, dessa vez tinha vontade, e um desejo de ir mais longe, o que eu, particularmente, adoro...
Pedi mais uma vez pra meter sem camisinha e ele não concordou de novo, então, nem enrolei muito, já encapei a rola e coloquei dentro dele, que era por direito o lugar dela... tava apertado e eu sentia o desconforto dele, com os olhos apertados e dentes cerrados. Isso não me fez parar, pelo contrário, me incentivou a meter mais rápido e mais forte... deixei ele se acostumar comigo dentro dele, e fui movendo meu corpo bem lentamente... não demorou muito e ele já estava empinando a bunda, me dando sinal verde pra bombar, e eu fui pra cima jogando o peso do meu corpo em cima dele... não mudamos de posição, ficamos apenas nessa e gozei com vinte minutos. Foi uma rapidinha como ele gosta de falar, não quis prolongar porque ele tava debilitado ainda mas, mesmo assim, foi muito gostoso como em todas as vezes. Depois que preenchi minha camisinha com porra fiquei deitado em cima dele um tempo e fomos para o banho, no banheiro ganhei um boquete daqueles profissionais que ele sabe fazer tão bem, segurava a cabeça dele e empurrava a rola, ele lacrimejava mas mesmo assim continuava a mamada. Depois de gozar pela segunda vez, fomos pra cama dormir, ter um merecido descanso...

Capítulo 23
Me levantei no sábado e ele já tinha ido pra academia. Tomei um banho, me arrumei, liguei pra ele dizendo que iria para casa dos meus pais visitar minha mãe, e assim eu fiz. Cheguei na casa da minha mãe, ela já veio me enchendo de abraços e beijos... meu pai tava lá, nos cumprimentamos, conversamos um pouco enquanto ele jogava videogame... minha mãe me chamou para ir com ela ao mercado para comprarmos algumas coisas e ela me enrolou mais de uma hora e meia dentro do mercado. Quando voltamos, eu colocava as compras no carro e ela me disse que tinha esquecido de pegar umas coisas... voltou pro interior do mercado me deixando no carro. Eu estava distraído quando um dos meus antigos amigos me chama pelo meu nome, eu olho pra trás e ele e mais dois estavam atrás de mim e à minha volta, ninguém mais, apenas fileiras de carros parados. Chegou me chamando de mais novo veado mineiro, ficou me perguntando se eu estava gostando de dar o cu e eu apenas pedindo para eles me deixarem em paz. O que estava atrás de mim, à minha esquerda, me deu um soco nas costelas que me faltou o ar, eu fiquei quieto, ainda sem me virar, na esperança de alguém chegar. Eu não podia brigar, já tinha sido preso mais de uma vez, não seria mais um réu primário e pegaria sentença mesmo. Abaixei a cabeça olhei para os bolsos das calças deles para ver se eles estavam com facas e canivetes mas pareciam estar saindo do mercado também... começaram a me xingar, ainda me deram mais uns socos... eu não ia virar de frente para não levar nenhum no rosto. Fechei o porta malas do carro e, pelo reflexo, vi que minha mãe vinha vindo... então parti pra cima do meu amigo que era o “líder”, meti um soco no queixo dele, de baixo pra cima, pra quebrar o máximo de dentes que eu conseguisse... como minha atitude foi abrupta, os outros não reagiram e, como minha mãe chegou, espantou eles de perto de onde estávamos... nunca que eu apanharia sem reagir... não seria eu.
Ainda levei uma bronca porque minha mãe achou que eu tinha começado a confusão... por mais que eu explicasse, ela não aceitava a minha versão. Fomos pra casa, ela não contou nada pro meu pai e ficamos por isso mesmo. Meu corpo estava dolorido mas eu não reclamaria pra ela, apenas daria margem para mais falatório e minha mãe já conversa demais... então, eu queria evitar um desgaste das cordas vocais dela. Mais ou menos ao meio dia, o Jorge foi me buscar para irmos comer. Entrou em casa, cumprimentou meu pai que, definitivamente, o idolatra por ser quem é sendo tão novo. Minha mãe contou pra ele o episodio do mercado e eu disse pra ele que tinha apanhado. A cara que ele fez foi impagável a e atitude dele depois também... Pegou o telefone e ligou para alguém da policia... pareciam se conhecer pelo tom da conversa...
– Vieira, bom dia... Hoje uma pessoa bem próxima a mim foi agredida na rua, à luz do dia e justamente naquela rua em que eu tinha solicitado patrulhamento 24 horas. Onde estavam os seus policiais? Tínhamos um acordo e não está sendo cumprido da sua parte... se mais alguém próximo a mim sofrer algum tipo de agressão teremos uma conversa com meu pessoal e creio que terá que devolver o meu depósito. Agora, muito obrigado e bom almoço...
Segundo minha mãe, durante a noite tinha mais ou menos 3 viaturas passando pela praça o tempo todo... durante o dia uma ficava parada na praça o dia todo, próxima à nossa casa. Achei incrível o nível de influência que ele tinha sobre as pessoas... ele conversou com a minha mãe um tempo e depois saímos para comer... pensei que íamos àqueles restaurantes chiques que ele ama, mas não, fomos a um restaurante de culinária mineira no shopping que eu nunca tinha ido... fomos comer arroz e feijão na praça de alimentação. Próximo ao restaurante tinha um monte de mesas com aqueles senhores com cara de executivos e eles ficavam olhando para nossa mesa e comentando alguma coisa...
– Jorge, quem são essas pessoas!?
– Pessoas que um dia trabalharam para o meu pai, mas que não serviram para trabalhar pra mim.
– Fiquei curioso, pois eles olham para nossa mesa toda hora e parecem comentar alguma coisa.
– Devem estar me xingando pois, infelizmente, mandei eles embora antes de terminarem de desviar todo o dinheiro que poderiam... devem estar planejando uma forma de jogar terra de cemitério nos meus pés na esperança que eu morra.
Rimos um pouco do fato de ele ter falado isso porque, em Minas, reina o dito popular de que se você jogar terra de cemitério nós pés de uma pessoa que te fez mal, essa pessoa morre, definha até a morte... é tenso mas os antigos juram ser verdade. Começamos a tirar sarro da situação e, por fim, tivemos um almoço muito agradável... depois demos umas voltas no shopping e saímos com mais de dez sacolas nas mãos. Acho que duas eram minhas e o restante do Jorge... a cada loja que passávamos em frente, as vendedoras o chamavam para entrar... ele ia e sempre saia com, no mínimo, uma sacola com coisas que ele já tem. Provavelmente, as roupas que ele comprou estão com etiqueta até hoje dentro do nosso guarda-roupas, mas não posso nem falar nada, senão durmo no sofá, então deixo ele comprar o que quiser... Voltamos para nossa casa e ele foi guardar tudo o que tinha comprado nas lojas. Acho que pra ele a melhor parte nem é a de comprar mais sim a de guardar no closet as roupas e os sapatos. Muita mulher não tem a quantidade de roupas e sapatos que ele tem, isso porque sempre doa o que ele não quer mais, se acumulasse seria difícil organizar tudo! Inclusive, nesse final de semana em que compramos aquelas roupas, ele foi organizar umas pra doação e comecei a notar que tinhas unas minhas no meio das roupas que ele doaria...
– Jorge você tá doando minhas roupas pra caridade!?
– Estou... eu não gosto muito dessas roupas aqui não...
– Mas são minhas, né!? Não deveria ser eu a doar!? E são roupas de usar em casa, básicas e simples.
– São shorts de jogar bola, Gustavo, e camisetas de time... ninguém precisa disso... segunda-feira compramos outras pra você usar em casa... agora, essas aqui eu não quero mais.
Ele falou de modo tão fofo e até amável que eu não fiquei bravo, deixei ele decidir o que eu poderia usar. Fiquei deitado na cama vendo TV enquanto ele abria espaço para as roupas novas no closet. Ele passou a tarde lá dentro, tirou um monte de coisas e empacotou para levarmos no domingo de manhã pra doação. Ficamos na nossa casa a tarde toda juntos, assistindo a filmes e comendo pipoca e eu comendo ele... e nos preparando porque a noite ele queria ir a uma boate gay chamada Weekend... eu nunca tinha ido a uma boate gay, tinha ido a uma em BH com os amigos dele e, dessa vez, seriamos apenas nós dois em uma boate de Uberlândia...

Capítulo 24
À noite, por volta de 23 h, eu tomei meu banho, me arrumei enquanto ele lia alguns e-mails, depois ele entrou pro banho e se arrumou, demorou mais ou menos uma hora pra ele se arrumar e, como sempre, atrasamos. Quando íamos sair de casa, ele decidiu que mudaria de camisa... então enrolamos mais alguns minutos que pareceram horas e entramos no carro... ele abriu os vidros ligou o som e lá fomos nós. Chegamos na entrada da boate com fila para entrar, eu pensei que mais uma vez iriamos furar a fila mas, como ele sempre me surpreende, ele disse:
– Estou de bom humor hoje, vamos ficar na fila para interagir com o povo.
Paramos o carro bem próximo à entrada e ficamos na fila. Algumas pessoas sabiam quem ele era e isso era suficiente para afastá-las ou fazer com que eles viessem mais pra perto... o fato de ter uns caras olhando pra ele na fila me deixou um pouco irritado então, como estava atrás dele, passei o braço pelo ombro dele deixando bem claro que éramos um casal... liguei meu foda-se e fiquei juntinho mas, mesmo assim, tinha um cara que não desconfiava... se continuasse assim eu iria meter a porrada. Estávamos na fila e uma espécie de holster da boate veio:
– O senhor é o Jorge Silvonacci!?
– Sim, sou eu.
– Por favor, me acompanhe, o proprietário da boate pediu pra tirá-lo da fila.
E assim, mais uma vez, burlamos o processo da fila e o que é melhor, não pagamos para entrar, o que é mais lindo ainda. O clube é até legal, fomos ao bar, ele comprou uma garrafa de vodca e água de coco pra nós dois. Eu preferia ficar tomando drinks, mas ele acha desagradável ficar indo ao bar, e como não tínhamos um garçom à disposição, ele preferiu comprar uma garrafa de vodca, Pegamos uma mesa e ficamos na nossa, bebendo e dançando juntos, trocando uns beijos vez ou outra. Estava distraído e o Jorge me apontou uma pessoa... me disse que era o Victor Hugo, que tinha começado a trabalhar pra ele.
Um milhão de coisas me passaram pela cabeça, como por exemplo: nossa, mais um Edgar pra eu ter que afastar, outro gay pra me dar dor de cabeça... o Victor é bonito mas é baixo e o Jorge não curte. Quando eu olhei pra ele dançando, aí sim, eu fiquei bem mais tranquilo, ele estava todo feminino, dançando e sensualizando com um boy na pista, olhei pro Jorge e ele soltou um:
– Eu sabia!
– Como assim, você sabia? O cara no trabalho é super sério, tem voz grossa, eu só achei que ele fosse caladão, na dele, mas nem tinha desconfiado que ele fosse gay.
- Ele reconheceu minha pasta da Hermés, sabe as marcas dos meus sapatos e tira sobrancelha, o que mais indicaria uma tendência homossexual? Ele riu um pouco e disse quem nem por isso seria diferente no trabalho, que exatamente por isso cobraria mais do rapaz, porque, do ponto de vista dele, gays têm por obrigação serem mais inteligentes e esforçados que os héteros... coisas da teoria do Jorge. A noite foi passando, o Jorge começou a beber e foi ficando bêbado e alegre. Às altas da madrugada, começou a tocar funk e ele a dançar, uma cena que eu nunca pensei que veria: ele dançando funk! Foi bem engraçado, o Victor do outro lado da boate, dançando mais que as funkeiras... deve ser um passivo de primeira também...
Se eu não me engano, li isso num conto: quando toca funk numa boate gay, na verdade, subjetivamente, é um concurso para saber quem é mais passivo, e realmente a passividade reina solta nas boates quando toca funk, os ativos têm muita opção para escolher, se é que tinha ativos lá dentro! Fiquei olhando o Jorge dançar funk... até pra dançar esse ritmo ele é fino é um pouco diferente dos demais. Quando saímos da boate, na porta, o Edgar passa dentro de um carro com mais três pessoas... ficou olhando pra gente, mas nem se atreveu a me cumprimentar.
Chegamos em casa e demos mais uma trepada esperta pra não perdermos o costume. No domingo, não tivemos surpresas. Acho que a mãe dele chegou bêbada em casa... ela foi almoçar conosco, ou melhor, fazer comida pra gente. A cada vez que eu a via, mais excêntrica eu achava a minha sogra. Ela chegou com duas garrafas de champanhe, uma pela metade e uma lacrada... segundo ela, tinha começado a beber na fila do Bretas, que estava enorme e tinha apenas poucos caixas conversando. Ela usa muita jóia e umas roupas brilhosas, tudo isso de manhã... Eu não entendo de moda mas acho que usaria aquele tipo de coisa à noite e não de manhã, pra almoçar, como ela.
Parecem dois irmãos conversando. Ela conta pra ele dos boys que ela pega, conta tudo mesmo... enquanto eles iam conversando, meu rosto queimava de vergonha, pois geralmente são coisas que minha mãe não falaria pra mim. Ficou claro porque ela fazia análise com minha mãe... eu achei no começo que fosse por conta da bebida mas é por causa da espontaneidade de conversar, com certeza deve ser por isso... Fiquei constrangido no almoço todo, enquanto o Jorge ria e fazia seus comentários... Secaram o champanhe enquanto almoçavam e eu fiquei tomando Kuat, na minha, observando tudo... De sobremesa começamos a comer a torta alemã, divina, que a ajudante do Jorge tinha feito. O dia seguiu assim, sem muita surpresa. Passamos a tarde juntos, ele tinha um videogame novo na casa dele e uma TV de 70 polegadas que não usava pra jogar... isso é inaceitável! Então, montei o videogame e fui ensiná-lo a jogar Mortal Kombat, na época Play Station 2, que tinha acabado de ser lançado... era 2009, então, o game era muito moderno... ele achou violento mas aprendeu rápido e constatei que ele é um péssimo perdedor... sempre que começo a ganhar muito, ele apela... é uma gracinha... Mudamos de controle, e ele falava que eu estava roubando dele, que não tinha lógica ele perder tanto... deixei ele ganhar algumas de mim pra não ficar muito pra baixo...
Na segunda-feira de manhã, acordei às 6 h, com um grito dele. Acordei assustado, pulei da cama. Vou pro corredor e ele estava caído no chão, chorando e rindo ao mesmo tempo, não soube distinguir um do outro, cheguei perto dele e perguntei o que tinha acontecido...
– O que foi Jorge? Está se sentindo bem?
– Ai, me ajuda, acho que vou desmaiar. Eu ia pra cozinha e chutei o canto da parede sem querer, acho que quebrei meu dedinho, ai, que dor insuportável.
Comecei a rir na hora... todo mundo faz isso, mas ele faz um drama em torno da situação. Peguei ele no colo e levei pro quarto... o dedo nem tinha ficado vermelho... o dedinho foi feito pra isso, chutar paredes e móveis. Ele começou a rir de novo, acho que quando doía... ele ria, nem sei por que... enquanto ele ficou deitado, rindo e chorando, eu fiquei dando beijos no corpo dele... rapidinho ele parou com a manha e eu fiquei de pau duro... ele ficou passando a mão, mas não tivemos tempo para transar... então, tivemos que nos levantar, nos arrumar e ir pra mais um dia de trabalho, onde eu, finalmente, começaria na minha nova função e também começariam as aulas para tirar minha CNH.

Capítulo 25
Acordei na segunda parecendo que tinha sido atropelado por um trem, daí me lembrei que tinha carregado o Jorge no colo... meu corpo ficou destruído e isso porque o coitado estava quase desnutrido por conta da viagem. Me levantei, tomei meu banho e o Jorge já estava arrumado com sua roupa de academia. Ele estava malhando todos os dias de 7 às 8, depois ia para o pilates/yoga de 8:30 às 9:30. Às 10 da manhã começava a agenda dele no escritório, com uma hora de intervalo para o almoço. Me arrumei, fui pra cozinha, tomei café com ele, que comentava as noticias do dia com sua ajudante, depois saímos, ele me deixou no escritório e se foi pra começar sua rotina, tentando reaver sua saúde. Entrei e fui para o Financeiro. Tinham restado apenas duas funcionárias com menos de um ano de casa, e agora teriam como reforço eu e mais dois novatos, ou seja, éramos todos inexperientes, mas como no Financeiro do Corporativo já vem tudo mastigado pelas filiais, fica mais fácil.
Passei o dia todo com a cabeça ocupada tentando absorver o máximo do que o técnico nos dizia... odeio ficar perguntando, prefiro prestar atenção a tudo a ficar perguntando toda hora, enfim... Não vi o Jorge na segunda-feira mas eu sabia que ele estava lá, pois a parede que dá para o corredor é de vidro, assim como em todas outras salas, e não tinha ninguém nos corredores, isso era sinal de que o Jorge estava nas dependências da empresa. O silêncio reinava absoluto no escritório, às 18 h, o técnico foi embora e com ele minha concentração. Eu me abstraí, não queria mais pensar em nada, fui dar uma volta no corredor da empresa, fui na sala da Suzane e me sentei lá por alguns minutos tinha apenas ela dentro da sala...
– Oi, Suzane!
– Oi, Gustavo, como estão as coisas no seu novo departamento!?
– É muita coisa para se aprender mas, no geral, estou indo bem, não tenho nada a reclamar não. E por aqui, como vão seus dois pupilos!? Tudo tranquilo com os garotos!?
– Sim, muito. Eles são atenciosos e bem espertos, acho que nos daremos muito bem e eu realmente precisava de uma ajudinha aqui na minha sala, pensei que fosse ficar sozinha no departamento. Mas, e aí, como foi na boate sábado!?
– Como sabe que estávamos lá!?
– O Edgar comentou comigo, que tinha visto o Jorge lá, deduzi então que estivessem juntos, apesar de ele nem mencionar que tinha te visto.
– Filho da puta, vou ensinar pra esse cara ficar de conversinha com o nome do Jorge, esse pau no cu, já espalhou por aí que eu sou o Boy Toy do Jorge... Já tô querendo arrebentar ele não é de hoje.
– Fica tranquilo, ele é bem legal quando se convive com ele. E tira seu cavalinho da chuva que ele falou só pra mim isso e, com relação ao boy toy, eu também ouvi essa piada mas acho que não foi ele a espelhar, foi o pessoal do Controle Operacional, foi de lá que eu ouvi, e eu acho fofo o apelido.
Mudei de assunto pra não dar margem pra discussão e, só quando mudei de assunto, foi que me lembrei de que teria de ir embora porque tinha aula de volante às 19 h. Eles nem trabalham mais nesse horário, mas como era pra um funcionário do Jorge Silvonacci eles abriram uma exceção e me treinariam à noite. O instrutor me buscou na porta da empresa e fui para minha aula... meu processo foi tranquilo, eu passei de primeira... já dirigia há muito tempo e por isso já era treinado na bagaça. Pois bem, o instrutor me deixou na porta da minha casa, então eu subi, o pessoal da portaria e guarita já me conhecem e sabem da nossa opção sendo assim nem me questionam quando eu chego, apenas abrem o portão.
O Jorge chegou um pouco depois de mim, às nove. Eu tava no quarto, tinha acabado de tomar banho, vesti uma bermuda e fui ao encontro dele, a casa já estava cheirando comida, ele tinha passado num restaurante de cozinha portuguesa e comprado jantar pra gente. Ele curte essas coisas diferentes, tipo lula frita, lagosta, ostra... eu nem gosto muito de ver, prefiro carne de vaca, frango, e outras coisas mais seguras, acho que meu estomago não se acostumaria com aquilo mas, lembrando de mim, ele tinha compro risoto de frango e umas coisas mais normais... então fui no fogão, peguei três ovos, presunto, muçarela e bacon e fiz um omelete caprichado.
– Você vai comer isso, Gustavo!?
– Vou, por que!?
– Porque eu trouxe risoto pra você, já que sabia que não comeria lula frita.
– Eu sei, o omelete é pra comer com o risoto e depois, pra fechar, uma tortinha.
– Meu Deus... vamos visitar um endocrinologista... você deve ter algum tipo de verme que a medicina desconhece, pois não existe comer desse tanto e não engordar, por isso você ronca quando dorme, é porque come demais.
– Quem te falou isso Jorge!? Desde quando eu ronco?
– Só todos os dias, e disso eu sei, ou se esqueceu de que sou eu quem dorme ao teu lado todo dia? Você ronca e muito... mas já me acostumei com isso, sinto até falta do barulho quando não ronca.
Fiquei bolado dele falar na minha cara que eu ronco, mas devo roncar mesmo. Às vezes acordo engasgado... deve ser isso então, mas sou macho, e homens machos roncam... quando ele comprou a mercadoria já sabia que era assim... Fiz meu pratinho de pedreiro com risoto e omelete e fui comer na sala, pois o barulho da lagosta quando se parte ela com aquele alicate me dá enjoo. Fiquei bem longe dele, comi, tomei coca-cola dei aquela arrotada pra anunciar que estava cheio, e ele brigando comigo lá da sala de jantar. Fiquei na sala assistindo TV, e estava passando o Segredo de Brokeback Mountain no Telecine Cult... eu fiquei de pau duro assistindo aquele filme, achei interessante, porque coisas gays não me excitavam, apenas o Jorge me excitava e, se aquele filme tinha acordado meu menino, um pornô gay, então, me ajudaria muito.
Já estava na metade do filme quando ele veio pra sala e deitou a cabeça no meu colo. Foi ele encostar a cabeça pra notar que eu estava de pau duro... ele desabotoou minha bermuda, eu estava sem cueca... veio, me deu um beijo, com gostinho de creme dental, e foi descendo de novo, já relaxei todo no sofá porque sabia que iria rolar um boquetinho. Aproveitei pra dar uns tapinhas na cara dele chamando ele de puta safada, o cara me olhava com aquele olhar mais promíscuo do mundo, o que me fazia ganhar o dia, ele mamava mexendo a cabeça, chupava meu saco, e voltava de novo pro meu pau. Se eu gosto disso!? Adoro! Quando eu fui gozar, ele apertou meu pau e tocou uma punheta intensa, gozei como um cavalo, deu vontade de urrar do tanto de porra que saiu... fiquei mole no sofá e meu peito lavado de esperma.
Fiquei um pouco frustrado porque eu curto gozar na boca mas, enfim, me levantei e fui no banheiro me lavar. Deixei ele na sala vendo TV, me limpei todo com um sorriso bobo no rosto, como se tivesse conquistado algo, e que realmente eu tinha mas, enfim... Voltei pra sala e ficamos assistindo filme até meia noite, trocando algumas carícias mais leves e depois fomos dormir, eu ainda queria dar uma metida mas ele me deixou na vontade, então emburrei e fui dormir.

Capítulo 26
O tempo foi passando tranquilo, as coisas iam bem no trabalho, tínhamos recuperado o dinheiro perdido e aumentado o lucro em 30% se comparado ao mesmo período do ano anterior. O mês era agosto de 2009, eu tinha paz no meu novo setor e acho que por isso nosso namoro ia bem, porque não mais trabalhávamos juntos, ele agora era problema dos outros dois assistentes. A Larissa tinha tirado de letra o trabalho com ele, já o Victor Hugo chorava pelos corredores de vez em quando, enfim... Era uma sexta-feira à tarde, ele convocou uma reunião. Aparentemente não tinha motivos para convocar uma, todos nos fomos pra sala de reunião, tanto é que os três últimos andares que pertencem à empresa foram fechados.
Nós entramos e ele estava com um data show montado e em pé, próximo à cadeira da presidência. Entramos todos apreensivos com o tema da reunião. Ele não tinha comentado nada comigo, então fiquei preocupado com o que poderia ser. Nos sentamos todos e ele começou a falar com voz firme e cara de poucos amigos.
– Hoje de manha eu presenciei no café um dialogo de alguns funcionários questionando uma última demissão que eu fiz. Entre alguns xingamentos eu ouvi dizerem que eu fui injusto. Acho engraçado dizerem isso mas, quando uma pessoa desvia dinheiro da empresa não está roubando de mim, está roubando da gente... De todos nós, o meu problema nem é com o fato de ele desviar dinheiro, porque nessa sala tem outros que fazem isso e eu sei... O meu problema é com o fato de ele tentar culpar os funcionários da equipe para escapar da punição. Tem funcionários aqui que desviam dinheiro, no entanto, são em solicitações e orçamentos e não é da empresa que o dinheiro sai, é das empresas terceiras. Umas das funcionárias o interrompeu dizendo que o fato de Jorge despedi-lo não resolveria e que o funcionário em questão iria ser pai de gêmeos e era uma pessoa muito caridosa e muito boa, pois doava cestas de alimentos às famílias carentes. O Jorge mal a esperou terminar, caiu na risada e disse:
– Então ele é uma pessoa boa porque doa cestas básicas a uma família por mês, caridade, minha querida, é fazer o bem sem olhar a quem... quem diz viver em caridade e, no entanto, anuncia, não é uma pessoa caridosa. Não passa de um medíocre com consciência pesada mas, já que quer falar de caridade, vamos falar sim... Vocês sabiam que eu arco com os custos de 30 crianças pacientes de quimioterapia no Hospital do Câncer!? Por algum acaso, sabia que dou alimentos para o restaurante popular!? Não, não sabiam e sabem porque? Porque isso é caridade. E quero deixar claro uma coisa, a partir desta data quem se identificar com a causa do demitido passe no RH agora e podem ir embora, não preciso de pessoas assim na minha equipe, agora todos voltem ao seu posto de trabalho.
A funcionária que o tinha questionado saiu chorando da sala. O Jorge, por sua vez, ficou na sala de reunião com seus dois assistentes. Todos saímos mudos, ninguém tinha entendido como ele ouviu a conversa. Quando fomos pra casa, conversamos no caminho, sobretudo como eu já tinha tirado habilitação eu dirigia sem preocupação, então era tudo mais tranquilo, ele me disse que pessoas que desviam dinheiro sempre existiram na empresa da família dele e isso é difícil mudar, mas que os que ainda faziam isso, ao menos eram bons funcionários então, poderiam e iriam continuar.
Nosso tempo tinha ficado um pouco mais escasso pois eu estava fazendo faculdade... decidi cursar economia assim como ele para agregar na empresa, enfim, eu ia no carro dele todo o dia pra faculdade e ele ficava no ix35. Devo confessar que todas as garotas da faculdade ficavam no meu pé, pois sou até bonitinho e, de carrão, até uns caras ficavam no meu pé... eu me acho com isso, né? Pois bem, fui pra faculdade de social assim como em todos os dias, apesar de estar apenas começando no curso nessa época, eu já tinha me identificado, pois havia muito mais teorias e pensadores do que cálculos, como eu imaginava antes de cursar. Os professores nesse dia desmarcaram a aula e nos mandaram fazer um trabalho em grupo. Seriam cinco pessoas e não tínhamos para onde ir. Um pessoal me chamou pro grupo deles e teríamos que ir pra minha casa... isso seria assumir pra classe que eu sou gay, mas antes liguei para o Jorge porque a casa não é minha.
– Jorge, eu tenho que fazer um trabalho com um pessoal da faculdade e teria que ser aí em casa, posso levá-los!?
– Que pergunta é essa!? Logico que pode, você mora aqui, assim como eu, não tenho problema nenhum com isso.
– Tudo bem, mas eu me senti na obrigação de perguntar, agorinha estaremos aí...
Voltei ao pessoal e disse que poderíamos fazer o trabalho na minha casa... um deles que já tinha feito amizade comigo, me disse:
– Legal cara, ainda bem que tua mãe deixou.
– Na verdade, não foi minha mãe que deixou, foi meu namorado... liguei porque queria saber se não tinha ninguém lá do trabalho em alguma reunião ou algo do tipo.
Falei isso com meu coração saindo pela boca... se assumir pra alguém é sempre muito complicado, eu prefiro que as outras pessoas digam que sou gay do que eu mesmo falar isso, mas era preciso naquela situação.
Fomos pra minha casa, entramos e o clima não ficou diferente por conta de eu ter dito que era gay. Éramos três homens e duas garotas no grupo mas, tudo bem. Os caras acharam legal eu ser gay, disseram que, sendo eu um cara bonito, pra eles era ótimo, sobravam mais garotas, enfim, é a verdade. Entramos em casa e o Jorge estava vindo da direção do escritório, cumprimentou a todos, sorridente e cordial, todos sabiam quem era ele. Quando fomos fazer o trabalho, os meninos ficaram zoando dizendo que com o Jorge até eles se animavam por causa do carro e da casa, pura zoação... eu não apelava com isso, não me magoava em nada, porque eu sabia que não estava com ele por causa do dinheiro.
Conseguimos fazer o trabalho de forma bem fácil: o Jorge nos ajudou com tudo. Era um trabalho sobre um pensador chamado Adam Smith e ele sabia tudo... pra resumir, então apenas digitávamos o que ele falava. Ele, como sempre, muito agradável fora da empresa. Depois de terminarmos ele fez comida pro pessoal, um jantar digno de restaurante fino, serviu a mesa e então fomos todos comer, uma das meninas disse:
– Jorge, preciso comentar algo, uma prima minha trabalhou pra você e disse que você era uma das piores pessoas do mundo, mas ela estava erradíssima, você é muito agradável, quando te vi fiquei tensa mas admito que minha impressão mudou.
– É que sua prima me conheceu apenas no contexto administrativo e fica difícil julgar meu comportamento pra quem conhece apenas uma vertente do meu dia a dia, mas sou um cara legal mesmo...
Demos umas risadas, depois eu fui levar o pessoal embora pra casa, bem contente com o resultado da noite. Eu sempre me surpreendo com o Jorge, ele é o melhor mesmo. O pessoal é mais humilde, mora relativamente longe da minha casa e, no final, agradeceram pela noite. Deve ter sido boa mesmo, tiraram até foto com o Jorge!

Capítulo 27
No outro dia, todos na faculdade sabiam que eu era gay, isso aconteceria e eu sabia disso. Me olhavam de forma estranha e comentavam quando eu passava. Vou dizer que eu gosto dessa sensação, de ser o centro das atenções.
Os dias seguiram tranquilos na minha vidinha, no entanto, no sábado, eu tive uma surpresa muito agradável. Eu vinha comentando com o Jorge que queria muito comprar um carro e que com meu holerite já dava pra financiar um. Ele me dizia que, de fato, daria e que providenciaria isso pra mim com uma taxa de juros mais baixa. Acordei no sábado e fomos a uma concessionária da Renault... entramos e o pessoal me pediu para assinar uns documentos. Fiquei confuso... minutos depois me entregaram a chave de um carro, era um Renault Sandero, recém lançado na época, fiquei sem saber o que dizer.
– Que é isso Jorge!? Como eu vou pagar esse carro? Ele é meio fora do que eu tinha planejado, eu queria um de até R$ 25.000,00.
– Não fui eu quem te deu esse carro, foi tua mãe, eu apenas paguei o emplacamento e o seguro dele, ele já está comprado há mais ou menos 30 dias só que enrolei para vir buscar.
O primeiro carro a gente nunca esquece e eu me lembro do meu até hoje. Era completo, com câmbio automático, uma gracinha e com som turbinado, coisas do Jorge. Liguei pra minha mãe, agradeci, ela tinha mesmo prometido isso mas como meu pai tinha descoberto que eu era gay, eu pensei que ele tinha desistido de me dar o carro de presente. Eu tinha guardado uns dez mil para comprar o carro, guardava todo o meu salario, não gastava com nada. Quando saímos da concessionaria, eu me despedi dele na porta e disse que daria uma volta... ele concordou e disse que me esperaria para almoçarmos em casa.
Tomei uma decisão que o homem da relação deve tomar, decidi que pediria ele em casamento... eu sabia o numero do dedo dele pois quando ainda era assistente levei um anel de formatura dele para polir. Fui a uma joalheria do shopping, assinada por um designer e fui escolher as alianças... escolhi uma com parte de ouro branco e pedras de turmalinas da Paraíba, muito bonitas e masculinas... então eram elas mesmo... custaram oito mil reais o par, paguei chorando, mas ele merecia, não poderia ser outra coisa.
Entrei em casa e ele tava na cozinha picando legumes. Entrei caladinho, fui no quarto tirei minha roupa e voltei de cueca... ajoelhei atrás dele, o cutuquei, ele olhou para trás e, quando me viu ajoelhado, acho que deduziu alguma coisa pois me olhou com olhos arregalados e seus olhos ficaram molhados quase que automaticamente.
– O que é que você esta fazendo ajoelhado no chão, Gustavo?
– Jorge, eu quero te pedir uma coisa.
– O que foi!? Já falou com a voz tremula e chorosa.
– Me daria a honra de passar o resto da vida ao teu lado!? Quer casar comigo!? Mesmo que no nosso país isso não seja possível.
Ele não respondeu nada, apenas ficou me olhando, estático, chorando baixo, sem dizer uma palavra sequer. Eu fui ficando sem graça mas ele não falava nada, apenas me pediu pra me levantar e me abraçou...
– Isso é um sim!?
– É mais que um sim... é um aceito.
Peguei as alianças que eu tinha colocado na cueca e então fui ser cavalheiro mais uma vez com ele... Coloquei no dedo dele a aliança, ele colocou a minha no meu, e disse que não deveria ter comprado nada tão caro, pois ouro branco não era barato. Eu disse pra ele que era o dinheiro da entrada do carro e como não iria precisar mais, não pensei em outra coisa mais justa pra aquele dinheiro. Depois de todo o meu romantismo, eu ganhei o que esperava: minha primeira foda com ele sem camisinha, no pelo...
Fomos pro nosso quarto, ele foi tirando a roupa devagar na minha frente, e veio pra cama onde eu estava. O corpo dele tinha voltado a ser o que era com a diferença que suas costas estavam mais musculosas e a bunda mais top ainda do que era antes... ele veio me beijando na cama, com o corpo todo arqueado, eu de pau duro como sempre... ele foi descendo e começou a me chupar, toda vez que ele engolia, que eu sentia meu pau entrando na sua garganta eu quase gozava... minha rola melava toda com aquela sensação de estar entrando em um lugar inesperado e totalmente novo... Ele, com minha rola na garganta e eu bombando na boca dele... nada melhor que isso, eu quase gozei umas duas vezes... quando eu ia gozar ele tirava meu pau da boca, chupava meu saco e ficava me dando mordiscadas nas pernas e na barriga... ficou me castigando... toda vez que eu sentia que estava vindo, ele parava. Mudamos um pouco os papéis e foi minha vez de chupar aquela bundona dele... colocava o dedo e mesmo assim ainda era relativamente apertado, passava a língua, arranhava as costas dele, e ele ficando mole, se rendendo às minhas caricias... quando fui para penetrar ele, fiz menção de me levantar pra pegar a camisinha... ele me segurou pelo braço apenas fazendo um sinal negativo com a cabeça e esticou o braço pegando o lubrificante... fiquei louco, finalmente mataria minha vontade de meter nele sem camisinha. Ele de quatro, eu melei a rola e a bunda dele e empurrei pra dentro... meu pau doeu um pouco porque é apertado e, como fui com muita sede ao pote, fiquei com uma dorzinha mas que foi substituída quase que instantaneamente por prazer. Sentir o corpo dele é ótimo, a sensação do sexo que já é muito boa é intensificada em 10 vezes... só quem faz sexo no pelo é que sabe do que eu estou falando... eu comecei a bombar... ele dava umas gemidas e rebolava na minha rola, empurrava o corpo pra trás... uma delicia mesmo! Mudamos de posição... eu queria comer ele em pé. Apoiei ele na parede, próximo à cama, me posicionei atrás, apoiei minha perna no criado mudo e comecei mais uma sessão de bombadas no meu macho...acho que nessa doía mais, porque ele trincava os dentes, mas como ele tava de pau duro também e não reclamava, eu continuei. Fiquei bombando e, pela primeira vez, ele gozou sem tocar no pau dele... ele tava com as mãos na parede e senti meu pau sendo apertado dentro da bunda dele, a sensação é a mesma de levar uma mulher ao orgasmo, fiquei inchado... como ele gozava, eu passei o braço na cintura dele e comecei a foder com gosto. Eu sentia o corpo dele pesando no meu braço, era um dos maiores tesões... quando fui gozar, pensei em tirar o pau de dentro e gozar no peito dele, mas eu esperei tanto por aquilo que, enquanto decidia se gozaria fora ou não, acabei enchendo a bunda dele de porra, acho que foram uns cinco jatos... foi tão intenso que pressionei o corpo dele contra a parede enquanto urrava no seu ouvido... quando tirei o pau de dentro, ele foi pro banheiro tomar banho, eu senti que ele precisaria de um tempo sozinho, então fiquei deitado na cama, exausto, de barriga pra cima esperando meu pau terminar de baixar...

Capítulo 28
Depois que o Jorge saiu do banheiro eu fui tomar meu banho, enrolei meia hora no banheiro, troquei de roupa e fui pra cozinha onde o cheiro de comida inundava a casa. O meu pedido e a trepada atrasaram nosso almoço, enfim... Almoçamos juntos trocando olhares e alguns sorrisos, ele admirando a aliança em seu dedo e eu admirando ele. Engraçado como o fato de encontrar amor num lugar onde você nunca imaginou ir, nunca planejou ir, muda a sua perspectiva sobre as coisas. Amadureci muito ao lado dele, e rápido! Os eventos me forçaram a isso e não acho ruim de forma alguma, pelo contrario, é gratificante ver minha evolução como pessoa. No ano anterior, eu me drogava e não era nada mais que uma sombra na sociedade, não era sequer notado, já hoje sou alguém, tenho um lugar ao sol e só bebo de vez em quando.
Não tínhamos terminado de comer e o interfone toca. O Jorge atende e manda subir alguém. Pouco tempo depois, chega a Suzane aos gritos em casa e com um sorriso maior que o nosso, veio toda empolgada:
– Ai, como eu estou orgulhosa, gente, já quero uma comissão porque se não fosse por mim você estaria até hoje enrolando para se declarar pra ele, deixa eu ver esses anéis.
Mostramos as mãos pra ela que, mais uma vez, ficou aos berros e disse ao Jorge: - É mais bonita do que você tinha mencionado na mensagem.
– Gustavo, meus parabéns pela iniciativa, desejo tudo de bom aos dois, sério mesmo, vocês merecem paz e sossego.
– Valeu Suzane, eu tinha que pedir ele logo e colocar uma aliança nesse dedo pra espantar os outros caras, porque fica difícil ficar tendo que latir pra todo cachorro que fica cercando, querendo morder meu osso.
O Jorge me olhou com aquela típica cara que ele faz quando eu falo alguma coisa que é tipicamente hétero e eu comecei a rir. Ele convidou a Suzane para comer conosco, ela aceitou dizendo que ainda não tinha almoçado, que ia para o restaurante quando o Jorge mandou a mensagem pra ela e já mudou o caminho indo para nossa casa, se sentou conosco, se serviu e ficamos conversando durante o almoço. Ela, definitivamente, é uma das melhores amigas dele, a forma como conversam... são confidentes um do outro, eu gosto disso... ficamos a tarde toda em casa. Estávamos vendo um filme quando a mãe do Jorge chegou em nossa casa, eu acho que bêbada de novo e com um rapaz da minha idade, segundo ela, o novo namorado dela, o cara parecia um gogo boy, todo bombado e cara de marrento, mas, fazer o que? Esse é o estilo dela.
Ela nem bem entrou e a Suzane deu as boas novas a ela, que deu um grito e, logo em seguida, disse que deveríamos beber champanhe... foi à adega da casa, pegou uma garrafa e voltou com as taças na mão... a dela já veio cheia... uma verdadeira figura, cheia de joias, e o boy a tira colo... se serviu e ligou pra minha mãe para contar para ela o que eu tinha feito. Não foram dez minutos e minha mãe também chegou, pronto tinha virado uma festa! Minha mãe chorava, acho que por ver o quanto eu tinha melhorado como pessoa mesmo, ficamos a tarde toda nisso. A mãe do Jorge fez uns petiscos, ele contou aos amigos dele que eu tinha proposto casamento a ele, então, aqueles que foram conosco a BH na primeira vez que eu fui a um clube gay. Quatro deles, dois de BH e dois de Uberlândia nos propuseram voltar a BH naquela noite para podermos comemorar na pista... saímos de Uberlândia mais ou menos às seis da tarde.
Fomos o Jorge, os dois amigos dele, a Suzane e eu... Nos hospedamos no mesmo hotel, os dois amigos dele que moravam em BH foram para o hotel também para ficar conosco lá. Já chegamos nos arrumando para irmos à boate, mostramos as alianças e começou aquela gritaria na recepção do hotel. Saímos em dois carros pra boate... mesmo esquema da primeira vez, não pagamos entrada e já fomos para o camarote onde a bebida nos esperava. Como sempre, tinha aquele período de aquecimento... quando já estávamos bêbados, tínhamos secado duas garrafas de vodca e estávamos na terceira... descemos pra pista de dança. Nunca me esqueci desse dia, me recordo dos mínimos detalhes... Lady Gaga tinha estourado naquele ano, acho que era uma festa temática, porque tocaram vários remixes das musicas do primeiro álbum dela, enfim... Eu adoro ver o Jorge dançar, é sensual e delicado, sem ser feminino ou afetado.
Ele chama atenção e os caras ficam olhando ele dançar, eu nem me esquento mais com isso, acho é bom, porque o máximo que eles fazem é olhar mesmo, quem come aquele prato sou eu! Trocamos alguns beijos na pista de dança enquanto comemorávamos com nossos amigos. Os amigos dele foram na pick-up do DJ e anunciaram que estávamos comemorando o meu pedido de casamento ao Jorge, o pessoal aplaudiu o que me matou de vergonha mas, tudo bem... Tiramos uma porrada de fotos, a Suzane pegou uns boys ainda... e eu achei que ela era lésbica! Mais uma vez eu me surpreendendo com as pessoas...
Quando saímos da boate, já às 6 da manhã, íamos à portaria... o Jorge passou perto de um pessoal e, sem querer, chutou um combo de bebida que estava no chão... Quem coloca um combo de bebida no chão? Os caras começaram a discutir porque a bebida deles tinha caído, o Jorge ficou se desculpando com eles mas, mesmo assim, os caras ficaram procurando encrenca, alegando que tinha caído bebida no chão... O Jorge se virou, foi ao bar e comprou duas garrafas do que eles bebiam... se não me engano, era White Horse... voltou, colocou as duas dentro do baldezinho de combo deles e, mesmo assim, o cara veio fazer graça com a cara dele... Eu ia partir pra cima do cara, a Suzane segurou meu braço e disse:
– Fica tranquilo aí, se tem uma coisa que o Jorge sabe fazer muito bem é se defender.
O cara deu um tapa no peito dele, o Jorge nem se desequilibrou com o tapa... ele soltou um soco no rosto do rapaz. Fiquei impressionado, nunca tinha visto ele fazer aquilo, eu nem sabia que ele tinha noção de como brigar. Ele deu o primeiro soco e já foi pra cima do cara, jogou ele no chão... os amigos do cara vieram pra separar mas, mesmo assim, ele deu uns dois chutes ainda no cara no chão... Fiquei preocupado, se um dia eu irritasse ele em casa provavelmente apanharia. Depois ele me contou que tinha treinado box e crave Maga na época de ensino médio, a mãe dele achava necessário ele saber se defender. Os seguranças vieram, nos tiraram da boate, ou melhor tiraram ele... nós fomos andando mesmo, saímos com o rapaz ainda no chão da boate... acho que foi por isso que nunca esqueci esse dia.
Fomos a um fast-food qualquer comer alguma coisa e ficamos conversando sobre o ocorrido na boate, porque eu estava horrorizado com tudo aquilo.
– Jorge, desde quando você sabe brigar daquele jeito?
– Desde sempre, ué. Eu já fui arruaceiro quando era mais novo... Agora é que me tornei um cara centrado nos negócios.
– Tudo bem, eu me refiro a brigar daquela forma, se deixassem, você ia matar o cara, estou com medo de você.
– É só andar na linha comigo que nada te acontece... Eu fiz aulas de defesa pessoal na minha época de ensino médio, minha mãe achou melhor eu saber sair de uma confusão a apanhar de graça para os outros, falou ele entre soluços e risos...
Todos na mesa estavam rindo, acho que por estarem bêbados. Comigo, o efeito da bebida passou instantaneamente tamanha foi a minha surpresa com o que tinha acontecido na boate mas, enfim... Voltamos pro hotel e tivemos de pagar mais uma diária pois não íamos conseguir acordar antes de meio dia de forma alguma, o que nos restava era pagar outra diária. Como eu tinha uma reserva na minha conta eu decidi pagar pela nossa diária, já que ele estava tão bêbado que não se lembraria nem da senha do seu cartão de débito. Paguei e fui carregando ele pro quarto e, entre um cochilo e outro, ele me falou... – Estou me sentindo uma noiva recém casada.
Foi tão engraçada a forma que ele falou que eu perdi minhas forças e caímos os dois no chão... ainda bem que já estávamos próximos ao quarto, então eu segurei ele pelo pé e fui arrastando pra dentro... ele já tinha cochilado de novo e nem viu que eu estava arrastando ele...

Capítulo 29
Com muito custo, consegui colocar o Jorge na cama, tirei o sapato dele, o cinto e a camisa, deixei ele de calça e camiseta, pois ele fala que detesta dormir só de cueca e, pra não contrariá-lo, o deixei de roupa. Tomei um banho, minhas costas já queriam doer por conta de tê-lo carregado mas me deitei e, como estava um pouco alcoolizado, nem vi a dor se intensificar. Eu acordei às 18 h... o Jorge já estava de pé, tinha se arrumado e lia o jornal sentado em uma das poltronas do quarto... me levantei e fui direto para o banheiro, tomei um banho pra despertar e voltei pro quarto...
– Gustavo, vamos embora... minha cabeça está me incomodando um pouco e meu corpo está todo dolorido... parece que fui arrastado por um caminhão ontem à noite.
– Vamos sim, mas eu queria passar em algum lugar pra comer alguma coisa, estou morto de fome.
Ele concordou e assim fizemos. Passamos na recepção do hotel, fizemos o check-out e fomos embora. Paramos num posto que tinha restaurante, já na estrada sentido Uberlândia, e jantamos. Acho que caminhoneiro nenhum que estava naquele restaurante tinha um prato tão cheio como o meu, foi eu me sentar na mesa e o Jorge começar a me zoar..
– Gustavo, você gosta da tua mãe!?
– Gosto, claro.
– E de arroz, você gosta!?
Ficou fazendo graça porque, segundo ele, mal conseguia me ver atrás do prato... dramático como sempre! O garçom que veio nos servir o rodízio parou ao meu lado, me serviu, depois ao lado dele o o serviu... olhou as alianças, viu que eram iguais mas não falou nada. Eu percebi que ele notou pelo seu olhar, que ficou confuso olhando as duas alianças em nossos dedos. O interessante é que, depois disso, o pessoal que trabalha no restaurante focou na nossa mesa. Eu falei pro Jorge que era por causa disso, ele disse que não, que era pela quantidade de comida no meu prato, tirando sarro da minha cara e foi assim a noite inteira. Apesar de estar com dores de cabeça ele ficou risonho a noite toda. No caminho para Uberlândia, depois de jantarmos, eu fui tomando coca-cola no carro e arrotando a cada 5 km... era involuntário mas, mesmo assim, ele queria morrer de raiva de mim.
Quando passamos do posto da policia militar ele começou a alisar minha coxa sem olhar pra mim, tinha o olhar fixo na estrada mesmo estando de passageiro, e foi me alisando e o sangue foi esquentando, o foda é que ele fica me deixando de pau duro e depois para... ele nunca intensifica as carícias pra eu dar uma gozada enquanto dirijo. Chegamos a nossa casa, ele levou as coisas pra lavanderia e eu fui pra sala assistir qualquer coisa na TV. Ele disse que faria uma tábua de frios para comermos antes de dormir, uma coisa leve... eu falei pra ele colocar bacon e filé de frango mas ele não quis. Resumo: comi a bendita tábua de frios mas dormi com fome.
Na segunda-feira de manhã, no escritório reinava o silencio absoluto, todos concentrados nos seu trabalho, não tinha ninguém no espaço destinado ao descanso dos funcionários... era um clima pesado, que até mesmo o próprio Jorge estranhou, mas tudo fez sentido quando o Edgar disse que a irmã do Jorge o aguardava na sala dele... Ele já saiu puto, pisando firme no chão... eu o acompanhei para acalmá-lo... ele já foi com a intenção de demitir os dois assistentes dele que não o avisaram que a irmã dele estava lá mas, quando chegou na sala, eles arrumavam suas coisas. Eu não aguentei e perguntei:
– Porque é que estão arrumando suas coisas!?
– A irmã do Senhor Jorge nos demitiu porque não quisemos autorizar a entrada dela na sala dele e disse que era justa causa, que não teríamos direito a nada e ainda disse algumas ofensas pra gente, disse a Larissa com os olhos cheios d’água.
Ela nem bem terminou sua frase e o Jorge disse que era pra eles ficarem e trabalharem normal, pois ele iria resolver isso. E saiu com sangue nos olhos pra sala dele... quando a porta se abriu, eu vi que ela estava na cadeira dele com mais dois homens, e não pude ver mais nada, pois a porta se fechou, o silencio imperava... A Valentina me disse que eram os advogados dela, que tinham uma petição dos acionistas exigindo que ela voltasse à direção da empresa... por mais que os acionistas representassem apenas 40% do capital da companhia, a assinatura deles tem um peso muito grande nas decisões corporativas.
Até então eu não sabia, mas o Jorge tinha um avião desses de menor porte. Fiquei sabendo porque ele me mandou ligar para o comandante preparar o avião que ele estava indo ao aeroporto... iriam a São Paulo resolver esse problema de uma vez por todas. Entre gritos e xingamentos ele saiu com aquele ar austero de sempre, e a irmã dele aos prantos, de dentro da sala. O Jorge sempre trabalha com uma carta na manga e, provavelmente, tinha apresentado à irmã e aos advogados uma brecha, que não possibilitaria a volta dela ao controle da empresa.
Ele nem pegou roupas para ir... apenas uma funcionária do Financeiro, um dos advogados corporativos e a Larissa e foram para o aeroporto. Nem nos despedimos. Fiquei apreensivo... nunca é bom ele passar por todo esse stress ainda mais agora que ele estava se recuperando bem dos seus problemas de saúde mas parece que a irmã dele quer mais é vê-lo doente e sendo odiado por todos. Fiquei muito preocupado mesmo. Na segunda-feira ele não me ligou, fui pra faculdade e não conseguia me concentrar direito. Tudo era muito vago na minha cabeça, pois estava focado nele... mandei varias mensagens mas ele não respondeu nenhuma.
Fui na terça-feira mais cedo, liguei pra Suzane pedindo para ela ir também mais cedo para o trabalho... teríamos de dar continuidade na agenda do Jorge. Os clientes da empresa, principalmente os internacionais, não poderiam nem sonhar com esse desarranjo interno... isso seria prejudicial à saúde da empresa. Então, focamos em atender tudo que seria de responsabilidade do Jorge e admito não é fácil o trabalho dele, se não se impuser, os clientes te atropelam e você acaba pagando para trabalhar pra eles, ainda mais quando se trata de exportação. Pagamos muitos impostos que têm que ser repassados aos clientes, pois somos apenas o transportador. Voltando ao assunto, na terça-feira, o Jorge também não me ligou... eu soube pela Larissa que as negociações estavam bem ruins pro nosso lado... que, de alguma forma, a irmã dele tinha convencido os acionistas a voltá-la para a Presidência geral do grupo e o Jorge desconfiava que ela tinha comprado eles com alguma promessa de lucro.
Se o Jorge perdesse essa negociação ele ficaria num estado de pressão que me assombrava só de pensar. Na quarta-feira de manhã, outros funcionários da empresa foram para São Paulo pra ajudar nas negociações. Na hora do almoço ele me mandou uma mensagem que dizia: “ Desculpe não ter ligado ou dado alguma satisfação pra você... é que, no estado que as coisas estão, eu acabaria sendo grosseiro com você que, nesse momento não merece minha grosseria, apenas outros sentimentos, beijo”.

Capítulo 30
Eu odeio me sentir impotente e, infelizmente, essa situação pela qual o Jorge passava em São Paulo me deixa assim, totalmente impotente, eu não tinha uma forma de ajudá-lo, por mais que eu pensasse e quisesse. Foi uma semana sem falar com o Jorge. No sábado à tarde, eles chegaram no aeroporto. Eu queria muito ir buscá-lo, mas como ele estava no carro da empresa eu deveria esperar em casa pela sua chegada. Com certeza ele estaria exausto e eu rezava mesmo que subconscientemente para que ele tivesse vencido as negociações e conseguido se livrar da irmã dele de uma vez por todas.
Detesto ficar sem ele em casa, fico muito ansioso e começo a comer de tudo que vejo pela frente, se ele tá comigo em casa, eu como ele, minha ansiedade passa e eu não engordo! Quando eram mais ou menos 20:30, ele chegou com uma mala na mão, de roupas que ele tinha comprado pra ele em São Paulo. Entrou em casa com um sorriso enorme no rosto que denunciava o resultado das negociações, nem me atrevi a perguntar depois de ver aquele sorriso dele eu emudeci, ele me deu um abraço e um beijo com gostinho de saudade e bala de melancia, eu adoro beijá-lo segurando a nuca dele e controlando a rotação de nossas cabeças e sei que ele também adora porque seu corpo dá umas tremidinhas que me deixam louco... quando eu soltei para ele recuperar o folego ele me disse ao ouvido:
– Ganhamos.
– E o que foi feito da tua irmã!?
– Conseguimos provar os desvios de dinheiro dela, ela seria presa mas meu pai pagou a fiança dela e ela vai aguardar ser julgada em liberdade... quanto mais mexíamos nas contas dela, mais podridão vinha à tona. Fico com pena apenas do marido dela, um homem bom daquele casado com ela.
– Ainda bem que tudo deu certo, fiquei uma pilha de nervos esperando por você, que nem para me dar uma ligadinha e me acalmar mas tudo bem, eu te entendo.
– Eu estava muito irritado Gustavo, meu pai a defendendo mesmo com as provas todas contra ela e o pior, ele estava contra mim, minha mãe está decepcionada com o final de tudo, mas me apoiou, ficou do meu lado... será feita uma alteração contratual da empresa, seremos apenas eu e minha mãe no contrato... compraremos a parte do meu pai.
Depois de falar isso ele deu um suspiro como se estivesse aliviado e, definitivamente, estava. Ele foi para o quarto e eu fiquei na sala vendo TV... não queria incomodá-lo. Depois de uns 40 minutos ele veio pra sala usando uma daquelas cuecas que a bunda fica de fora, iguais àquelas de filme pornô, se sentou do meu lado como se não quisesse nada, com isso eu já perdi minha concentração e olha que era um filme muito bom que passava na TV, já fui ficando de pau duro, e ele quietinho mexendo no seu celular e deixando aquela bunda ali, me seduzindo... ele notou que eu olhava pra ele enquanto mexia no meu short e me falou...
– Precisa de alguma coisa, Gustavo!?
– Você tá me provocando, né? Eu aqui inocente vendo filme, e você vem me tirar do sério.
– Nem foi minha intenção, eu queria apenas ficar à vontade pra ler alguns e-mails.
Ele falou isso com a cara mais cínica do mundo, e eu já fui pra cima, comecei a beijar ele, fui deitando ele no sofá e ficando por cima, tirei minha roupa, ele escorregou a mão e começou uma punheta pra mim, o que é ótimo, adoro quando ele pega no meu pau enquanto eu beijo ele, e assim fomos... subi meu corpo deixando meu pau no rumo certinho da boca dele, ele começou a me chupar, ora ele chupava, ora eu metia a rola na boca dele, começou a lamber meu saco, minha rola babando, então virei ele de costas e caprichei nas lambidas e mordidas na bunda dele, ele com o corpo empinadinho é uma delicia... quem é ativo sabe do que eu tô falando... Aproveitei que ele estava empinado no sofá dei uma melada na rola com saliva mesmo e forcei a entrada, demorou um pouco mas quando entrou eu meio que fui puxado pra dentro dele. Vivo para essa sensação... comecei a bombar... ele todo arqueado no sofá com os braços esticados e eu impondo minha masculinidade, literalmente falando... puxei ele pelos cabelos forçando a levantar o rosto para que eu pudesse beijá-lo... ele gemia e rebolava bem de leve na minha rola... comecei a intensificar as estocadas e por fim gozei dentro dele mais uma vez... quando eu gozei, no mesmo momento, eu senti meu pau sendo esmagado, ele também tinha gozado e sem colocar a mão...
– Gustavo eu não sei o que acontece mas estou gozando sem por a mão, não sei se é um mérito meu, ou se é mérito seu.
– Logico que o mérito é meu, né? Quem é o cara que te dá prazer aqui nessa casa?
Já fiquei todo me achando de novo, tinha levado o cara ao orgasmo mais uma vez, dava vontade de contar pra todo mundo. Ele se levantou e disse que iria tomar um banho porque iríamos sair pra uma boate. Eu queria ficar em casa, mas ele disse, então já estava decidido. Me informou que a Suzane e uns amigos dele também iriam. Tomou seu banho no banheiro do nosso quarto, enquanto eu tomei no banheiro do quarto de visitas, nos vestimos e saímos. Passamos na praça de alimentação do shopping pois eu estava a ponto de morrer de fome, comemos um lanche e buscamos a Suzane na casa dela. Chegamos na boate a uma da manhã e os amigos dele já estavam à nossa espera, bêbados, tinham secado meia garrafa de vodca num curto espaço de tempo. O Jorge estava bem feliz, eu tinha prometido a mim mesmo que o controlaria mais com relação à bebida, mesmo que ele bebesse apenas nos finais de semana. No entanto, como a comemoração era por uma boa causa, a melhor para aquela ocasião eu o deixei beber, qualquer coisa era só arrastá-lo pra dentro de casa. Essa foi a primeira festa que eu fui com apresentação de gogo boy e a minha conclusão sobre a performance foi: eu jamais faria aquilo, os caras colocavam a mão no pau do cara, masturbavam ele, tudo bem, é legal isso mas, no meio daquela quantidade de gente, eles parecem aqueles produtos de mostruário de loja, todo mundo acha bonito, coloca a mão mas, na hora de comprar, preferem uma peça que esteja no estoque.
Fui ao banheiro mijar... tô eu lá de boa, brincando de pontaria, para um cara do meu lado e fica me observando mijar, estranha a atitude dele e, como eu não tenho muita paciência pra esse tipo de coisa:
– Perdeu alguma coisa aqui?
– Na verdade, eu acho que encontrei alguma coisa aqui.
– Foi mal, ferinha, mas eu sou casado, muito bem casado.
Quando passei por ele pra sair do banheiro ele deu uma passada de mão na minha mala, minha vontade era de voltar e soltar a mão na orelha dele, mas o bom senso falou mais alto e eu saí calado, sem olhar pra trás. Como se não bastasse isso, quando saio do banheiro vejo o tal gogo boy conversando com o Jorge... pensei comigo mesmo – É hoje, Gustavo. Já cheguei abraçando o Jorge por trás, o cara me olhou e perguntou ao Jorge se eu era o Gustavo, ele confirmou com a cabeça... o cara me olhou e disse:
– Parabéns, cara, está casado com um dos caras mais bonitos dessa cidade.
– Valeu, irmão.
– E dos mais fiéis também, eu queria dar uns pegas nele, mas ele me dispensou dizendo que era casado. Infelizmente, só ele me agradava aqui, acho que vou embora.
Deu um beijo na mão do Jorge e foi embora... esse povo bombado se acha... na cabeça deles todos querem ficar com eles... o tal do Edgar é assim, agora esse gogo boy também, e na minha frente ainda... fico puto com umas coisas dessas, mas fiquei na minha, passamos o resto da noite nos divertindo, saímos da boate as 5:30 da manhã porque fechou senão teríamos continuado. Fomos todos pra nossa casa, o Jorge preparou um rango pra todo mundo que, mesmo estando bêbado, ficou ótimo, ou não, né? Mas, como estávamos bêbados, o sabor era incrível... comemos, demos umas risadas, tomamos vinho e, por fim, todos dormiram lá em casa, os dois amigos do Jorge e a Suzane...

Capítulo 31 (final)
Acordei no domingo me sentindo na casa dos meus pais: aquele cheiro de comida e barulho de gente conversando. Dei uma espreguiçada na cama, aquela coçada no saco pra ajeitar a mala e olhei no relógio... já era quase uma da tarde. Pulei da cama, tomei um banho, me vesti e fui de encontro ao meu povo. Estavam na casa a mãe do Jorge com sua inseparável taça de vinho, os amigos do Jorge e a Suzane... fui de encontro ao pessoal, conversamos um pouco, o Jorge chegou, me deu um abraço e foi terminar de fazer o almoço. Enquanto eu esperava, fiz uma vitamina pra mim com todas as frutas que eu via pela frente.
Fui pra sala assistir TV, olhei no meu telefone e tinha três ligações perdidas da minha mãe. Eu retornei e ela me disse que já estava no nosso prédio, subindo com uma torta... eu fiquei meio sem entender. Quando ela entrou, me disse que estava lá desde as nove da manhã e tinha saído pra buscar uma torta e algumas coisas. Fiquei quieto, na minha, vendo TV, tentando me distrair enquanto esperava pra comer. Na verdade, minha cabeça doía um pouco, nada que fosse muito sério, era apenas uma ressaca. Já quase às três da tarde finalmente me chamaram pra comer... meu estômago já tava fundo, quase encontrando com as costas... decidi comer em porções menores para não envergonhar o Jorge, até porque ele detesta que eu transborde o prato, fala que é feio, mas fui criado em fazenda, não tinha muito disso com meu pai e os peões mas, fazer o quê!?
Comemos juntos e assistimos a um filme depois que o pessoal foi embora. Já ao entardecer, eu resolvi estudar um pouco, fui pra sala de jantar com meu material e notebook e fiquei distraído em meio aos meus pensamentos, enquanto tentava formar um raciocínio logico. O Jorge veio algumas vezes tentando me provocar e eu na minha, sem me desconcentrar... a mesa da sala de jantar é alta, no padrão europeu, e toda de madeira... ele veio por debaixo da mesa e apalpou meu pau dentro do short, levei um baita susto, quase desmaiei mas, como vi a aliança na mão, fiquei mais de boa e fui deixando ele mexer na minha mala enquanto eu estudava... ele desafivelou minha bermuda e tirou, me deixando apenas de cueca e continuou... eu já tava de pau duro... ele tirou meu pau pra fora, pelo buraco da perna da cueca e começou a mamar a cabeça... eu já fui perdendo a concentração, já não estava conseguindo ler direito mas me esforcei pra continuar lendo sem desfocar, ele me chupando, sugando meu pau, passava os dentes bem de leve na cabeça da minha rola e eu adoro a sensação que isso me proporciona... por fim, eu desisti de ler, cheguei minha cadeira pra trás, tirei minha cueca e puxei ele pelo cabelo... veio engatinhando, de boca aberta já pra receber minha rola e acomodá-la... eu o segurava pelo cabelo pressionando sua cabeça pra baixo... quando notava que ele tava engasgando, liberava ele... ele até lacrimejava mas, mesmo assim, me olhava com aquele sorrisinho gostoso e cheio de malícia... levantei ele e o beijei... ele sentou no meu colo e ficamos um tempo nos beijando... eu me levantei segurando ele nos meus braços e fui carregando ele até o quarto, sem parar de beijar em nenhum momento... deitei ele na cama e já fui direto ao meu playground, dando umas mordidas, dedadas, lambidas até ficar no ponto. Peguei o lubrificante que eu sempre deixo na cabeceira da cama, passei nele e no meu pau e comecei a bombar. A recepção, como sempre, foi muito calorosa, pra dizer o mínimo. Eu tinha me acostumado ao corpo dele e me sentia completo toda vez que transávamos, a sensação sempre é ótima... fiquei bombando nele deitado na cama. Mesmo com o ar-condicionado ligado nós suávamos, ele empinado pra mim... dessa vez fiz diferente, quando fui pra gozar tirei a rola, virei ele na cama e gozei na boca dele... fomos tomar banho juntos, ele já tinha se acostumado com o meu jeito meio sem modos e voluntário, que contrastava muito bem com o dele, cheio de bons modos e completamente comedido em suas ações.
As coisas na empresa finalmente iam entrando nos eixos. Com a alteração contratual feita, mesmo os acionistas não gostando, teriam que engolir o Jorge, pois enquanto a empresa mostrasse resultados crescentes, mesmo que a margens decrescentes, o Jorge não seria tirado do comando. Ele continuava pressionando todos. exigindo o melhor de todos, mesmo que isso levasse todos à beira de um ataque de nervos mas, um fato interessante é que ninguém se demitia e depois do que ele fez pra salvar a empresa da falência duas vezes ele passou a ter a admiração de todos, por assim dizer. Mesmo quando o pessoal descobriu das alianças e do nosso noivado não houve fofoca, ao contrário, todos respeitavam, ouvi até alguns poucos parabéns de uns funcionários mais próximos, inclusive do Edgar, que vinha se mostrando alguém agradável e de conversa interessante.
Estávamos em 2010, se me recordo bem, era em março, os estagiários da empresa se formaram nos cursos deles. Se não me engano, era primeiro emprego do Senac e, na conclusão do curso, tinha um coquetel onde os empresários entregavam um certificado de conclusão aos alunos do curso, geralmente, com aquelas placas de felicitações. Os meninos chegaram em mim perguntando se eu poderia ir para representar a empresa pois tinham medo de pedir ao Jorge e ele provavelmente negaria. Eu disse que não, que falassem com ele, com certeza ele aceitaria, pois se tratava de algo importante pra eles e para a empresa também. Mesmo assim, eu disse que iria sim, mas pedi dois convites, afinal poderia levar um convidado nessa época... o boom do nosso envolvimento ainda não tinha estourado na empresa. Então, no sábado, dia do evento, eu aproveitei que estávamos em casa a sós e decidi falar com ele a respeito do evento.
– Jorge, hoje é a formatura dos meninos que estagiavam na empresa. Haverá uma festa e entrega de certificados.
– Que bom... E o que tem de importante nisso!?
– O importante é que é você quem entrega o certificado a eles. É um evento formal, com vários empresários da cidade.
– Porque é que só me falou isso agora, Gustavo!? Eu tenho que arrumar cabelo, tirar a barba, como vou me apresentar assim na frente dos empresários da cidade?
– Eles ficaram com medo de você não querer ir, mas é logico que eu vou, se uma das regras do evento é o empresário entregar o certificado eu tenho que ir.
Ele virou as costas, pegou a chave do carro e saiu. Isso eram mais ou menos 9 da manhã. Ele chegou às 17 h, com o rosto todo liso e luminoso, cabelo cortado, sorriso mais branco que antes, e já era bem branco. Entrou pro quarto e foi se arrumar, eu fiquei meio em choque na sala, pois ele tinha conseguido ficar ainda mais bonito! Esperei mais ou menos uma hora e entrei pra me arrumar também, tomei banho, vesti um terno, sapatos. Em meia hora eu tava pronto. O evento era às 20 h... quando eram 19 h, ele saiu do quarto com um terno perfeito, cortado sob medida, calça preta e blazer vermelho com detalhes em preto na gola e punho, muito belo mesmo, ele sempre capricha pra esses eventos.
Entramos, fomos para nossa mesa que era, por sinal, muito bem localizada. Quando os meninos chegaram e o viram, tomaram um susto e eu dei um riso de canto de boca. Eles o cumprimentaram e, como sempre, fora do contexto profissional, o Jorge é um dos mais agradáveis do mundo. Conversou com todos rapidinho, eles se soltaram e ficaram mais tranquilos com a presença dele, o que foi ótimo pois a noite foi bem agradável. Quando chamaram ele pra entrega do certificado. muitos empresários olharam pois o nome dele é bem conhecido na cidade e, lógico que ele era o mais bonito do evento! Ele entregou o certificado e o Valter, motorista da empresa, entregou um presente pra cada, um relógio e um pingente da empresa, iguais aos que os funcionários efetivos usam, mostrando que todos ele tinham sido efetivados. Como foi próximo à Páscoa, deu também uma cesta de chocolates pra cada um. Ele e seus exageros! A Larissa começou a chorar, os outros a rirem por terem sido todos efetivados, foi bem emocionante e marcante o momento. Em todos esses anos juntos e como essa foi nossa primeira formatura de estagiários, ficou na memória. Foi uma quantidade exagerada de fotos... ao final, o pessoal o aplaudiu por conta de tantas surpresas... ele adora a atenção! Ficamos até o final da festa com o pessoal, enquanto a maioria dos empresários tinha ido embora... ficamos até o amanhecer. O Jorge adora ver o sol nascer na rua... dançou com o pessoal, tirou fotos com todos, fez graça.
Em termos administrativos o Jorge melhorou muito, já diz bom dia a todos os funcionários, alguns sorrisos e elogios. Se hoje em dia nossa empresa vai bem? Sim, muito bem! Agora atuamos com frota rodoviária não só no Brasil mas quase em toda a América latina, E meu casamento vai melhor que nunca, já estamos há quatro anos juntos e só brigamos uma vez, por conta de uma mancha de barro que deixei em um dos carpetes da casa...
Obrigado a todos que se interessaram em ouvir parte dos acontecimentos da minha vida... O Jorge não sabe que eu contei nossa historia, mas acho que ficaria feliz se soubesse o modo como a contei!


Autor: Otávio.G
Categoria: Homossexual
Data: 11/04/2013 01:11:46
Nota 9.44 

Link: Casa dos Contos, para o original publicado neste site. 
http://www.casadoscontos.com.br/perfil/180945



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